Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 28 de fevereiro de 2026

“Ouvindo Jesus na sociedade atual”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Enquanto ele ainda estava falando, uma nuvem resplandecente os envolveu, e dela saiu uma voz, que dizia: <Este é o meu Filho amado em quem me agrado. Ouçam-no!>". (Mt 17,5)

 

Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 17,1-9 (Transfiguração de Jesus). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

26 Fevereiro 2026

OUVINDO JESUS ​​NA SOCIEDADE ATUAL

Há poucos anos, a religião oferecia à maioria das pessoas critérios para interpretar a vida e princípios para guiá-la com significado e responsabilidade. Hoje, ao contrário, muitas pessoas ignoram Deus para enfrentar sozinhas suas vidas, desejos, medos e expectativas.

Não é uma tarefa fácil. Provavelmente nunca foi tão difícil e problemático para os indivíduos parar para pensar, refletir e tomar decisões sobre si mesmos e sobre o que é importante em suas vidas. Vivemos imersos em uma "cultura da irrelevância", que prende as pessoas ao "aqui" e ao "agora", fazendo-as viver apenas para o imediato, sem qualquer abertura para o mistério último da vida. Movemo-nos dentro de uma "cultura do entretenimento" que distancia as pessoas de si mesmas e as faz viver alheias às grandes questões que carregam em seus corações.

O homem moderno aprendeu muitas coisas, está informado sobre tudo o que acontece no mundo ao seu redor, mas não conhece o caminho para o autoconhecimento e o caminho para construir sua liberdade. Muitos concordariam com a descrição sombria oferecida há alguns anos pelo diretor de La Croix, G. Hourdin: “O homem está se tornando incapaz de amar, de ser livre, de julgar por si mesmo, de mudar seu modo de vida. Ele está se tornando o robô disciplinado que trabalha para ganhar dinheiro, que depois desfrutará em férias coletivas. Ele lê revistas de moda, assiste aos programas de televisão que todos os outros assistem. Dessa forma, ele aprende o que é, o que quer e como deve pensar e viver.”

Mais do que nunca, precisamos atender ao chamado do Evangelho: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ouçam-no.” Precisamos parar, silenciar e ouvir com mais atenção a Deus revelado em Jesus. Essa escuta interior nos ajuda a viver na verdade, a saborear a vida em sua essência, a não desperdiçá-la de forma alguma, a não passar superficialmente pelo essencial. Escutando Deus encarnado em Jesus, descobrimos nossa pequenez e pobreza, mas também nossa grandeza como seres infinitamente amados por Ele.

Cada pessoa é livre para viver escutando a Deus ou virando-Lhe as costas. Mas, em todo caso, há algo que todos devemos lembrar, mesmo que pareça escandaloso e contrário à cultura dominante: viver sem um propósito último é viver "insensatamente"; agir sem escutar a voz interior da consciência é ser "inconsciente".

2º Domingo da Quaresma – Ano A

(Mateus 17,1-9)

1º de março

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com 

Fonte: Facebook

sábado, 21 de fevereiro de 2026

“Fiel a Jesus no meio das tentações”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

“Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”.  (Mt 4,10)

Hoje temos uma boa reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 4, 1-11 (Jesus é tentado no deserto). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir!

WCejnóg

18 Fevereiro 2026

Por José Antonio Pagola

FIEL A JESUS ​​NO MEIO DAS TENTAÇÕES

A primeira geração de cristãos interessou-se muito cedo pelas "tentações" de Jesus. Não queriam esquecer os conflitos e as lutas que ele teve de superar para se manter fiel a Deus. Isto ajudou-os a não se desviarem da sua única missão: construir um mundo mais humano seguindo os passos de Jesus.

A história é impactante. No "deserto", podemos ouvir a voz de Deus, mas também podemos sentir a força das trevas que nos afastam d’Ele. O "diabo" tenta Jesus usando a Palavra de Deus e baseando-se em salmos recitados em Israel: mesmo dentro da religião, a tentação de nos afastarmos de Deus pode estar escondida. 

Na primeira tentação, Jesus resiste a usar Deus para "transformar" pedras em pão. A primeira coisa de que uma pessoa precisa é de comer, mas "nem só de pão viverá o homem". A ânsia humana não se sacia apenas alimentando o corpo. Ela precisa de muito mais.

Precisamente para libertar aqueles que não têm pão da miséria, da fome e da morte, devemos despertar uma fome de justiça e de amor no mundo desumanizado dos complacentes.

Na segunda tentação, o diabo sugere, do alto do templo, que Jesus procure a segurança em Deus. Poderá viver em paz, "sustentado pelas Suas mãos", e caminhar sem tropeçar ou correr qualquer tipo de risco. Jesus responde: "Não ponhas à prova o Senhor teu Deus".

É diabólico organizar a religião como um sistema de crenças e práticas que oferecem segurança. Um mundo mais humano não se constrói com cada pessoa a refugiar-se na sua própria religião. Por vezes é necessário assumir compromissos arriscados, confiando em Deus como Jesus fez.

A cena final é de cortar a respiração. Jesus contempla o mundo do alto de uma montanha. Aos seus pés jazem "todos os reinos", com os seus conflitos, guerras e injustiças. Aí, deseja estabelecer o reino da paz e da justiça de Deus. O diabo, por outro lado, oferece-lhe poder e glória se o adorar.

A reação de Jesus é imediata: "Adorarás o Senhor teu Deus". O mundo não se torna humano pela força do poder. Não é possível impor o poder sobre os outros sem servir o diabo. Aqueles que seguem Jesus em busca de poder e glória vivem "de joelhos" diante do diabo. Não adoram o verdadeiro Deus.

1º Domingo da Quaresma – Ano A

(Mateus 4,1-11)

22 de fevereiro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

 

Fonte: Facebook

 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

“A importância social do perdão”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

"Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus". (Mt 5,20)

 

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico Mateus 5,17-37 (A lei do amor). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Muito bom!

WCejnóg

 Por José Antonio Pagola

11 Fevereiro 2026

A IMPORTÂNCIA SOCIAL DO PERDÃO

Uma das tarefas mais urgentes da Igreja hoje e sempre é garantir que a fé chegue às pessoas como "boa nova".

Não é fácil ouvir o chamado de Jesus ao perdão ou compreender todas as implicações de aceitar que uma pessoa é mais humana quando perdoa do que quando busca vingança.

Sem dúvida, é essencial compreender bem o pensamento de Jesus. Perdoar não significa ignorar as injustiças cometidas, nem aceitá-las passivamente ou indiferentemente. Pelo contrário, perdoar é precisamente destruir, de alguma forma, a espiral do mal e ajudar a outra pessoa a se reabilitar e agir de forma diferente no futuro. Na dinâmica do perdão, há um esforço para vencer o mal com o bem. O perdão é um gesto que muda qualitativamente as relações entre as pessoas e busca restabelecer a convivência futura de uma nova maneira. Portanto, o perdão não deve ser apenas uma exigência individual, mas deve ter uma dimensão social.

A sociedade não deve abandonar ninguém, nem mesmo os culpados. Toda pessoa tem o direito de ser amada. Não podemos aceitar que a repressão penal simplesmente "retribua o mal com o mal" aos presos, mergulhando-os ainda mais em seus crimes, degradando suas vidas e impedindo sua verdadeira reabilitação.

O grande jurista G. Radbruch compreendeu que a punição como imposição do mal com o mal deve gradualmente desaparecer e se tornar, na medida do possível, "um incentivo para retribuir o mal com o bem, a única maneira pela qual a justiça pode ser exercida na Terra sem piorar a situação, mas transformando-a em um mundo melhor".

Não há justificativa alguma para agir de maneira humilhante ou injusta com qualquer prisioneiro, seja um criminoso comum ou um prisioneiro político. Jamais caminharemos rumo a uma sociedade mais humana se não abandonarmos atitudes de retaliação, ódio e vingança.

Por isso, também é um erro incitar as pessoas à vingança. O clamor de "o povo não perdoará" é, infelizmente, compreensível, mas não é a maneira correta de ensiná-los a construir um futuro mais humano.

A rejeição do perdão é um clamor que, como crentes, jamais podemos endossar, porque, em última análise, é uma rejeição da fraternidade desejada por Aquele que nos perdoa a todos.

6º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 5,17-37)

15 de fevereiro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook