Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 18 de outubro de 2025

“Quanto tempo isso vai durar? ” – Reflexão do José Antonio Pagola.

“Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: ele lhes fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra? "  (Lc 18,7-8)

Hoje temos uma ótima reflexão, que tem como a base o texto bíblico Lucas 18,1-8 (O juíz injusto e a viúva). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 

Por José Antonio Pagola

15 Outubro 2025

QUANTO TEMPO ISSO VAI DURAR?

A parábola é breve e fácil de entender. Dois personagens que vivem na mesma cidade ocupam a cena. Um "juiz" carece de duas atitudes consideradas básicas em Israel para o ser humano: "Ele não teme a Deus" e "ele não se importa com as pessoas". Ele é um homem surdo à voz de Deus e indiferente ao sofrimento dos oprimidos.

A "viúva" é uma mulher solteira, privada de um marido que a proteja e sem qualquer apoio social. Na tradição bíblica, essas "viúvas" são, juntamente com os órfãos e os estrangeiros, o símbolo das pessoas mais indefesas. Os mais pobres entre os pobres.

As mulheres não podem fazer nada além de seguir em frente, movendo-se repetidamente para reivindicar seus direitos, não dispostas a se resignar aos abusos de seu "adversário". Toda a sua vida se transforma em um grito: "Faça-me justiça".

Por um tempo, o juiz não reage. Ele permanece impassível; não quer atender àquele clamor incessante. Então, reflete e decide agir. Não por compaixão ou justiça. Simplesmente para evitar problemas e impedir que as coisas piorem.

Se um juiz tão mesquinho e egoísta acaba fazendo justiça a esta viúva, Deus, que é um Pai compassivo, atento aos mais indefesos, "não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite?"

A parábola contém, acima de tudo, uma mensagem de confiança. Os pobres não são abandonados à sua sorte. Deus não é surdo aos seus clamores. A esperança é permitida. Sua intervenção final é certa. Mas não está demorando demais?

Daí a pergunta perturbadora do Evangelho. Devemos confiar; devemos invocar Deus incessantemente e sem desânimo; devemos "clamar" a Ele para que faça justiça àqueles a quem ninguém defende. Mas: "Quando o Filho do Homem vier, encontrará esta fé na terra?"

A nossa oração é um clamor a Deus por justiça para os pobres do mundo, ou a substituímos por outra, repleta do nosso próprio egoísmo? A nossa liturgia ecoa o clamor dos que sofrem ou o nosso desejo de um bem-estar cada vez maior e mais seguro?

29º Tempo Comum – C

(Lucas 18,1-8)

19 de outubro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

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