Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 22 de agosto de 2026

“Uma pergunta decisiva”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 “Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou?”. (Mt 16,15)

Hoje temos uma boa reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 16, 13-20 (A confissão de Pedro). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 Por José Antonio Pagola

19 agosto 2026

UMA PERGUNTA DECISIVA

“Mas e vocês? Quem dizem que eu sou?” Esta pergunta de Jesus não se dirige apenas aos seus primeiros seguidores. É a pergunta fundamental que nós, que professamos ser cristãos, devemos sempre responder.

Nossa primeira reação pode ser buscar rapidamente uma resposta doutrinária e confessar rotineiramente que Jesus é o “Filho de Deus encarnado”, o “Redentor” do mundo, o “Salvador” da humanidade. Esses são títulos muito solenes e ortodoxos, sem dúvida, mas podem ser proferidos sem qualquer significado real.

A pergunta de Jesus não pede simplesmente nossa opinião. Ela nos desafia, sobretudo, quanto à nossa atitude para com ele. E isso se reflete não apenas em nossas palavras, mas principalmente em nossas ações concretas de segui-lo. Como escreveu um teólogo: “A breve declaração ‘Creio que Jesus é o Filho de Deus’ significa algo completamente diferente quando proferida por Francisco de Assis ou por um dos ditadores sul-americanos da atualidade. O Deus desses homens não é o mesmo, ou pelo menos não o Deus que cada um invoca para guiar sua conduta.”

As palavras de Jesus exigem uma escolha radical. Ou Jesus é para nós apenas mais uma figura, entre tantas outras na história, ou Ele é a Pessoa decisiva que nos proporciona a compreensão última da existência, dá direção decisiva às nossas vidas e nos oferece esperança definitiva.

A pergunta “Quem vocês dizem que eu sou?” assume, então, um novo significado. Não se trata mais de uma pergunta sobre Jesus, mas sobre nós mesmos. Quem sou eu? Em quem eu creio? De que perspectiva oriento minha vida? O que significa a minha fé?

Devemos sempre nos lembrar de que a fé não se resume às fórmulas que pronunciamos. Para melhor compreender o alcance do "que eu creio", é necessário examinar como vivo, a que aspiro e a que me comprometo.

Portanto, a pergunta de Jesus, mais do que um exame da nossa ortodoxia, deve ser um chamado a um estilo de vida cristão. Claramente, não se trata de dizer ou crer em qualquer coisa sobre Cristo. Mas também não se trata de fazer profissões solenes de fé ortodoxa apenas para depois viver muito distante do espírito que essa própria proclamação de fé exige e implica. 

21º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 16,13-20)

23 de agosto

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

sábado, 15 de agosto de 2026

“O clamor da mulher”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada”. (Mt 15,28)

 

Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 15,21-28 (Jesus e a mulher cananeia). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Não dexe de ler esta excelente reflexão. 

WCejnog

 

Por José Antonio Pagola

12 de agosto de 2026

O CLAMOR DA MULHER

Quando Mateus escreveu seu Evangelho na década de 80, a Igreja se deparou com uma questão séria: o que os seguidores de Jesus deveriam fazer? Deveriam se limitar ao povo judeu ou se abrir também aos gentios?

Jesus só havia agido dentro das fronteiras de Israel. Rapidamente eliminado pelo representante de Roma e pelos líderes do templo, ele não pôde fazer mais nada. No entanto, ao traçarem sua vida, os discípulos se lembraram de duas coisas muito esclarecedoras. Primeiro, Jesus foi capaz de descobrir uma fé maior entre os gentios do que entre seus próprios seguidores. Segundo, Jesus não reservou sua compaixão apenas para os judeus. O Deus da compaixão pertence a todos.

A cena é comovente. Uma mulher vem ao encontro de Jesus. Ela não pertence ao povo escolhido. Ela é gentia. Ela vem do povo cananeu amaldiçoado, que lutou tão ferozmente contra Israel. Ela é uma mulher sozinha e sem nome. Talvez seja mãe solteira, viúva ou tenha sido abandonada por seu próprio povo. Mateus enfatiza apenas a fé dela. Toda a sua vida se resume em um grito que expressa a profundidade de seu infortúnio. Ela vem atrás dos discípulos, "gritando". Ela não se detém no silêncio de Jesus nem na angústia dos discípulos. O infortúnio de sua filha, possuída por "um demônio muito maligno", tornou-se sua própria dor: "Senhor, tem misericórdia de mim!"

Em certo momento, a mulher alcança o grupo, detém Jesus, prostra-se diante dele e, de joelhos, diz: "Senhor, ajuda-me!" Ela não aceita as explicações de Jesus, pois ele está absorto em seu trabalho em Israel. Ela não aceita a exclusão étnica, política, religiosa e de gênero que tantas mulheres enfrentam, sofrendo solidão e marginalização.

É então que Jesus se revela em toda a sua humildade e grandeza: "Mulher, grande é a tua fé! Que seja atendido o teu pedido." A mulher tem razão. Outras explicações são inúteis. A prioridade é aliviar o sofrimento. Seu pedido está em consonância com a vontade de Deus. O que nós, cristãos, estamos fazendo hoje diante dos clamores de tantas mulheres que estão sozinhas, marginalizadas, abusadas e esquecidas pela Igreja? Será que as abandonamos, justificando nossa negligência com as exigências de outras responsabilidades? Jesus não fez isso.

20º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 15,21-28)

16 de agosto

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

sábado, 8 de agosto de 2026

“Aprender a crer no meio da dúvida.” – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo.    (W.Cejnog)

 

“…Então, Pedro saiu do barco, andou sobre as águas e foi em direção a Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: — Senhor, salva-me! Imediatamente, Jesus estendeu a mão, segurou-o e disse: — Homem de pequena fé, por que você duvidou?  (Mt 14,29b-31)

 

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico  Mateus 14,22-33  (Confiar mesmo no meio da tempestade). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.  O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Excelente!

 WCejnóg

Por José Antonio Pagola

5 Agosto 2026

APRENDER A CRER NO MEIO DA DÚVIDA

Não é fácil responder honestamente à pergunta que Jesus faz a Pedro no preciso momento em que o salva da água: "Porque duvidaste?"

Por vezes, as nossas convicções mais profundas desvanecem-se, e os olhos da nossa alma perturbam-se sem que saibamos exatamente porquê. Princípios até então aceites como inabaláveis ​​começam a vacilar. E a tentação de abandonar tudo sem reconstruir nada desperta em nós.

Outras vezes, o mistério de Deus torna-se avassalador. A palavra final sobre a minha vida escapa-me, e é difícil entregar-me ao mistério: a minha razão continua a sua busca insatisfeita de uma luz clara e apodítica que não encontra nem jamais encontrará.

Frequentemente, a superficialidade e a leviandade do nosso quotidiano, juntamente com a adoração secreta de tantos ídolos, mergulham-nos em longas crises de indiferença e ceticismo interior, deixando-nos com a sensação de termos realmente perdido Deus.

Frequentemente, é o nosso próprio pecado que quebra a nossa fé, pois esta declina e enfraquece quando nos afastamos de Deus. Se formos honestos, devemos confessar que existe um enorme abismo entre o crente que professamos ser e o crente que realmente somos. O que devemos fazer quando reconhecemos em nós uma fé que, por vezes, é tão frágil e vacilante?

Em primeiro lugar, não devemos desesperar nem assustar-nos quando descobrimos dúvidas e hesitações dentro de nós. A busca de Deus é quase sempre vivida na insegurança, nas trevas e no risco. Deus é procurado "às cegas". E não nos podemos esquecer que, muitas vezes, "a fé genuína só pode aparecer quando a dúvida é vencida" (Ladislau Boros).

O importante é acolher o mistério de Deus com o coração aberto. A nossa fé depende da verdade da nossa relação com Ele. E não precisamos de esperar que as nossas dúvidas sejam resolvidas para vivermos verdadeiramente diante desse Pai.

Por isso, é importante saber clamar como Pedro: "Senhor, salva-me". Saber elevar as nossas mãos vazias a Deus, não apenas como um gesto de súplica, mas também como uma entrega confiante de quem se reconhece pequeno, ignorante e necessitado de salvação. Não nos esqueçamos que a fé é "andar sobre as águas", mas com a possibilidade de encontrarmos sempre aquela mão que nos salva quando começamos a afundar.

19º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 14,22-33)

9 de agosto

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

 Fonte: Facebook