“E contou-lhes outra parábola: "O Reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo. Embora seja a menor entre todas as sementes, quando cresce, torna-se uma das maiores plantas e atinge a altura de uma árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer os seus ninhos em seus ramos".
E contou-lhes ainda outra parábola: "O Reino dos céus é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada". Jesus falou todas estas coisas à multidão por parábolas.” (Mt 13, 31-34a)
Hoje temos uma ótima reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 13,24-43 (Parábolas do Reino). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena conferir!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
16 de julho de 2026
FERMENTO DE UMA VIDA MAIS HUMANA
É surpreendente ver com que frequência Jesus se dirige aos seus discípulos para os advertir contra uma falsa “impaciência messiânica” que não respeita o ritmo da ação discreta, porém vigorosa, de Deus.
Àqueles que esperam que Ele desencadeie um movimento forte e abrangente, capaz de pôr fim a outras correntes e alternativas, Jesus fala de uma ação de Deus mais humilde e respeitosa. O mundo é um campo de sementes opostas. E o reino de Deus cresce ali, na densidade dessa vida, por vezes tão ambígua e complexa.
Ali Deus está salvando a humanidade. Nesses comportamentos coletivos, por vezes impulsionados por grandes ideais e outras vezes por um egoísmo obscuro. Nesses mil gestos que fazemos todos os dias, onde a generosidade se mistura com a mais inconfessável mesquinhez.
Àqueles que esperam o desenrolar de algo espetacular e poderoso, Jesus fala de um reinado de Deus mais simples e discreto. Não se trata de algo que vise desencadear grandes movimentos de massa. O reino de Deus já está em ação, mas como uma minúscula semente de mostarda, quase insignificante, que germina humildemente, ou como um imperceptível grão de fermento que se perde na massa, fermentando-a por dentro.
Não pavimentaremos o caminho para o reino de Deus emitindo excomunhões contra outros grupos, partidos ou ideologias, nem condenando tudo o que não se alinha com o nosso pensamento. Não o estabeleceremos na sociedade reunindo grandes multidões ou conquistando os aplausos passageiros das massas.
O reino de Deus é um "fermento da humanidade" e cresce em cada canto obscuro do mundo onde a humanidade é amada e onde há uma luta por uma humanidade mais digna. Pavimentaremos o caminho para o reino de Deus permitindo que o poder do Evangelho transforme a nossa maneira de viver, amar, trabalhar, desfrutar, lutar e ser.
16º Domingo do Tempo Comum – Ano A
19 de julho
José Antonio Pagola
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