“Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: ele lhes fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra? " (Lc 18,7-8)
Hoje temos uma ótima reflexão, que tem como a base o texto bíblico Lucas 18,1-8 (O juíz injusto e a viúva). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena ler!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
15 Outubro 2025
QUANTO TEMPO ISSO VAI DURAR?
A parábola é breve e fácil de entender. Dois personagens que vivem na mesma cidade ocupam a cena. Um "juiz" carece de duas atitudes consideradas básicas em Israel para o ser humano: "Ele não teme a Deus" e "ele não se importa com as pessoas". Ele é um homem surdo à voz de Deus e indiferente ao sofrimento dos oprimidos.
A "viúva" é uma mulher solteira, privada de um marido que a proteja e sem qualquer apoio social. Na tradição bíblica, essas "viúvas" são, juntamente com os órfãos e os estrangeiros, o símbolo das pessoas mais indefesas. Os mais pobres entre os pobres.
As mulheres não podem fazer nada além de seguir em frente, movendo-se repetidamente para reivindicar seus direitos, não dispostas a se resignar aos abusos de seu "adversário". Toda a sua vida se transforma em um grito: "Faça-me justiça".
Por um tempo, o juiz não reage. Ele permanece impassível; não quer atender àquele clamor incessante. Então, reflete e decide agir. Não por compaixão ou justiça. Simplesmente para evitar problemas e impedir que as coisas piorem.
Se um juiz tão mesquinho e egoísta acaba fazendo justiça a esta viúva, Deus, que é um Pai compassivo, atento aos mais indefesos, "não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite?"
A parábola contém, acima de tudo, uma mensagem de confiança. Os pobres não são abandonados à sua sorte. Deus não é surdo aos seus clamores. A esperança é permitida. Sua intervenção final é certa. Mas não está demorando demais?
Daí a pergunta perturbadora do Evangelho. Devemos confiar; devemos invocar Deus incessantemente e sem desânimo; devemos "clamar" a Ele para que faça justiça àqueles a quem ninguém defende. Mas: "Quando o Filho do Homem vier, encontrará esta fé na terra?"
A nossa oração é um clamor a Deus por justiça para os pobres do mundo, ou a substituímos por outra, repleta do nosso próprio egoísmo? A nossa liturgia ecoa o clamor dos que sofrem ou o nosso desejo de um bem-estar cada vez maior e mais seguro?
29º Tempo Comum – C
(Lucas 18,1-8)
19 de outubro
José Antonio Pagola
buenasnoticias@ppc-editorial.com
Fonte: Facebook




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