“Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem". (Jo 10,9)
A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico João 10,1-10 (Cristo: uma porta grande e aberta). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena conferir!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
22 de abril de 2026
ENCONTRANDO A PORTA CERTA
O Evangelho de João apresenta Jesus com imagens originais e belas. Ele quer que seus leitores descubram que somente ele pode responder plenamente às necessidades mais fundamentais da humanidade. Jesus é “o pão da vida”: quem se alimenta dele não terá fome. Ele é “a luz do mundo”: quem o segue não andará em trevas. Ele é “o bom pastor”: quem ouve a sua voz encontrará a vida.
Entre essas imagens, há uma, humilde e quase esquecida, que, no entanto, contém um significado profundo. “Eu sou a porta”. Esse é Jesus. Uma porta aberta. Quem o segue cruza um limiar que leva a um novo mundo: uma nova maneira de entender e viver a vida.
O evangelista diz algo mais. Quem entra por meio de Jesus “poderá entrar e sair”. Tem liberdade de movimento. Entra num espaço onde pode ser livre, pois é guiado apenas pelo Espírito de Jesus. Não é a terra da anarquia ou da devassidão. “Entra e sai”, passando sempre por aquela “porta” que é Jesus, e segue os seus passos.
O evangelista acrescenta ainda outro detalhe: quem entra por aquela porta que é Jesus “encontrará pastagens”, não passará fome nem sede. Encontrará alimento sólido e abundante para viver.
Cristo é a “porta” pela qual nós, cristãos, também devemos entrar hoje se quisermos reacender a nossa identidade. Um cristianismo composto por pessoas batizadas que se relacionam com um Jesus mal compreendido, vagamente lembrado, afirmado apenas ocasionalmente de forma abstrata, um Jesus silencioso que nada diz de especial ao mundo de hoje, um Jesus que não toca os corações… é um cristianismo sem futuro.
Só Cristo pode nos conduzir a um novo nível de vida cristã, mais bem fundamentada, motivada e nutrida pelo Evangelho. Cada um de nós pode contribuir para garantir que, na Igreja dos próximos anos, Jesus seja sentido e vivido com mais vivacidade e paixão. Podemos tornar a Igreja mais semelhante a Jesus.
4º Domingo da Páscoa - Ano A
(João 10,1-10)
26 de abril de 2026
José Antonio Pagola
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