“Vocês não dizem: ‘Daqui a quatro meses haverá a colheita’? Eu lhes digo: Abram os olhos e vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita. Aquele que colhe já recebe o seu salário e colhe fruto para a vida eterna, de forma que se alegram juntos o que semeia e o que colhe”. (Jo 4, 35-36)
Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico João 4,5-42 (A mulher samaritana). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
4 Março 2026
NÃO SABEMOS SABOREAR A FÉ
Talvez uma das maiores desgraças do cristianismo contemporâneo seja a falta de "experiência religiosa". Muitos se dizem cristãos, mas não sabem o que significa desfrutar da sua fé, sentir-se à vontade com Deus e viver saboreando a sua adesão a Jesus. Como alguém pode ser crente sem nunca experimentar o amor acolhedor de Deus?
O desenvolvimento de uma teologia marcadamente racional e a importância dada no Ocidente à formulação conceitual muitas vezes levaram à compreensão e à vivência da fé como uma "adesão doutrinária" a Jesus Cristo. Muitos cristãos "acreditam em coisas" sobre Jesus, mas não sabem como se comunicar alegremente com Ele.
Algo semelhante às vezes acontece nas celebrações litúrgicas. Os ritos externos são observados corretamente e belas palavras são proferidas, mas tudo parece acontecer "fora" do povo. Eles cantam com os lábios, mas seus corações estão ausentes. Recebemos o Corpo do Senhor, mas não experimentamos uma comunhão viva com Ele.
Tudo isso produz uma sensação estranha. Parece que estamos apenas arranhando a superfície da fé. Na Igreja, não faltam palavras ou sacramentos. Há pregação todos os domingos. A Eucaristia é celebrada. Há também batismos, primeiras comunhões e confirmações. Mas "algo" está faltando, e não é fácil dizer exatamente o quê. Não foi isso que os primeiros crentes experimentaram.
Precisamos de uma nova experiência do Espírito que nos faça viver de dentro para fora e nos ensine a "sentir e saborear as coisas internamente", como disse Inácio de Loyola. Nos falta a capacidade de saborear aquilo em que professamos crer; Para provarmos em nós mesmos a presença silenciosa, mas real, de Deus. Falta-nos espontaneidade com Ele, confiança alegre no Seu amor.
Esta experiência de Deus não é fruto dos nossos esforços e trabalho. Devemos "abrir espaço" para o Espírito nas nossas vidas e corações, nas nossas celebrações e na comunidade cristã. A Igreja dos nossos dias deve também ouvir as palavras de Jesus à mulher samaritana: "Se conhecesses o dom de Deus..." Só quando aberto à ação do Espírito é que o crente descobre aquela água prometida por Jesus, que se torna em nós "uma fonte de água a jorrar para a vida eterna".
3º Domingo da Quaresma – Ano A
(João 4:5-42)
8 de março
José Antonio Pagola
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