Para
completar as reflexões sobre a devoção à Maria no catolicismo, apresentadas nas
últimas seis postagens do blog Indagações, considero interessante trazer agora,
para este espaço, dois depoimentos emocionantes sobre Maria, Mãe de Jesus. São
textos tirados do livro de
Scott e Kimberly Hahn: “Todos os caminhos vão dar a Roma”.
Os
autores do livro são pastores presbiterianos norte-americanos, que contam sobre
a sua conversão ao catolicismo. Eles estudaram a fundo as questões duvidosas e todos os argumentos que os seguravam longe da Igreja Católica. O marido se converteu em primeiro
lugar. A sua esposa ficou muito desolada, mas, depois de algum tempo, ela também
abraçou a fé católica. É um livro muito interessante.
Nesta
postagem – o testemunho do Scott Hahn. (O
depoimento da Kimberly Hahn será apresentado na postagem seguinte.)
Não
deixe de ler.
[Para aproveitar melhor as explicações, é
aconselhável ler desde o início todas as
postagens sobre este assunto (começo no dia 15 de maio de 2012: Sobre culto à
Nossa Senhora e aos Santos na religião Católica).]
Scott Hahn:
(...) Alguém me mandou um terço de plástico. Ao ver
aquelas contas senti que me enfrentava com o obstáculo mais forte de todos:
Maria (os católicos não fazem a menor ideia como é duro para os cristãos
bíblicos aceitarem as doutrinas e
devoções marianas). Mas eram já tantas
as doutrinas da Igreja Católica que se tinham mostrado solidamente baseadas na
Bíblia, que decidi dar um passo de fé neste
ponto.
Fechei-me no escritório e rezei silenciosamente: “Senhor, a Igreja Católica demonstrou estar
na verdade em noventa e nove por cento dos casos. O único grande obstáculo que
ainda subsiste é Maria. Peço-te perdão de antemão se o que vou fazer te
ofende...
Maria, se é apenas metade do que a Igreja Católica
diz que és, por favor, apresenta a minha petição – que me parece impossível –
ao senhor mediante esta oração”.
Rezei então pela primeira vez o terço. Voltei a
rezá-lo muitas outras vezes pela mesma intenção ao longo da semana seguinte,
mas depois esqueci-me do assunto.
Três meses mais tarde dei-me conta de que desde o dia
em que tinha começado a rezar o terço aquela situação aparentemente impossível
se tinha alterado completamente. A minha petição tinha sido ouvida! Senti-me
muito envergonhado pelo meu esquecimento e ingratidão. Nesse momento agradeci a
Deus a Sua misericórdia e voltei a pegar no terço, que não deixei de rezar
desde esse dia.
É uma oração poderosa, uma arma incrível, que
ressalta o escândalo da Encarnação: o Senhor elegeu uma humilde virgem
camponesa e elevou-a a ser aquela que daria a natureza humana sem pecado à
Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, para que pudesse tornar-se nosso
Salvador.
Pouco depois recebi um telefonema de um velho amigo
da Universidade. Tinha ouvido dizer que eu andava a coquetear com a “rameira da
Babilônia” (assim tratam a Igreja Católica), como ele próprio disse. Não poupou
palavras.
- O que
quer dizer que já adoras Maria, não, Scott?
- Ouve, Chris, tu sabes muito bem que os católicos
não adoram Maria; veneram-na simplesmente.
- E qual é a
diferença, Scott? Nenhuma das duas coisas tem base bíblica.
Não sabia o que dizer. De terço na mão, invoquei
Maria para que me ajudasse. Revigorado,
respondi-lhe:
- Olha que
podes apanhar uma surpresa.
- Ah, sim?
Por que?
Comecei a dizer a primeira coisa que me veio à
cabeça:
- Realmente,
é muito simples, Chris. Simplesmente recorda dois princípios bíblicos básicos.
Primeiro: sabes que, como homem, Jesus Cristo cumpriu na perfeição a lei de
Deus, incluindo o mandamento de honrar pai e mãe. A palavra hebraica para
honrar, kabodah, significa
literalmente “glorificar”. Ou seja, que Cristo não só honrou o Seu Pai celeste,
como também honrou perfeitamente a Sua mãe terrena, Maria, outorgando-lhe a Sua
própria glória divina.
O segundo
princípio é ainda mais simples: a imitação de Cristo. Imitamos Cristo
não só honrando as nossas próprias mães, como também honrando aqueles que Ele
honra, e com o mesmo tipo de honra que Ele lhes outorga.
Seguiu-se uma longa pausa antes que Chris dissesse:
- Nunca
tinha ouvido as coisas apresentadas
desse modo.
Para ser franco, eu também não.
- Chris,
isto é apenas um resumo do que os Papas têm dito ao longo dos séculos sobre a
devoção a Maria.
O Chris voltou ao ataque:
- Uma coisa
são os Papas, mas onde é que isso aparece na Escritura?
Respondi instintivamente.
- Chris, Lucas 1, 48 diz: “De agora em diante,
todas as gerações me chamarão bem aventurada”. É isso que faz o terço, cumprir
a Escritura.
Seguiu-se outra longa pausa, antes do Chris mudar
rapidamente do tema.
A partir de então senti que a recitação do terço me
ajudava a aprofundar na minha própria
compreensão da Bíblia. A chave era, obviamente, a meditação dos quinze mistérios; mas também me
dei conta de que a própria oração confere uma certa perspicácia teológica para
considerar todos os mistérios da nossa fé de acordo algo que ultrapassa muito –
mas não se opõe – a capacidade racional do intelecto: o que alguns teólogos
designaram como “a lógica do amor”.
Descobri pela primeira vez essa “lógica do amor” ao
contemplar a Sagrada Família de Nazaré,
modelo de qualquer lar. A Sagrada Família, por sua vez, apontava para a
Aliança, e, em última instância, para a própria vida íntima de Deus como eterna
Sagrada Família: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esta belíssima e
convincente visão começou a encher o meu coração e a minha mente; mas não
estava ainda muito seguro de poder identificar a Igreja Católica com a
expressão terrena da família da Aliança de Deus. Para chegar até lá precisava
de bastante mais oração e estudo. (...)¹
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¹ HAHN Scott e Kimberly. Todos os cominhos vão dar
a Roma. Lisboa 2006, Ed. Diel, 6ª ed. p. 88 -91.




