Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 6 de junho de 2026

“O novo domingo”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. (Jo 6,56)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico João 6, 51-18 (A Eucaristia é a presença real de Jesus). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg


Por José António Pagola

3 junho 2026

O NOVO DOMINGO

O domingo já não é o que era há alguns anos. Em pouco tempo, cresceu e tornou-se o "fim de semana", que começa na sexta-feira à tarde e durante o qual a maioria das pessoas pode viver a vida de forma diferente, escapando às obrigações laborais, aos horários impostos e às rotinas diárias.

Nem todos vivemos o fim de semana da mesma forma. Para alguns, é uma verdadeira bênção: têm iniciativa, oportunidades e amigos para aproveitar estes dias. Para outros, é um período cruel, pois sentem a sua solidão, doença ou velhice com mais intensidade; o domingo só lhes desperta tristeza e nostalgia. Outros ainda temem o domingo, não sabem o que fazer com ele e acham-no aborrecido; sem futebol, seria insuportável.

Teólogos e liturgistas interrogam-se hoje sobre como será o domingo cristão no futuro. Será reduzido a uma celebração isolada da missa, sem qualquer ligação aos fins de semana das pessoas? Pelo contrário, “não seria possível”, pergunta Xabier Basurko, “integrar dinamicamente os valores humanos do fim de semana no misticismo do domingo?” O liturgista basco oferece algumas pistas.

O domingo cristão pode ser a alma do fim de semana, ajudando os fiéis a viverem melhor a sua liberdade como filhos de Deus, sem imposições ou fins utilitários. A Eucaristia poderia ajudar a recuperar a tranquilidade e a reacender a paz interior. Ao fim de semana, podemos ser um pouco mais “nós próprios”.

Além disso, o sábado podia ser resgatado como festa da criação; desta forma, o domingo poderia continuar com a celebração da salvação. Esta é a visão de alguns liturgistas. A fé ajudar-nos-ia, então, a viver o fim de semana como uma celebração do Criador e um encontro com a natureza, não através do trabalho, mas através do prazer e da contemplação.

Finalmente, a celebração da "assembleia eucarística" pode dar um significado mais profundo àquela outra dimensão do fim de semana, que é a comunicação sincera e gratificante com amigos e familiares, ou o encontro com outras pessoas e outras culturas. O fim de semana pode ser uma experiência de encontro e comunhão entre irmãos e irmãs. Será que o domingo cristão se tornará o "fermento e o sal" do fim de semana na cultura atual? Em todo o caso, podemos perguntar-nos: sabemos nós, cristãos, como extrair da Eucaristia dominical encorajamento e alegria para viver cada novo domingo?

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – A

(João 6,51-58)

7 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

sábado, 30 de maio de 2026

“Programa libertador”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

"Em vosso caminho, anunciai: O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!". (Mt 10,7-8)

 

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico Mateus 9, 36-10,8 (Jesus envia seus discípulos ao mundo). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir!

WCejnóg


Por José Antonio Pagola

27 de maio de 2026

PROGRAMA LIBERTADOR

Muitos cristãos acreditam que vivem sua fé de forma responsável porque se esforçam para cumprir certas práticas religiosas e tentam alinhar seu comportamento com as leis morais e as normas eclesiásticas.

Da mesma forma, muitas comunidades cristãs acreditam que cumprem fielmente sua missão porque se empenham em oferecer serviços de catequese e formação na fé e procuram celebrar o culto cristão com dignidade.

Será que era só isso que Jesus queria colocar em movimento quando enviou seus discípulos ao mundo? Será essa a vida que ele queria incutir no coração da história?

Precisamos ouvir novamente as palavras de Jesus para redescobrir a verdadeira missão dos crentes em meio a esta sociedade. O evangelista Mateus registra seu mandamento assim: “Ide e pregai que o reino dos céus está próximo. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça dai.”

Nossa primeira tarefa hoje também é proclamar que Deus está perto de nós, comprometido em preservar a felicidade da humanidade. Mas essa proclamação de um Deus salvador não se faz apenas por meio de discursos e palavras evocativas. Não se garante somente por meio do catecismo ou da educação religiosa. Jesus nos lembra como proclamar Deus: trabalhando desinteressadamente para dar nova vida às pessoas.

“Curar os enfermos”, isto é, libertar as pessoas de tudo o que lhes rouba a vida e lhes causa sofrimento. Curar a alma e o corpo daqueles que se sentem destruídos pela dor e angustiados pela dureza impiedosa da vida cotidiana.

“Ressuscitar os mortos”, isto é, libertar as pessoas daquilo que bloqueia suas vidas e mata sua esperança. Despertar novamente o amor à vida, a confiança em Deus, a vontade de lutar e o desejo de liberdade em tantos homens e mulheres em quem a vida está morrendo lentamente.

“Purificar os leprosos”, isto é, purificar esta sociedade de tanta falsidade, hipocrisia e convencionalismo. Ajudar as pessoas a viverem com mais verdade, simplicidade e honestidade. “Expulsar demônios” significa libertar as pessoas dos muitos ídolos que nos escravizam, nos possuem e pervertem nossos relacionamentos. Onde quer que as pessoas sejam libertadas, ali Deus está sendo proclamado.

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 9:36–10:8)

14 de junho

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

domingo, 24 de maio de 2026

“Invocação ao Espírito Santo”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.”  (Jo 20:21,22)

 

Hoje, no Domingo de Pentecostes, temos uma reflexão muito especial e relevante, que tem como a base o texto bíblico João 20,19-23 (O discípulo continua a missão do Mestre). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

Por José António Pagola

20 de maio de 2026

INVOCAÇÃO AO ESPÍRITO

Vem, Espírito Santo. Desperta a nossa fé fraca, pequena e vacilante. Ensina-nos a viver confiando no amor insondável de Deus, nosso Pai, por todos os seus filhos e filhas, dentro ou fora da tua Igreja. Se esta fé se extinguir nos nossos corações, em breve morrerá também nas nossas comunidades e igrejas.

Vem, Espírito Santo. Faz de Jesus o centro da tua Igreja. Que nada nem ninguém o substitua ou o obscureça. Não habites entre nós sem nos atrair ao seu Evangelho e nos converter ao seu seguimento. Que não fujamos da sua Palavra, nem nos afastemos do seu mandamento do amor. Que a sua memória não se perca no mundo.

Vem, Espírito Santo. Abre os nossos ouvidos para ouvir os teus apelos, aqueles que nos chegam hoje, a partir das perguntas, sofrimentos, conflitos e contradições dos homens e mulheres do nosso tempo. Ajuda-nos a viver abertos ao teu poder, a gerar a nova fé de que esta nova sociedade necessita. Que nós, na tua Igreja, estejamos mais atentos ao que nasce do que ao que morre, com os corações sustentados pela esperança e não minados pela nostalgia.

Vem, Espírito Santo. Purifica o coração da tua Igreja. Coloca a verdade entre nós. Ensina-nos a reconhecer os nossos pecados e limitações. Lembra-nos que somos como todos os outros: frágeis, medíocres e pecadores. Liberta-nos da nossa arrogância e falsa segurança. Ajuda-nos a caminhar entre os outros com maior verdade e humildade.

Vem, Espírito Santo. Ensina-nos a ver a vida, o mundo e, sobretudo, as pessoas de uma forma nova. Que aprendamos a ver como Jesus viu os que sofrem, os que choram, os que caem, os que vivem sós e esquecidos. Se o nosso olhar mudar, também o coração e o rosto da tua Igreja mudarão. Nós, discípulos de Jesus, irradiaremos melhor a sua proximidade, a sua compreensão e a sua solidariedade para com os mais necessitados. Tornar-nos-emos mais semelhantes ao nosso Mestre e Senhor.

Vem, Espírito Santo. Faz de nós uma Igreja de portas abertas, corações compassivos e esperança contagiante. Que nada nem ninguém nos distraia ou nos desvie do projeto de Jesus: criar um mundo mais justo e digno, mais bondoso e feliz, abrindo caminhos para o Reino de Deus.

 

Pentecostes A

Jo 20,19-23

24 de maio

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook