sábado, 31 de julho de 2021

“Como acreditar em Jesus”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

"Disseram eles: Senhor, dá-nos sempre desse pão! Então Jesus declarou: Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede”.  (Jo 6, 34-35)

A reflexão que trago hoje para o blog Indagações-Zapytania, do padre e teólogo espanhol José Antônio Pagola, é muito precisa e importante. Tem como pano de fundo o texto bíblico Jo 6, 24-35 (Jesus, o pão da vida).

Foi publicado no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

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IHU – ADITAL

30 Julho 2021

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de João 6,24-35, que corresponde ao 18º domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Como acreditar em Jesus 

Segundo o evangelista João, Jesus conversa com as pessoas nas margens do Lago da Galileia. Jesus diz-lhes que não trabalhem por qualquer coisa, que não pensem apenas num «alimento perecível». O importante é trabalhar tendo como horizonte a «vida eterna».

Sem dúvida que é assim. Jesus tem razão. Mas qual é o trabalho que quer Deus? Esta é a pergunta das pessoas; como podemos nos ocuparmos nos trabalhos que Deus quer? A resposta de Jesus não deixa de ser desconcertante. O único trabalho que Deus quer é este: «Que acrediteis em quem Deus vos enviou». Que significa isto?

«Acreditar em Jesus» não é uma experiência teórica, um exercício mental. Não consiste simplesmente numa adesão religiosa. É um «trabalho» em que os seus seguidores se hão de ocupar ao longo das suas vidas. Acreditar em Jesus é algo que se tem de cuidar e trabalhar dia a dia. 

«Acreditar em Jesus» é configurar a vida a partir Dele. Convencidos de que a sua vida foi verdadeira: uma vida que conduz à vida eterna. A sua maneira de viver Deus como Pai, a sua forma de reagir sempre com misericórdia, o seu compromisso em despertar esperança é o melhor que pode fazer o ser humano. 

«Acreditar em Jesus» é viver e trabalhar por algo último e decisivo: esforçar-se por um mundo mais humano e justo; fazer mais real e mais credível a paternidade de Deus; não esquecer aqueles que correm o risco de ser esquecidos por todos, mesmo pelas religiões. E fazer tudo isto sabendo que o nosso pequeno compromisso, sempre pobre e limitado, é o trabalho mais humano que podemos fazer. 

Por isso, ignorar a vida dos outros, viver tudo com indiferença, encerrarmo-nos apenas nos nossos interesses, ignorar o sofrimento das pessoas que encontramos no nosso caminho... são atitudes que indicam que não estamos a «trabalhar» a nossa fé em Jesus.

Fonte: IHU – Comentário ao Evangelho

sábado, 24 de julho de 2021

“A Eucaristia e crise econômica”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

“Então Jesus tomou os pães, deu graças e os repartiu entre os que estavam assentados, tanto quanto queriam; e fez o mesmo com os peixes.” (Jo 6,11)

Abaixo temos uma reflexão muito relevante e atual, que tem como pano de fundo o texto bíblico Jo 6, 1-15 (O milagre do pão). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. Foi publicada na no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

Vale a pena ler!

WCejnóg

IHU – ADITAL

23 Julho 2021

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de João 6,1-15, que corresponde ao 17º domingo do Tempo Comum, ciclo B, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

A Eucaristia e crise econômica

Todos nós, cristãos, sabemos disso. A Eucaristia dominical pode facilmente converter-se num «refúgio religioso» que nos protege da vida conflitiva em que nos movemos ao longo da semana. É tentador ir à missa para partilhar uma experiência religiosa que nos permite descansar dos problemas, tensões e más notícias que nos pressionam de todos os lados.

Às vezes somos sensíveis ao que afeta a dignidade da celebração, mas preocupa-nos menos esquecer as exigências que envolve celebrar a Ceia do Senhor. Incomoda-nos que um padre não cumpra estritamente a norma ritual, mas podemos continuar a celebrar a missa rotineiramente sem ouvir os apelos do evangelho.

O risco é sempre o mesmo: comungar com Cristo no íntimo do coração sem nos preocuparmos em comungar com os irmãos que sofrem. Partilhar o pão da Eucaristia e ignorar a fome de milhões de irmãos privados de pão, de justiça e de futuro.

Nos próximos anos, os efeitos da crise irão agravar-se muito mais do que temíamos. A cascata de medidas que são ditadas de maneira inapelável e implacável irá fazer crescer entre nós uma desigualdade injusta. Veremos como pessoas do nosso ambiente próximo se vão empobrecendo até ficarem à mercê de um futuro incerto e imprevisível.

Conheceremos de perto imigrantes, privados de assistência sanitária, doentes sem saber como resolver os seus problemas de saúde ou medicação, famílias obrigadas a viver da caridade, pessoas ameaçadas de despejo, gente sem assistência, jovens sem um futuro claro.... Não o poderemos evitar. Ou endurecemos os nossos hábitos egoístas de sempre ou nos tornamos mais solidários.

A celebração da Eucaristia no meio desta sociedade em crise pode ser um local de consciencialização. Necessitamos nos libertar de uma cultura individualista que nos habituou a viver pensando somente nos nossos próprios interesses, para aprender com simplicidade a ser mais humanos. Toda a Eucaristia está orientada para criar fraternidade.

Não é normal ouvir todos os domingos ao longo do ano o evangelho de Jesus sem reagir às suas chamadas. Não podemos pedir ao Pai «o pão nosso de cada dia» sem pensar naqueles que têm dificuldades para o obter. Não podemos comungar com Jesus sem nos tornarmos mais generosos e solidários. Não podemos dar paz uns aos outros sem estarmos dispostos a estender a mão àqueles que estão mais sozinhos e indefesos perante a crise.

Fonte: IHU – Comentário do Evangelho