Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 12 de setembro de 2026

“Apologia do perdão”. - Reflexão de José Antonio Pagola.

“Então, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: — Senhor, quantas vezes deverei perdoar o meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?   Jesus respondeu: — Eu digo a você que não até sete, mas até setenta vezes sete.”. (Mt 18,21,22)

Hoje temos uma excelnte reflexão que tem como a base o texto bíblico Mateus 18,21-35 (O perdão que liberta o coração). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir! 

WCejnóg 

Por José Antonio Pagola

9 Setembro 2026

APLOGIA DO PERDÃO

Quase todas as vezes que escrevi sobre o perdão, recebi cartas, geralmente anônimas, acusando-me de esquecer o sofrimento das vítimas do terrorismo, de não compreender a humilhação de alguém traído pelo cônjuge, de não ser assim simples ou banal e coisas semelhantes.

Não me é difícil compreender esta resistência ao perdão. Como poderia eu não sentir a raiva, a impotência e a dor de alguém que foi vítima de violência, desprezo ou traição? Mas precisamente o ressentimento e a agressão que percebo por detrás destas linhas fazem-me ver com mais clareza o que aconteceria a um mundo em que o perdão fosse suprimido.

Existe um mecanismo de defesa bem conhecido pelos psicólogos. Em virtude de um "mimetismo misterioso", alguém que foi vítima de agressão tende, por sua vez, a imitar o seu agressor de alguma forma. Esta é uma reação quase instintiva que surge no inconsciente individual ou coletivo e pode até ser transmitida de geração em geração.

Se, em algum momento, não ocorrer uma reação contrária, o dano tende a perpetuar-se. Quando a vítima não quer ou não consegue perdoar, permanece uma "ferida mal cicatrizada", causando dor e ligando-a negativamente ao passado. Da mesma forma, o ressentimento enraizado numa sociedade torna mais difícil encontrar formas claras de coexistência e pode bloquear qualquer esforço para resolver conflitos.

O desejo de vingança é, sem dúvida, a resposta mais instintiva à ofensa. Uma pessoa precisa de se defender da ferida recebida, mas, como alerta o conceituado especialista Jacques Pohier, quem tenta curar a sua ferida infligindo sofrimento ao agressor está enganado. O sofrimento não tem poder mágico para curar a humilhação ou a agressão sofrida. Pode produzir uma satisfação momentânea, mas a pessoa necessita de algo mais para regressar a uma vida saudável. Henri Lacordaire disse há muito tempo: “Quer ser feliz por um momento? Vingue-se. Quer ser feliz para sempre? Perdoe.”

Por vezes esquecemo-nos que o processo de perdão beneficia mais a parte ofendida, pois liberta-a do mal, aumenta a sua dignidade e nobreza, dá-lhe força para reconstruir a sua vida e permite-lhe iniciar novos projetos. Quando Jesus nos convida a perdoar “setenta vezes sete”, convida-nos a seguir o caminho mais saudável e eficaz para erradicar o mal das nossas vidas. As suas palavras adquirem uma profundidade ainda maior para aqueles que acreditam em Deus como fonte suprema do perdão: “Perdoai, e sereis perdoados”.

24º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 18,21-35)

13 de setembro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

 

Fonte: Facebook

 

sábado, 5 de setembro de 2026

“O que estou fazendo por uma Igreja mais fiel a Jesus?” – Reflexão de José Antonio Pagola.

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. (Mt 18,20)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 18, 15-20 (Correção fraterna). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 Por José Antonio Pagola

3 de setembro de 2026

O QUE ESTOU FAZENDO POR UMA IGREJA MAIS FIEL A JESUS?

“Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles.” A melhor maneira de tornar Cristo presente em sua Igreja é permanecermos unidos, agindo “em seu nome”, movidos pelo seu Espírito. A Igreja precisa não tanto de nossas declarações de amor ou de nossas críticas, mas sim de nosso compromisso real. Há muitas perguntas que podemos nos fazer.

O que estou fazendo para criar um clima de conversão coletiva dentro desta Igreja, que sempre precisa de renovação e transformação? Como seria a Igreja se todos vivessem sua adesão a Cristo mais ou menos como eu? Seria mais ou menos fiel a Jesus?

O que eu contribuo em espírito, verdade e autenticidade para esta Igreja, tão necessitada de radicalismo evangélico, para oferecer um testemunho crível de Jesus em meio a uma sociedade indiferente e incrédula? Como posso contribuir com a minha vida para a construção de uma Igreja mais próxima dos homens e mulheres do nosso tempo, uma Igreja que saiba não só ensinar, pregar e exortar, mas sobretudo acolher, escutar e acompanhar aqueles que estão perdidos, sem conhecer o amor ou a amizade?

O que posso contribuir para a construção de uma Igreja samaritana, com um coração grande e compassivo, capaz de esquecer os seus próprios interesses, para viver centrada nos grandes problemas da humanidade?

O que posso fazer para que a Igreja se liberte dos medos e das amarras que a paralisam e a prendem ao passado, e se deixe penetrar e vivificar pela frescura e criatividade que brotam do Evangelho de Jesus?

O que posso contribuir nestes tempos para que a Igreja aprenda a “viver em minoria”, sem grandes pretensões sociais, mas humildemente, como “fermento” oculto, “sal” transformador, uma pequena “semente” disposta a morrer para dar vida? O que estou fazendo por uma Igreja mais alegre e esperançosa, uma Igreja mais livre e compreensiva, uma Igreja mais transparente e fraterna, uma Igreja mais fiel e credível, uma Igreja mais de Deus e menos do mundo, uma Igreja mais de Jesus e menos dos nossos próprios interesses e ambições? A Igreja muda quando nós mudamos; ela se transforma quando nós nos transformamos.

23º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 18,15-20)

6 de setembro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook 

sábado, 29 de agosto de 2026

“Uma religião vazia de Deus”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)

 

Jesus respondeu: Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. (Mc 7, 6-8)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Marcos 7,1-8, 14-15, 21-23   (O conflito com as tradições humanas). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.  

 O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.  Vale a pena conferirr!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

26 de agosto de 2026

UMA RELIGIÃO VAZIA DE DEUS

Os cristãos da primeira e segunda geração se lembravam de Jesus não tanto como um homem religioso, mas como um profeta que denunciava corajosamente os perigos e as armadilhas de toda religião. Seu foco não era a observância piedosa acima de tudo, mas a busca apaixonada pela vontade de Deus.

Marcos, o Evangelho mais antigo e mais direto, apresenta Jesus em conflito com os setores mais devotos da sociedade judaica. Entre suas críticas mais radicais, duas se destacam: o escândalo de uma religião vazia de Deus e o pecado de substituir a vontade de Deus por "tradições humanas" que servem a outros interesses.

Jesus cita o profeta Isaías: "Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Sua adoração é vã; seus ensinamentos não passam de regras de homens." Então, ele denuncia claramente onde está a armadilha: "Vocês rejeitam o mandamento de Deus para se apegarem às tradições dos homens."

Este é o grande pecado. Uma vez estabelecidas as nossas regras e tradições, colocamo-las no lugar que só Deus deveria ocupar. Colocamo-las acima até mesmo da Sua vontade: nenhuma prescrição, por menor que seja, pode ser ignorada, mesmo que vá contra o amor e prejudique as pessoas.

Nessa religião, o que importa não é Deus, mas outros tipos de interesses. Deus é honrado com os lábios, mas o coração está longe d'Ele; um credo obrigatório é recitado, mas só se acredita no que é conveniente; rituais são realizados, mas não há obediência a Deus, apenas aos homens.

Pouco a pouco nos esquecemos de Deus, e depois nos esquecemos de que o esquecemos. Diminuímos o Evangelho para não termos que converter muita gente. Orientamos a vontade de Deus para o que nos interessa e nos esquecemos da Sua exigência absoluta de amor.

Este pode ser o nosso pecado hoje. Apegando-nos instintivamente a uma religião desgastada, impotentes para transformar as nossas vidas. Continuando a honrar a Deus apenas com os lábios. Resistindo à conversão e vivendo alheios ao projeto de Jesus: construir um novo mundo segundo o coração de Deus.

22º Domingo do Tempo Comum – Ano B

(Marcos 7,1-8, 14-15, 21-23)

1º de setembro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook