Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 27 de junho de 2026

“Aprendendo a doar”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa”. (Mt 10,42)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 10,37-42 (Custo e a recompensa de ser discípulo de Jesus). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 

Por José António Pagola 

18 de junho de 2026

APRENDENDO A DOAR

Por vezes não é assim tão fácil responder até às perguntas mais simples. Muitas vezes ouvimos dizer que amar é dar. Mas o que é dar? Muitos presumem que dar é simplesmente privar-se de algo, abdicar de algo, "sacrificar-se" ao desapegar-se de algo. Estamos tão condicionados pela nossa sociedade assistencialista e tão inclinados a possuir, acumular e ganhar, que "dar" nos parece improdutivo. Um empobrecimento que não estamos dispostos a aceitar. Na nossa sociedade, alguém que dá sem receber é considerado impraticável, irrealista e pouco inteligente.

No entanto, dar é algo completamente diferente. O ato de dar é a expressão mais rica de vitalidade, riqueza e poder criativo. Quando damos realmente algo, experimentamo-nos como pessoas cheias de vida, transbordantes, com a capacidade de enriquecer os outros, mesmo que de uma forma muito modesta. "Só o amor torna a vida digna de ser vivida". “Só ajudar os outros traz a verdadeira alegria de viver” (Karl Tillmann).

Dar significa estar vivo e ser rico. Quem tem muito e não sabe dar não é rico. É um homem pequeno, impotente e pobre, por mais que possua. Na realidade, só é rico quem é capaz de dar algo de si aos outros.

Todos precisamos de ouvir com mais atenção e profundidade as palavras de Jesus. Nem mesmo o copo de água fresca que damos a um pobre sedento ficará sem recompensa. Devemos aprender a dar o que está vivo dentro de nós e que pode fazer bem aos outros; a dar a nossa alegria, compreensão, encorajamento, esperança, acolhimento ou proximidade.

Muitas vezes, não se trata de coisas grandiosas ou espetaculares. Simplesmente, “um copo de água fresca”: um sorriso acolhedor, uma escuta atenta, uma ajuda para levantar o ânimo de alguém abatido, um gesto de solidariedade, uma visita, um sinal de apoio e amizade. Não nos esqueçamos disso. No âmago da vida, existe alguém que abençoa, acolhe e recompensa cada ato de amor, por mais pequeno que possa parecer. O seu nome é Deus, nosso Pai.

13º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 10,37-42)

28 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

sábado, 20 de junho de 2026

“Libertando as nossas comunidades do medo”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)

“Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos”.  (Mt 10,31)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 10:26-33 (Jesus encoraja seus discípulos a não temerem a perseguição, proclamando a verdade com ousadia). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 

Por José Antonio Pagola

18 de junho de 2026

LIBERTANDO AS NOSSAS COMUNIDADES DO MEDO

As fontes cristãs apresentam Jesus como alguém dedicado a libertar as pessoas do medo. Entristecia-se ao ver pessoas aterrorizadas pelo poder de Roma, intimidadas pelas ameaças dos mestres da lei, afastadas de Deus pelo medo da sua ira e culpadas pela sua falta de fidelidade à lei. Do seu coração, repleto de Deus, apenas um desejo podia brotar: “Não tenhais medo”. Estas são palavras de Jesus que se repetem inúmeras vezes nos Evangelhos. São as palavras que deveriam ser repetidas com mais frequência na sua Igreja também hoje.

O medo apodera-se de nós quando a desconfiança, a insegurança ou a falta de liberdade interior crescem no nosso coração. Este medo é o problema central da humanidade, e só nos podemos libertar dele enraizando as nossas vidas num Deus que procura apenas o nosso bem.

Era assim que Jesus via as coisas. Por isso, dedicou-se, antes de mais, a despertar a confiança no coração das pessoas. A sua fé profunda e simples era contagiante: se Deus se preocupa com tanta ternura com os pardais do campo, os mais pequenos pássaros da Galileia, quanto mais se preocupará com você? Para Deus, você é mais importante e mais querido do que todas as aves do céu. Um cristão da primeira geração captou bem a sua mensagem: “Lançai sobre Deus toda a vossa ansiedade, pois Ele interessa-se pelo vosso bem”.

Com que força Jesus falava a cada doente: “Tende fé. Deus não se esqueceu de vós”. Com que alegria os despedia ao vê-los curados: “Ide em paz. Vivei bem”. Era o seu grande desejo: que as pessoas vivessem em paz, sem medo nem ansiedade: “Não se julguem, não se condenem, não se prejudiquem. Vivam em amizade”.

Há muitos medos que fazem as pessoas sofrer em segredo. O medo dói, dói muito. Onde o medo cresce, Deus perde-se de vista e a bondade no coração das pessoas é sufocada. A vida esvai-se, a alegria desaparece. Uma comunidade de seguidores de Jesus deve ser, acima de tudo, um lugar onde as pessoas se libertam dos seus medos e aprendem a viver confiando em Deus. Uma comunidade onde se sente uma paz contagiante e se experimenta uma amizade profunda, sendo possível ouvir hoje o chamamento de Jesus: "Não tenhais medo".

12º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 10:26-33)

21 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

sábado, 13 de junho de 2026

“Programa libertador”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor.” (Mt 9,36)

 

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico

Mateus 9,36-10,8 (A verdadeira missão dos discípulos de Jesus no meio da sociedade). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

Por José António Pagola

14 de junho de 2026

PROGRAMA LIBERTADOR

Muitos cristãos acreditam que vivem a sua fé de forma responsável porque se esforçam por cumprir determinadas práticas religiosas e tentam alinhar o seu comportamento com as leis morais e as normas eclesiásticas.

Da mesma forma, muitas comunidades cristãs acreditam que cumprem fielmente a sua missão porque se empenham em oferecer serviços de catequese e formação na fé e procuram celebrar o culto cristão com dignidade.

Será que era só isto que Jesus queria pôr em marcha quando enviou os seus discípulos ao mundo? Será esta a vida que ele quis incutir no coração da história?

Precisamos de ouvir novamente as palavras de Jesus para redescobrir a verdadeira missão dos crentes no meio desta sociedade. O evangelista Mateus regista o seu mandamento assim: “Ide e pregai que o reino dos céus está próximo. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. De graça recebestes, de graça dai.”

A nossa primeira tarefa hoje é também proclamar que Deus está perto de nós, empenhado em preservar a felicidade da humanidade. Mas esta proclamação de um Deus salvador não se faz apenas através de discursos e palavras evocativas. Não se garante apenas através do catecismo ou da educação religiosa. Jesus recorda-nos como proclamar Deus: trabalhando desinteressadamente para dar vida nova às pessoas.

“Curar os doentes”, isto é, libertar as pessoas de tudo o que lhes rouba a vida e lhes causa sofrimento. Curar a alma e o corpo daqueles que se sentem destruídos pela dor e angustiados pela dureza impiedosa do quotidiano.

“Ressuscitar os mortos”, isto é, libertar as pessoas daquilo que bloqueia as suas vidas e mata a sua esperança. Despertar de novo o amor à vida, a confiança em Deus, a vontade de lutar e o desejo de liberdade em tantos homens e mulheres em quem a vida está a morrer lentamente.

“Purificar os leprosos”, isto é, purificar esta sociedade de tanta falsidade, hipocrisia e convencionalismo. Ajudar as pessoas a viver com mais verdade, simplicidade e honestidade.

“Expulsar os demônios” significa libertar as pessoas dos muitos ídolos que nos escravizam, nos possuem e pervertem as nossas relações. Onde quer que as pessoas sejam libertadas, aí Deus está a ser proclamado. 

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 9,36–10:8)

14 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook