“Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso?' (Mt 20,15)
Hoje temos mais uma boa reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 20, 1-16 (Parábola do ´dono da vinha´). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
17 de setembro de 2026
CONFIANÇA NA BONDADE DE DEUS
Estou cada vez mais convencido de que muitos que se autodenominam ateus são homens e mulheres que, ao rejeitarem Deus, estão na verdade rejeitando um "ídolo mental" que criaram na infância. A ideia de Deus que carregam dentro de si, com a qual conviveram por alguns anos, tornou-se pequena demais. Em certo ponto, esse Deus pareceu tão estranho, desconfortável e incômodo que o descartaram.
Não tenho dificuldade em entender essas pessoas. Em conversas com algumas delas, lembrei-me mais de uma vez das palavras perspicazes do Patriarca Máximo IV durante o Concílio: "Eu também não acredito no deus em que os ateus não acreditam". Na realidade, o deus que alguns removeram de suas vidas é uma caricatura que formaram falsamente. Se esvaziaram suas almas desse "deus falso", não será para abrir espaço, um dia, para o Deus verdadeiro?
Mas como uma pessoa pode encontrar Deus hoje? Se eles se aproximarem daqueles de nós que nos dizem crentes, provavelmente nos encontrarão orando, não ao verdadeiro Deus, mas a um ídolo insignificante no qual projetamos nossos interesses, medos e obsessões. Um Deus que tentamos apropriar e usar para nosso próprio benefício, esquecendo Sua imensa e incompreensível bondade para com todos.
Jesus
destrói todas as nossas noções preconcebidas quando, na parábola do "dono
da vinha", nos apresenta este Deus que "dá a cada um o seu
denário", mereçam ou não, e diz àqueles que reclamam: "Vocês estão
com inveja porque eu sou generoso?"
Deus é bom para todos, mereçam ou não, sejam crentes ou ateus. Sua misteriosa bondade transcende a fé dos crentes e a descrença dos ateus.
O que devemos fazer é esquecer nossas noções preconcebidas, encontrar o silêncio dentro de nós mesmos, ouvir atentamente a vida que pulsa em nosso interior... e esperar, confiar e abrir nosso ser. Deus não permanece oculto indefinidamente daqueles que o buscam com um coração sincero.
25º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Mateus 20,1-16)
20 de setembro
José Antonio Pagola
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