Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 4 de julho de 2026

“Deus é para pessoas simples”. – Reflexão de José Antônio Pagola.

 

“Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.” (Mt 11,25)

 

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 11,25-30 (Deus revela os mistérios do Reino aos humildes, e não aos sábios e cultos). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antônio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnog 

 Por José Antônio Pagola

1 de julho de 2026

DEUS É PARA PESSOAS SIMPLES

Há muitos anos, na Escola Bíblica de Jerusalém, um professor de exegese iniciou-nos na difícil arte de desvendar o Evangelho de Mateus. Nada parecia suficiente para compreender o sentido essencial do texto: a crítica textual, a análise literária, a estrutura da passagem. Um dia, chegamos aos versículos em que Jesus exclama: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. O professor ficou em silêncio durante muito tempo. Então, disse-nos muito lentamente: “Nunca se esqueçam destas palavras. Podem esquecer todo o resto”. Foi provavelmente a melhor lição de exegese que já recebi. Mais tarde, ao longo dos anos, pude constatar que é mesmo.

Sempre que tive a impressão de estar com alguém próximo de Deus, era alguém com um coração simples. Por vezes é alguém sem grande conhecimento, outras vezes alguém de considerável cultura, mas sempre um homem ou uma mulher com uma alma humilde e pura.

Em mais do que uma ocasião, vi que o simples fato de falar de Deus não basta para despertar a fé. Para muitas pessoas, certos conceitos religiosos estão gastos, e mesmo que se tente resgatar todo o vigor e sabor que tinham na sua origem, Deus permanece de certa forma "fossilizado" nas suas consciências. No entanto, encontrei pessoas simples que não parecem precisar de grandes ideias ou raciocínios. Percebem imediatamente que Deus é "um Deus oculto" e, do seu coração, brota uma invocação espontânea: "Senhor, mostra-me a tua face".

Também conheci pessoas que agem sempre dentro do âmbito do que é prático. Algumas abandonam Deus porque Ele lhes parece totalmente inútil; outras agarram-se a Ele e adoram-n’O porque Ele serve aos seus propósitos. Contudo, também conheci pessoas simples que vivem a dar graças a Deus. Gozam das coisas boas da vida, suportam as dificuldades com paciência; sabem viver e ajudar os outros a viver. Não sei como o conseguem, mas o louvor ao Criador parece brotar sempre dos seus corações. As suas vidas são uma bênção.

Muitas vezes conversei sobre temas religiosos e sobre Deus com uma grande variedade de pessoas. Por vezes, encontro pessoas que fazem uma pergunta atrás da outra sobre todo o tipo de assuntos teológicos, sem demonstrar o mínimo interesse em encontrar-se com Deus. Mas também já vi pessoas simples cujos olhos brilhavam com uma luz especial quando lia passagens como esta do profeta Isaías: “Eu sou o Senhor, teu Deus… Tu és precioso aos meus olhos, e digno de honra, e eu te amo… Não temas, porque eu sou contigo” (Isaías 43,4); ou quando recitei o Salmo 103: “Como um pai se compadece dos seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem; pois sabe como somos formados, lembra-se de que somos pó” (Salmo 103,13-14). Sim, Deus revela-se a pessoas simples.

14º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 11:25-30)

5 de julho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

sábado, 27 de junho de 2026

“Aprendendo a doar”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa”. (Mt 10,42)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 10,37-42 (Custo e a recompensa de ser discípulo de Jesus). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 

Por José António Pagola 

18 de junho de 2026

APRENDENDO A DOAR

Por vezes não é assim tão fácil responder até às perguntas mais simples. Muitas vezes ouvimos dizer que amar é dar. Mas o que é dar? Muitos presumem que dar é simplesmente privar-se de algo, abdicar de algo, "sacrificar-se" ao desapegar-se de algo. Estamos tão condicionados pela nossa sociedade assistencialista e tão inclinados a possuir, acumular e ganhar, que "dar" nos parece improdutivo. Um empobrecimento que não estamos dispostos a aceitar. Na nossa sociedade, alguém que dá sem receber é considerado impraticável, irrealista e pouco inteligente.

No entanto, dar é algo completamente diferente. O ato de dar é a expressão mais rica de vitalidade, riqueza e poder criativo. Quando damos realmente algo, experimentamo-nos como pessoas cheias de vida, transbordantes, com a capacidade de enriquecer os outros, mesmo que de uma forma muito modesta. "Só o amor torna a vida digna de ser vivida". “Só ajudar os outros traz a verdadeira alegria de viver” (Karl Tillmann).

Dar significa estar vivo e ser rico. Quem tem muito e não sabe dar não é rico. É um homem pequeno, impotente e pobre, por mais que possua. Na realidade, só é rico quem é capaz de dar algo de si aos outros.

Todos precisamos de ouvir com mais atenção e profundidade as palavras de Jesus. Nem mesmo o copo de água fresca que damos a um pobre sedento ficará sem recompensa. Devemos aprender a dar o que está vivo dentro de nós e que pode fazer bem aos outros; a dar a nossa alegria, compreensão, encorajamento, esperança, acolhimento ou proximidade.

Muitas vezes, não se trata de coisas grandiosas ou espetaculares. Simplesmente, “um copo de água fresca”: um sorriso acolhedor, uma escuta atenta, uma ajuda para levantar o ânimo de alguém abatido, um gesto de solidariedade, uma visita, um sinal de apoio e amizade. Não nos esqueçamos disso. No âmago da vida, existe alguém que abençoa, acolhe e recompensa cada ato de amor, por mais pequeno que possa parecer. O seu nome é Deus, nosso Pai.

13º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 10,37-42)

28 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

sábado, 20 de junho de 2026

“Libertando as nossas comunidades do medo”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)

“Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos”.  (Mt 10,31)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 10:26-33 (Jesus encoraja seus discípulos a não temerem a perseguição, proclamando a verdade com ousadia). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 

Por José Antonio Pagola

18 de junho de 2026

LIBERTANDO AS NOSSAS COMUNIDADES DO MEDO

As fontes cristãs apresentam Jesus como alguém dedicado a libertar as pessoas do medo. Entristecia-se ao ver pessoas aterrorizadas pelo poder de Roma, intimidadas pelas ameaças dos mestres da lei, afastadas de Deus pelo medo da sua ira e culpadas pela sua falta de fidelidade à lei. Do seu coração, repleto de Deus, apenas um desejo podia brotar: “Não tenhais medo”. Estas são palavras de Jesus que se repetem inúmeras vezes nos Evangelhos. São as palavras que deveriam ser repetidas com mais frequência na sua Igreja também hoje.

O medo apodera-se de nós quando a desconfiança, a insegurança ou a falta de liberdade interior crescem no nosso coração. Este medo é o problema central da humanidade, e só nos podemos libertar dele enraizando as nossas vidas num Deus que procura apenas o nosso bem.

Era assim que Jesus via as coisas. Por isso, dedicou-se, antes de mais, a despertar a confiança no coração das pessoas. A sua fé profunda e simples era contagiante: se Deus se preocupa com tanta ternura com os pardais do campo, os mais pequenos pássaros da Galileia, quanto mais se preocupará com você? Para Deus, você é mais importante e mais querido do que todas as aves do céu. Um cristão da primeira geração captou bem a sua mensagem: “Lançai sobre Deus toda a vossa ansiedade, pois Ele interessa-se pelo vosso bem”.

Com que força Jesus falava a cada doente: “Tende fé. Deus não se esqueceu de vós”. Com que alegria os despedia ao vê-los curados: “Ide em paz. Vivei bem”. Era o seu grande desejo: que as pessoas vivessem em paz, sem medo nem ansiedade: “Não se julguem, não se condenem, não se prejudiquem. Vivam em amizade”.

Há muitos medos que fazem as pessoas sofrer em segredo. O medo dói, dói muito. Onde o medo cresce, Deus perde-se de vista e a bondade no coração das pessoas é sufocada. A vida esvai-se, a alegria desaparece. Uma comunidade de seguidores de Jesus deve ser, acima de tudo, um lugar onde as pessoas se libertam dos seus medos e aprendem a viver confiando em Deus. Uma comunidade onde se sente uma paz contagiante e se experimenta uma amizade profunda, sendo possível ouvir hoje o chamamento de Jesus: "Não tenhais medo".

12º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 10:26-33)

21 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook