sábado, 25 de janeiro de 2014

“Jesus mostra como Deus é e como deve atuar quem O queira seguir.” - Comentário bíblico de M. Asun Gutiérrez Cabriada. Muito bom.


“Depois começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.” (Mt 4, 23)

Para refletir sobre as palavras acima, que fazem parte da passagem do Evangelho segundo Mateus (4, 12-23), trago para o blog Indagações o comentário muito bom  e  interessante de Asun Gutiérrez Cabriada.   
Não  deixe de ler.
WCejnog


[Os interessados pedem ler esse texto em apresentação de PPS, acessando o site das Monjas Beneditinas de Montesserrat: benedictinescat.com Trabalho muito bonito!]


Uma hierarquia de valores, uma utopia, um trabalho oferecido...
uma nova ética, melhor, mais exigente, mais apaixonante?
Pois não. É isso, mas é mais e melhor que isso.
O Reino é algo recebido, é a obra de Deus,

é o trabalho do Vento de Deus, do Espírito:
compete-nos não tanto “obedecer” mas “aceitar”,
não tanto “cumprir com esforço” como “descobrir com alegria”.

O Reino é graça, o Reino é gratuito. 

O Reino é um presente, é a presença do Vento de Deus. 
Compete-nos deixar-nos levar pelo Vento;
o nosso esforço é despregar velas, escutar com atenção.


José Enrique Galarreta



Comentário
Quando Jesus ouviu dizer
que João Batista fora preso,
retirou-se para a Galileia.
Deixou Nazaré e foi habitar
em Cafarnaum, terra à beira-mar,
 no território de Zabulão e Neftali.
 
Para começar a sua atividade apostólica Jesus escolhe a Galileia, terra de pessoas afastadas, pouco praticantes, nada clericais, de costumes pouco piedosos, desprezada pelas autoridades judaicas. Galileia será o seu povo.  Mateus diz que a salvação vem desta Galileia desprezada e sob suspeita pelos intérpretes oficiais da Lei. Deus serve-se do que oficialmente não conta ou é olhado com desdém para levar avante o seu plano.  Esta escolha dá a entender que a salvação que Jesus vai oferecer é universal.

Assim se cumpria
o que o profeta Isaías anunciara ao dizer:
Terra de Zabulão e terra de Neftali,
estrada do mar, além do Jordão,
Galileia dos gentios:
o povo que vivia nas trevas
 viu uma grande luz;
para aqueles que habitavam
na sombria região da morte,
uma luz se levantou.

Os seguidores e seguidoras de Jesus têm de atuar como Ele atuou. Comunicar a sua mensagem de abundância de paz, liberdade interior, fraternidade, justiça, alegria, luz...


Tenho tendência a ver o escuro, o negativo, na minha vida e na dos outros?

Sinto alegria e luz interior? Tento alegrar e iluminar a vida aos outros?

Desde então, Jesus começou a pregar:
- Arrependei-vos,
 porque o reino de Deus
está próximo.

Jesus começa por nos convidar a mudar, a nos encontrarmos com Alguém que quer tornar-nos melhores pessoas, mais humanas e mais felizes.
É sempre bom momento para se converter, porque é sempre bom momento para amar, para ser feliz, para agradecer, para se deixar transformar pela acolhimento, a proximidade, a companhia e o amor de Deus e dos outros. 
 
Deus está próximo. Não chega ao som de trombetas, vem como brisa, como sussurro, sentimo-l’O dentro do coração, porque o Reino de Deus não está fora, está no nosso interior. “Algo novo está a brotar” Não o notais? Jesus é o começo desse “algo  novo”, diferente de todo o anterior, que já começou e que não tem fim. A autêntica conversão, a autêntica felicidade, é conhecer Jesus e viver como Ele viveu.

Caminhando ao longo do mar da Galileia.
Viu dois irmãos:
Simão, chamado Pedro, e seu irmão André,
que lançavam as redes ao mar,
pois eram pescadores. Disse-lhes Jesus:
- Vinde e segui-Me
e farei de vós pescadores do homens.
Eles deixaram logo as redes
e seguiram-n’O.

Jesus chama pessoas simples no seu trabalho quotidiano.
Como a Pedro, André... Chama-nos a cada um de nós pelo nosso nome.

O chamamento não é a minorias, é a todos, realiza-se cada dia à nossa volta, no nosso trabalho, nas atividades diárias; a resposta, pessoal, responsável e livre, também se vai dando cada dia. Nem o chamamento nem a resposta são uma vez para sempre.
O caminho do seguimento percorre-se e renova-se todos os dias da nossa vida.

Jesus convida-nos a viver felizes, a alegrar e  libertar todas as pessoas, levando a Nova, a Boa, a Melhor Notícia. Como Ele faz.

Um pouco mais adiante,
viu outros dois irmãos:
Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmãos João,
que estavam no barco,
na companhia de seu pai Zebedeu,
a consertar as redes.
Jesus chamou-os
e eles, deixando o barco e o pai,
seguiram-n’O.

Jesus continua a repetir-nos o convite a sair da rotina, das falsas seguranças,  do comodismo mental e existencial e a nos convertermos em seus mensageiros,  tornando prioritário na nossa vida quotidiana tudo aquilo que tenha a ver com o projeto do Reino de Deus: a verdade, a justiça, a solidariedade e a dignidade de todas as pessoas, especialmente as empobrecidas, as que se vêem privadas de consolo, luz, horizonte e esperança.

Que “redes” tenho que deixar para seguir Jesus, para ser mais livre e mais feliz?

Depois começou a percorrer toda a Galileia,
ensinando nas sinagogas,
proclamando o Evangelho do reino
e curando todas as doenças
e enfermidades entre o povo.

Jesus acompanha sempre  as suas palavras com atos.
Ao ver as pessoas agoniadas, angustiadas, oprimidas, empobrecidas, tratadas injustamente, com medos e escrúpulos nas suas relações com Deus, não se limita a falar: consola, cura, liberta, denuncia, ensina, acolhe, devolve a dignidade... cura as almas e os corpos, mostrando como Deus é e como deve atuar quem O queira seguir.

Toma-me pela mão

Deus meu, toma-me pela mão!
Seguir-Te-ei de maneira resoluta, sem muita resistência.
Não fugirei a nenhuma das tormentas que caiam sobre mim nesta vida.
Suportarei o choque com o melhor das minhas forças.
Mas dá-me de vez em quando um breve instante de paz.
Não pensarei, na minha inocência, que a paz que descerá sobre mim é eterna.
Aceitarei o desassossego e o combate que virá depois.
Agrada-me manter-me no calor e na segurança,
mas não me oporei quando tiver que enfrentar o frio.
Desde que tu me leves pela mão.
Eu Te seguirei por todo o lado e tentarei não ter medo.
Esteja onde estiver, tentarei irradiar um pouco de amor,
do verdadeiro amor ao próximo que há em mim.

(Etty Hillesum. Diário durante a perseguição nazi).



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