sábado, 24 de janeiro de 2026

“Perdidos na crise religiosa”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. (Mt 4,17)

 

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 4,12-23 (Jesus inicia sua missão). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferirr!

WCejnóg

Por José António Pagola

22 de janeiro de 2026

PERDIDOS NA CRISE RELIGIOSA

Vivemos tempos de crise religiosa. Parece que a fé está a ser sufocada na consciência de muitos, reprimida pela cultura moderna e pelo estilo de vida do homem contemporâneo. Mas, ao mesmo tempo, é fácil observar que a busca de sentido, o anseio por uma vida diferente, a necessidade de um Deus que seja Amigo, está novamente a despertar em muitos.

É certo que se espalhou entre nós um ceticismo generalizado em relação aos grandes projetos e às grandes declarações. Os discursos religiosos que oferecem "salvação" ou "redenção" já não ressoam. A própria esperança de que a Boa Nova para a humanidade possa realmente ser ouvida algures diminuiu, quase desapareceu.

Ao mesmo tempo, a sensação de que nos perdemos está a crescer entre muitos. Algo está a afundar-se sob os nossos pés. Estamos a ficar sem objetivos e pontos de referência. Percebemos que podemos resolver "problemas", mas que somos cada vez menos capazes de resolver "o problema" da vida. Não precisamos de salvação mais do que nunca?

Vivemos também em tempos de "fragmentação". A vida tornou-se atomizada. Cada um vive no seu próprio pequeno canto. O humanismo que procurava a verdade e um sentido de plenitude é uma recordação distante. Hoje, não damos ouvidos a quem realmente compreende a vida, mas sim a especialistas que sabem muito sobre uma área, mas nada sabem sobre o significado da existência.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas começam a sentir-se inquietas neste mundo vertiginoso de dados, informações e números. Não podemos evitar as questões eternas da humanidade. De onde viemos? Para onde vamos? Não existe um sentido último para a vida?

Estas são também épocas de pragmatismo científico. O homem moderno decidiu (por razões desconhecidas) que só existe aquilo que a ciência pode provar. Nada mais. O que escapa à ciência simplesmente não existe. Naturalmente, nesta abordagem simplista e anti-científica, Deus não tem lugar, e a fé religiosa é relegada para o mundo ultrapassado dos não progressistas.

Contudo, muitos estão a perceber que esta abordagem é insuficiente, pois não reflete a realidade. A vida não é um "grande conjunto de Meccano", nem a humanidade é meramente "uma peça" de um mundo que pode ser desvendado pela ciência. O mistério está presente em todo o lado: no interior do ser humano, na imensidão do cosmos, na história da humanidade.

Portanto, a suspeita ressurge: não são precisamente as "questões" sobre as quais a ciência se cala que constituem o sentido da vida? Não será um grave erro esquecer a resposta ao mistério da existência? Não é uma tragédia ignorar Deus tão ingenuamente? Entretanto, as palavras de Jesus permanecem: "Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo."

3º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 4,12-23)

25 de janeiro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

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