“Jesus respondeu: — "Ame ao Senhor, o seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu entendimento". Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: "Ame ao seu próximo como a você mesmo". Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. (Mt 22,37-40)
Hoje temos mais uma boa reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 22, 34-40 (Dois grandes mandamentos). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
21 de outubro de 2026
O AMOR É TUDO
Os judeus chegaram a contabilizar seiscentos e treze mandamentos que deviam ser observados para cumprir integralmente a Lei. Por isso, não era incomum, nos círculos rabínicos, surgirem perguntas como a que fazem a Jesus, numa tentativa de buscar o essencial: qual é o primeiro de todos os mandamentos?
Jesus responde de maneira clara e precisa: «O primeiro é: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu ser”. O segundo é este: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Não há mandamento maior do que estes». Como ouvir, hoje, estas palavras fundamentais de Jesus?
Há algo que se nos revela com toda a clareza: o amor é tudo. O que nos é pedido na vida é amar. Aí está a chave. Podemos, depois, extrair todo tipo de consequências e desdobramentos, mas o essencial é viver diante de Deus e dos outros numa atitude de amor. Se pudéssemos agir sempre assim, tudo estaria salvo. Não há nada mais importante do que isso, nem mesmo a prática de uma determinada religião.
Mas por que o amor é a força que dá sentido, verdade e plenitude à vida? Essa centralidade do amor fundamenta-se, segundo a fé cristã, numa realidade: Deus, a origem de toda a vida, é, Ele mesmo, amor. Essa é a definição ousada e insuperável da fé cristã: «Deus é amor» (1 João 4,8). De certo modo — ainda que a expressão seja limitada —, Deus consiste em amar; Deus não sabe, não quer e não pode fazer outra coisa senão amar. Podemos duvidar de tudo, mas daquilo que nunca devemos duvidar é do Seu amor.
É precisamente por isso que amar a Deus significa encontrar o nosso próprio bem. O que dá verdadeira glória a Deus não é o nosso mal, mas a nossa vida e plenitude. Quem ama a Deus e sabe-se amado por Ele com amor infinito aprende a olhar para si mesmo, a valorizar-se e a cuidar de si com verdadeiro amor. Quanta força e dinamismo essa maneira peculiar de nos compreendermos gera em nós! Quantos medos e angústias se dissipam dentro de nós! Como a vida se torna diferente quando a pessoa aprende a dizer: «Senhor, faça-se a Tua vontade, pois assim vai se construindo também o meu próprio bem».
Por outro lado, é então que se compreende, em sua verdadeira profundidade, o segundo mandamento: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo». Quem ama a Deus sabe que não pode viver em uma atitude de indiferença, descaso ou esquecimento em relação aos outros. A única postura humana diante de qualquer pessoa que encontremos na vida é amá-la.
Isso não significa que a intimidade com a esposa, a relação com um cliente ou o encontro casual com alguém na rua devam ser vividos da mesma maneira. O que se nos pede é agir, em cada situação, buscando positivamente o bem que desejamos para nós mesmos. Em tempos em que tudo parece ser questionado, é bom lembrar que existe algo inquestionável: o ser humano é verdadeiramente humano quando sabe viver amando a Deus e ao seu próximo.
30º Domingo do Tempo Comum – Ano A
25 de outubro
José Antonio Pagola
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