Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 7 de março de 2026

“Não sabemos soborear a fé”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

“Vocês não dizem: ‘Daqui a quatro meses haverá a colheita’? Eu lhes digo: Abram os olhos e vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita. Aquele que colhe já recebe o seu salário e colhe fruto para a vida eterna, de forma que se alegram juntos o que semeia e o que colhe”. (Jo 4, 35-36)

 

Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico João 4,5-42 (A mulher samaritana). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

4 Março 2026

NÃO SABEMOS SABOREAR A FÉ

Talvez uma das maiores desgraças do cristianismo contemporâneo seja a falta de "experiência religiosa". Muitos se dizem cristãos, mas não sabem o que significa desfrutar da sua fé, sentir-se à vontade com Deus e viver saboreando a sua adesão a Jesus. Como alguém pode ser crente sem nunca experimentar o amor acolhedor de Deus?

O desenvolvimento de uma teologia marcadamente racional e a importância dada no Ocidente à formulação conceitual muitas vezes levaram à compreensão e à vivência da fé como uma "adesão doutrinária" a Jesus Cristo. Muitos cristãos "acreditam em coisas" sobre Jesus, mas não sabem como se comunicar alegremente com Ele.

Algo semelhante às vezes acontece nas celebrações litúrgicas. Os ritos externos são observados corretamente e belas palavras são proferidas, mas tudo parece acontecer "fora" do povo. Eles cantam com os lábios, mas seus corações estão ausentes. Recebemos o Corpo do Senhor, mas não experimentamos uma comunhão viva com Ele.

 
O que acontece com a leitura da Bíblia também é significativo. Os avanços da exegese moderna nos permitiram compreender a composição dos livros sagrados, os gêneros literários e a estrutura dos Evangelhos como nunca antes. No entanto, não aprendemos a saborear o Evangelho de Jesus.

Tudo isso produz uma sensação estranha. Parece que estamos apenas arranhando a superfície da fé. Na Igreja, não faltam palavras ou sacramentos. Há pregação todos os domingos. A Eucaristia é celebrada. Há também batismos, primeiras comunhões e confirmações. Mas "algo" está faltando, e não é fácil dizer exatamente o quê. Não foi isso que os primeiros crentes experimentaram.

Precisamos de uma nova experiência do Espírito que nos faça viver de dentro para fora e nos ensine a "sentir e saborear as coisas internamente", como disse Inácio de Loyola. Nos falta a capacidade de saborear aquilo em que professamos crer; Para provarmos em nós mesmos a presença silenciosa, mas real, de Deus. Falta-nos espontaneidade com Ele, confiança alegre no Seu amor.

Esta experiência de Deus não é fruto dos nossos esforços e trabalho. Devemos "abrir espaço" para o Espírito nas nossas vidas e corações, nas nossas celebrações e na comunidade cristã. A Igreja dos nossos dias deve também ouvir as palavras de Jesus à mulher samaritana: "Se conhecesses o dom de Deus..." Só quando aberto à ação do Espírito é que o crente descobre aquela água prometida por Jesus, que se torna em nós "uma fonte de água a jorrar para a vida eterna".

3º Domingo da Quaresma – Ano A

(João 4:5-42)

8 de março

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

“Ouvindo Jesus na sociedade atual”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Enquanto ele ainda estava falando, uma nuvem resplandecente os envolveu, e dela saiu uma voz, que dizia: <Este é o meu Filho amado em quem me agrado. Ouçam-no!>". (Mt 17,5)

 

Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 17,1-9 (Transfiguração de Jesus). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

26 Fevereiro 2026

OUVINDO JESUS ​​NA SOCIEDADE ATUAL

Há poucos anos, a religião oferecia à maioria das pessoas critérios para interpretar a vida e princípios para guiá-la com significado e responsabilidade. Hoje, ao contrário, muitas pessoas ignoram Deus para enfrentar sozinhas suas vidas, desejos, medos e expectativas.

Não é uma tarefa fácil. Provavelmente nunca foi tão difícil e problemático para os indivíduos parar para pensar, refletir e tomar decisões sobre si mesmos e sobre o que é importante em suas vidas. Vivemos imersos em uma "cultura da irrelevância", que prende as pessoas ao "aqui" e ao "agora", fazendo-as viver apenas para o imediato, sem qualquer abertura para o mistério último da vida. Movemo-nos dentro de uma "cultura do entretenimento" que distancia as pessoas de si mesmas e as faz viver alheias às grandes questões que carregam em seus corações.

O homem moderno aprendeu muitas coisas, está informado sobre tudo o que acontece no mundo ao seu redor, mas não conhece o caminho para o autoconhecimento e o caminho para construir sua liberdade. Muitos concordariam com a descrição sombria oferecida há alguns anos pelo diretor de La Croix, G. Hourdin: “O homem está se tornando incapaz de amar, de ser livre, de julgar por si mesmo, de mudar seu modo de vida. Ele está se tornando o robô disciplinado que trabalha para ganhar dinheiro, que depois desfrutará em férias coletivas. Ele lê revistas de moda, assiste aos programas de televisão que todos os outros assistem. Dessa forma, ele aprende o que é, o que quer e como deve pensar e viver.”

Mais do que nunca, precisamos atender ao chamado do Evangelho: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ouçam-no.” Precisamos parar, silenciar e ouvir com mais atenção a Deus revelado em Jesus. Essa escuta interior nos ajuda a viver na verdade, a saborear a vida em sua essência, a não desperdiçá-la de forma alguma, a não passar superficialmente pelo essencial. Escutando Deus encarnado em Jesus, descobrimos nossa pequenez e pobreza, mas também nossa grandeza como seres infinitamente amados por Ele.

Cada pessoa é livre para viver escutando a Deus ou virando-Lhe as costas. Mas, em todo caso, há algo que todos devemos lembrar, mesmo que pareça escandaloso e contrário à cultura dominante: viver sem um propósito último é viver "insensatamente"; agir sem escutar a voz interior da consciência é ser "inconsciente".

2º Domingo da Quaresma – Ano A

(Mateus 17,1-9)

1º de março

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com 

Fonte: Facebook