Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 31 de janeiro de 2026

“Ouvir atentamente as Bem-Aventuranças”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: Bem-aventurados ...”. Mt 5,1-2)

 

Hoje temos mais uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico Mateus 5,1-12a (Bem-aventuranças). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

28 Janeiro 2026

OUVIR ATENTAMENTE AS BEM-AVENTURANÇAS

Quando Jesus sobe ao monte e se senta para proclamar as Bem-Aventuranças, há uma grande multidão à volta, mas só os discípulos se aproximam d’Ele para ouvirem a sua mensagem com mais atenção. O que ouvimos nós, discípulos de Jesus, hoje se nos aproximarmos d’Ele?

Bem-aventurados os pobres de espírito, os que sabem viver com pouco, confiando sempre em Deus. Bem-aventurada uma Igreja com alma de pobre, porque terá menos problemas, será mais atenta aos necessitados e viverá o Evangelho com maior liberdade. O Reino de Deus pertence-lhe.

Bem-aventurados os mansos, os que vivem com um coração bondoso e compassivo. Bem-aventurada uma Igreja cheia de mansidão. Ela será uma dádiva para este mundo cheio de violência. Ela herdará a terra prometida.

Bem-aventurados os que choram, porque sofrem injustamente dificuldades e marginalização. Com eles, pode ser criado um mundo melhor e mais digno. Bem-aventurada a Igreja que sofre por ser fiel a Jesus. Um dia ela será consolada por Deus.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, aqueles que não perderam o desejo de serem mais justos nem o zelo de construir um mundo mais digno. Bem-aventurada a Igreja que procura com paixão o Reino de Deus e a sua justiça. Nela, florescerá o melhor do espírito humano. Um dia, a sua sede será saciada.

Bem-aventurados os misericordiosos que agem, trabalham e vivem movidos pela compaixão. São eles que, na terra, mais se assemelham ao Pai celeste. Bem-aventurada a Igreja cujo coração de pedra Deus afasta e lhe dá um coração de carne. Ela receberá misericórdia.

Bem-aventurados os pacificadores que, com paciência e fé, procuram o bem de todos. Bem-aventurada a Igreja que traz a paz ao mundo, e não a discórdia; reconciliação, e não conflito. Ela será filha de Deus.

Bem-aventurados os que, perseguidos por causa da justiça, respondem com mansidão à injustiça e às ofensas. Ajudam-nos a vencer o mal com o bem. Bem-aventurada a Igreja perseguida por seguir Jesus. Dela é o reino de Deus.

4º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 5,1-12a)

1 de fevereiro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

sábado, 24 de janeiro de 2026

“Perdidos na crise religiosa”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. (Mt 4,17)

 

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 4,12-23 (Jesus inicia sua missão). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferirr!

WCejnóg

Por José António Pagola

22 de janeiro de 2026

PERDIDOS NA CRISE RELIGIOSA

Vivemos tempos de crise religiosa. Parece que a fé está a ser sufocada na consciência de muitos, reprimida pela cultura moderna e pelo estilo de vida do homem contemporâneo. Mas, ao mesmo tempo, é fácil observar que a busca de sentido, o anseio por uma vida diferente, a necessidade de um Deus que seja Amigo, está novamente a despertar em muitos.

É certo que se espalhou entre nós um ceticismo generalizado em relação aos grandes projetos e às grandes declarações. Os discursos religiosos que oferecem "salvação" ou "redenção" já não ressoam. A própria esperança de que a Boa Nova para a humanidade possa realmente ser ouvida algures diminuiu, quase desapareceu.

Ao mesmo tempo, a sensação de que nos perdemos está a crescer entre muitos. Algo está a afundar-se sob os nossos pés. Estamos a ficar sem objetivos e pontos de referência. Percebemos que podemos resolver "problemas", mas que somos cada vez menos capazes de resolver "o problema" da vida. Não precisamos de salvação mais do que nunca?

Vivemos também em tempos de "fragmentação". A vida tornou-se atomizada. Cada um vive no seu próprio pequeno canto. O humanismo que procurava a verdade e um sentido de plenitude é uma recordação distante. Hoje, não damos ouvidos a quem realmente compreende a vida, mas sim a especialistas que sabem muito sobre uma área, mas nada sabem sobre o significado da existência.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas começam a sentir-se inquietas neste mundo vertiginoso de dados, informações e números. Não podemos evitar as questões eternas da humanidade. De onde viemos? Para onde vamos? Não existe um sentido último para a vida?

Estas são também épocas de pragmatismo científico. O homem moderno decidiu (por razões desconhecidas) que só existe aquilo que a ciência pode provar. Nada mais. O que escapa à ciência simplesmente não existe. Naturalmente, nesta abordagem simplista e anti-científica, Deus não tem lugar, e a fé religiosa é relegada para o mundo ultrapassado dos não progressistas.

Contudo, muitos estão a perceber que esta abordagem é insuficiente, pois não reflete a realidade. A vida não é um "grande conjunto de Meccano", nem a humanidade é meramente "uma peça" de um mundo que pode ser desvendado pela ciência. O mistério está presente em todo o lado: no interior do ser humano, na imensidão do cosmos, na história da humanidade.

Portanto, a suspeita ressurge: não são precisamente as "questões" sobre as quais a ciência se cala que constituem o sentido da vida? Não será um grave erro esquecer a resposta ao mistério da existência? Não é uma tragédia ignorar Deus tão ingenuamente? Entretanto, as palavras de Jesus permanecem: "Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo."

3º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 4,12-23)

25 de janeiro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

sábado, 17 de janeiro de 2026

“Amando a vida”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“E João deu o seguinte testemunho, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo”. (Jo, 29,32-33)

 

Hoje temos mais uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico João 1,29-34 (O testemunho de João Batista). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

14 Janeiro 2026 

AMANDO A VIDA

As pessoas não querem ouvir falar de espiritualidade porque não sabem o que essa palavra abrange; desconhecem que ela significa mais do que religiosidade e que não é sinônimo do que tradicionalmente se entende por piedade. "Espiritualidade" significa viver uma "relação vital" com o Espírito de Deus, e isso só é possível quando Deus é vivenciado como a "fonte da vida" em cada experiência humana.

Como explicou Jürgen Moltmann, viver em contato com o Espírito de Deus "não leva a uma espiritualidade que desconsidera os sentidos, voltada para dentro, hostil ao corpo e distante do mundo, mas sim a uma renovada vitalidade do amor pela vida". Diante do que está morto, petrificado ou insensível, o Espírito sempre desperta o amor pela vida. Portanto, viver "espiritualmente" é "viver contra a morte", afirmar a vida apesar da fraqueza, do medo, da doença ou da culpa. Aqueles que vivem abertos ao Espírito de Deus ressoam com tudo o que nutre a vida e se rebelam contra tudo o que a prejudica e destrói.

Esse amor pela vida gera um tipo diferente de alegria, ensinando-nos a viver de maneira amigável e aberta, em paz com todos, dando vida uns aos outros, acompanhando-nos mutuamente na tarefa de tornar nossas vidas mais dignas e alegres. Jürgen Moltmann ousa chamar essa energia vital que o Espírito infunde em uma pessoa de "energia erótica", pois ela torna a vida alegre, atraente e cativante.

Essa experiência espiritual expande o coração: começamos a sentir que nossas expectativas e anseios mais profundos se misturam com as promessas de Deus; nossa vida finita e limitada se abre para o infinito. Então, descobrimos também que "santificar a vida" não significa moralizá-la, mas vivê-la a partir da perspectiva do Espírito Santo, isto é, vê-la e amá-la como Deus a vê e a ama: boa, digna e bela, aberta à felicidade eterna.

Esta, segundo João Batista, é a grande missão de Cristo: "batizar-nos com o Espírito Santo", ensinar-nos a viver em comunhão com o Espírito. Só isso pode nos libertar de uma maneira triste e limitada de compreender e viver a fé em Deus.

 2º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(João 1:29-34)

18 de janeiro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook