sexta-feira, 1 de março de 2019

“O bem-estar do silêncio e da solidão”. – Reflexão de José Antonio Pagola. Excelente!



"Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto. Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espi­nheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio."   (Lc 6, 43-45)

Abaixo, uma reflexão bem concreta e muito atual, que tem como pano de fundo o texto bíblico Lc 6, 39-45  (as condições para ser um discípulo zeloso). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado na no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).
Vale a pena ler!
WCejnóg

 

IHU - ADITAL

01 Março 2019



O bem estar do silêncio e da solidão



A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Lc 6,39-45 que corresponde ao 8° Domingo de Tempo Comum, ciclo C, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

Nossas vilas e cidades hoje oferecem um clima pouco propício para aqueles que querem procurar um pouco de silêncio e paz para encontrar-se consigo mesmo e com Deus. Não é fácil libertar-nos do barulho permanente e do assédio constante de todo o tipo de chamadas e mensagens. Por outro lado, as preocupações, os problemas e as pressas de cada dia nos levam de um lado para outro, sem nos permitirmos ser donos de nós mesmos.

Nem sequer no nosso próprio lar, invadido pela televisão e cenário de múltiplas tensões, é fácil encontrar o sossego e o recolhimento indispensáveis para nos encontrarmos conosco mesmo ou para descansarmos alegremente diante de Deus.

Pois bem, precisamente, nestes momentos em que necessitamos mais do que nunca de lugares de silêncio, recolhimento e orações, nós crentes, mantemos frequentemente os nossos templos e igrejas fechados uma boa parte do dia.

Esquecemos o que é pararmos, interromper por uns minutos a nossa pressa, libertar-nos por alguns instantes das nossas tensões e deixar-nos penetrar pelo silêncio e a calma de um lugar sagrado. Muitos homens e mulheres ficariam surpreendidos ao descobrir que, com frequência, basta parar e ficar em silêncio por algum tempo, para acalmar o espírito e recuperar a lucidez e a paz.

Quanto precisamos, os homens e mulheres de hoje, encontrar esse silêncio que nos ajude a entrar em contato com nós mesmos para recuperar a nossa liberdade e resgatar de novo toda a nossa energia interior.

Acostumados ao barulho e à agitação, não suspeitamos do bem-estar do silêncio e da solidão. Ávidos por notícias, imagens e impressões, esquecemo-nos de que só nos alimenta e enriquece verdadeiramente aquilo que somos capazes de ouvir no mais profundo do nosso ser.

Sem esse silêncio interior, não se pode escutar Deus, reconhecer a sua presença na nossa vida e crescer a partir de dentro como seres humanos e como crentes. De acordo com Jesus, a pessoa «retira o bem a partir da bondade que está no seu coração». O bem não brota de nós espontaneamente. Temos que o cultivar e fazer crescer no fundo do coração. Muitas pessoas começariam a transformar as suas vidas se pudessem parar para escutar todo o bem que Deus desperta no silêncio dos seus corações.

Fonte: IHU - Comentário do Evangelho


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