Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 7 de fevereiro de 2026

“Dando sabor à vida” – Reflexão de José Antonio Pagola.

Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.". (Mt5, 13-14)

 

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico Mateus 5, 13-16 (Sal da terra e luz do mundo). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 

Por José Antonio Pagola

5 Fevereiro 2026

DANDO SABOR À VIDA

Uma das tarefas mais urgentes da Igreja hoje e sempre é garantir que a fé chegue às pessoas como "boas novas".

Frequentemente, entendemos a evangelização como uma tarefa quase exclusivamente doutrinal. Evangelizar seria levar a doutrina de Jesus Cristo àqueles que ainda não a conhecem ou a conhecem insuficientemente.

Então, nos preocupamos em garantir a instrução religiosa e a propagação da fé diante de outras ideologias e correntes de opinião. Buscamos homens e mulheres bem formados que conheçam perfeitamente a mensagem cristã e a transmitam corretamente. Procuramos aprimorar nossas técnicas e organização pastoral.

Naturalmente, tudo isso é importante, pois a evangelização envolve proclamar a mensagem de Jesus Cristo. Mas este não é o único nem o aspecto mais decisivo. Evangelizar não significa simplesmente proclamar verbalmente uma doutrina, mas sim tornar presente na vida das pessoas o poder humanizador, libertador e salvador contido no evento e na pessoa de Jesus Cristo. 

Entendida dessa forma, a importância da evangelização não reside em dispor de meios poderosos e eficazes de propaganda religiosa, mas em saber agir com o estilo libertador de Jesus.

O fator decisivo não é ter homens e mulheres doutrinariamente bem formados, mas sim testemunhas vivas do Evangelho. Crentes em cujas vidas se possa ver o poder humanizador e salvador que o Evangelho contém quando abraçado com convicção e responsabilidade.

Nós, cristãos, muitas vezes confundimos evangelização com o desejo de aceitação social do "nosso cristianismo". As palavras de Jesus, que nos chamam a ser "sal da terra" e "luz do mundo", nos obrigam a fazer perguntas muito sérias.

Nós, crentes, somos "boas novas" para alguém? O que se vivencia em nossas comunidades cristãs, o que se observa entre os crentes, é "boa nova" para as pessoas hoje? Nós, cristãos, na sociedade atual, oferecemos algo que dá sentido à vida, algo que purifica, cura e liberta da decadência espiritual e do egoísmo brutal e insensível? Será que vivemos algo que possa iluminar as pessoas nestes tempos incertos, oferecendo esperança e um novo horizonte àqueles que buscam a salvação?

5º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 5:13-16)

8 de fevereiro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte:Facebook

sábado, 31 de janeiro de 2026

“Ouvir atentamente as Bem-Aventuranças”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: Bem-aventurados ...”. Mt 5,1-2)

 

Hoje temos mais uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico Mateus 5,1-12a (Bem-aventuranças). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

28 Janeiro 2026

OUVIR ATENTAMENTE AS BEM-AVENTURANÇAS

Quando Jesus sobe ao monte e se senta para proclamar as Bem-Aventuranças, há uma grande multidão à volta, mas só os discípulos se aproximam d’Ele para ouvirem a sua mensagem com mais atenção. O que ouvimos nós, discípulos de Jesus, hoje se nos aproximarmos d’Ele?

Bem-aventurados os pobres de espírito, os que sabem viver com pouco, confiando sempre em Deus. Bem-aventurada uma Igreja com alma de pobre, porque terá menos problemas, será mais atenta aos necessitados e viverá o Evangelho com maior liberdade. O Reino de Deus pertence-lhe.

Bem-aventurados os mansos, os que vivem com um coração bondoso e compassivo. Bem-aventurada uma Igreja cheia de mansidão. Ela será uma dádiva para este mundo cheio de violência. Ela herdará a terra prometida.

Bem-aventurados os que choram, porque sofrem injustamente dificuldades e marginalização. Com eles, pode ser criado um mundo melhor e mais digno. Bem-aventurada a Igreja que sofre por ser fiel a Jesus. Um dia ela será consolada por Deus.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, aqueles que não perderam o desejo de serem mais justos nem o zelo de construir um mundo mais digno. Bem-aventurada a Igreja que procura com paixão o Reino de Deus e a sua justiça. Nela, florescerá o melhor do espírito humano. Um dia, a sua sede será saciada.

Bem-aventurados os misericordiosos que agem, trabalham e vivem movidos pela compaixão. São eles que, na terra, mais se assemelham ao Pai celeste. Bem-aventurada a Igreja cujo coração de pedra Deus afasta e lhe dá um coração de carne. Ela receberá misericórdia.

Bem-aventurados os pacificadores que, com paciência e fé, procuram o bem de todos. Bem-aventurada a Igreja que traz a paz ao mundo, e não a discórdia; reconciliação, e não conflito. Ela será filha de Deus.

Bem-aventurados os que, perseguidos por causa da justiça, respondem com mansidão à injustiça e às ofensas. Ajudam-nos a vencer o mal com o bem. Bem-aventurada a Igreja perseguida por seguir Jesus. Dela é o reino de Deus.

4º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 5,1-12a)

1 de fevereiro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

sábado, 24 de janeiro de 2026

“Perdidos na crise religiosa”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)

“Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”. (Mt 4,17)

 

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 4,12-23 (Jesus inicia sua missão). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferirr!

WCejnóg

Por José António Pagola

22 de janeiro de 2026

PERDIDOS NA CRISE RELIGIOSA

Vivemos tempos de crise religiosa. Parece que a fé está a ser sufocada na consciência de muitos, reprimida pela cultura moderna e pelo estilo de vida do homem contemporâneo. Mas, ao mesmo tempo, é fácil observar que a busca de sentido, o anseio por uma vida diferente, a necessidade de um Deus que seja Amigo, está novamente a despertar em muitos.

É certo que se espalhou entre nós um ceticismo generalizado em relação aos grandes projetos e às grandes declarações. Os discursos religiosos que oferecem "salvação" ou "redenção" já não ressoam. A própria esperança de que a Boa Nova para a humanidade possa realmente ser ouvida algures diminuiu, quase desapareceu.

Ao mesmo tempo, a sensação de que nos perdemos está a crescer entre muitos. Algo está a afundar-se sob os nossos pés. Estamos a ficar sem objetivos e pontos de referência. Percebemos que podemos resolver "problemas", mas que somos cada vez menos capazes de resolver "o problema" da vida. Não precisamos de salvação mais do que nunca?

Vivemos também em tempos de "fragmentação". A vida tornou-se atomizada. Cada um vive no seu próprio pequeno canto. O humanismo que procurava a verdade e um sentido de plenitude é uma recordação distante. Hoje, não damos ouvidos a quem realmente compreende a vida, mas sim a especialistas que sabem muito sobre uma área, mas nada sabem sobre o significado da existência.

Ao mesmo tempo, muitas pessoas começam a sentir-se inquietas neste mundo vertiginoso de dados, informações e números. Não podemos evitar as questões eternas da humanidade. De onde viemos? Para onde vamos? Não existe um sentido último para a vida?

Estas são também épocas de pragmatismo científico. O homem moderno decidiu (por razões desconhecidas) que só existe aquilo que a ciência pode provar. Nada mais. O que escapa à ciência simplesmente não existe. Naturalmente, nesta abordagem simplista e anti-científica, Deus não tem lugar, e a fé religiosa é relegada para o mundo ultrapassado dos não progressistas.

Contudo, muitos estão a perceber que esta abordagem é insuficiente, pois não reflete a realidade. A vida não é um "grande conjunto de Meccano", nem a humanidade é meramente "uma peça" de um mundo que pode ser desvendado pela ciência. O mistério está presente em todo o lado: no interior do ser humano, na imensidão do cosmos, na história da humanidade.

Portanto, a suspeita ressurge: não são precisamente as "questões" sobre as quais a ciência se cala que constituem o sentido da vida? Não será um grave erro esquecer a resposta ao mistério da existência? Não é uma tragédia ignorar Deus tão ingenuamente? Entretanto, as palavras de Jesus permanecem: "Arrependei-vos, porque o Reino de Deus está próximo."

3º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 4,12-23)

25 de janeiro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook