Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 19 de setembro de 2026

“Confiança na bondade de Deus”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso?' (Mt 20,15)

 

Hoje temos mais uma boa reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 20, 1-16 (Parábola do ´dono da vinha´). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

WCejnóg

 

Por José Antonio Pagola

17 de setembro de 2026

CONFIANÇA NA BONDADE DE DEUS

Estou cada vez mais convencido de que muitos que se autodenominam ateus são homens e mulheres que, ao rejeitarem Deus, estão na verdade rejeitando um "ídolo mental" que criaram na infância. A ideia de Deus que carregam dentro de si, com a qual conviveram por alguns anos, tornou-se pequena demais. Em certo ponto, esse Deus pareceu tão estranho, desconfortável e incômodo que o descartaram.

Não tenho dificuldade em entender essas pessoas. Em conversas com algumas delas, lembrei-me mais de uma vez das palavras perspicazes do Patriarca Máximo IV durante o Concílio: "Eu também não acredito no deus em que os ateus não acreditam". Na realidade, o deus que alguns removeram de suas vidas é uma caricatura que formaram falsamente. Se esvaziaram suas almas desse "deus falso", não será para abrir espaço, um dia, para o Deus verdadeiro?

Mas como uma pessoa pode encontrar Deus hoje? Se eles se aproximarem daqueles de nós que nos dizem crentes, provavelmente nos encontrarão orando, não ao verdadeiro Deus, mas a um ídolo insignificante no qual projetamos nossos interesses, medos e obsessões. Um Deus que tentamos apropriar e usar para nosso próprio benefício, esquecendo Sua imensa e incompreensível bondade para com todos.

 Jesus destrói todas as nossas noções preconcebidas quando, na parábola do "dono da vinha", nos apresenta este Deus que "dá a cada um o seu denário", mereçam ou não, e diz àqueles que reclamam: "Vocês estão com inveja porque eu sou generoso?"

Deus é bom para todos, mereçam ou não, sejam crentes ou ateus. Sua misteriosa bondade transcende a fé dos crentes e a descrença dos ateus.

O que devemos fazer é esquecer nossas noções preconcebidas, encontrar o silêncio dentro de nós mesmos, ouvir atentamente a vida que pulsa em nosso interior... e esperar, confiar e abrir nosso ser. Deus não permanece oculto indefinidamente daqueles que o buscam com um coração sincero.

25º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 20,1-16)

20 de setembro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook 

sábado, 12 de setembro de 2026

“Apologia do perdão”. - Reflexão de José Antonio Pagola.

“Então, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: — Senhor, quantas vezes deverei perdoar o meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?   Jesus respondeu: — Eu digo a você que não até sete, mas até setenta vezes sete.”. (Mt 18,21,22)

Hoje temos uma excelnte reflexão que tem como a base o texto bíblico Mateus 18,21-35 (O perdão que liberta o coração). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir! 

WCejnóg 

Por José Antonio Pagola

9 Setembro 2026

APLOGIA DO PERDÃO

Quase todas as vezes que escrevi sobre o perdão, recebi cartas, geralmente anônimas, acusando-me de esquecer o sofrimento das vítimas do terrorismo, de não compreender a humilhação de alguém traído pelo cônjuge, de não ser assim simples ou banal e coisas semelhantes.

Não me é difícil compreender esta resistência ao perdão. Como poderia eu não sentir a raiva, a impotência e a dor de alguém que foi vítima de violência, desprezo ou traição? Mas precisamente o ressentimento e a agressão que percebo por detrás destas linhas fazem-me ver com mais clareza o que aconteceria a um mundo em que o perdão fosse suprimido.

Existe um mecanismo de defesa bem conhecido pelos psicólogos. Em virtude de um "mimetismo misterioso", alguém que foi vítima de agressão tende, por sua vez, a imitar o seu agressor de alguma forma. Esta é uma reação quase instintiva que surge no inconsciente individual ou coletivo e pode até ser transmitida de geração em geração.

Se, em algum momento, não ocorrer uma reação contrária, o dano tende a perpetuar-se. Quando a vítima não quer ou não consegue perdoar, permanece uma "ferida mal cicatrizada", causando dor e ligando-a negativamente ao passado. Da mesma forma, o ressentimento enraizado numa sociedade torna mais difícil encontrar formas claras de coexistência e pode bloquear qualquer esforço para resolver conflitos.

O desejo de vingança é, sem dúvida, a resposta mais instintiva à ofensa. Uma pessoa precisa de se defender da ferida recebida, mas, como alerta o conceituado especialista Jacques Pohier, quem tenta curar a sua ferida infligindo sofrimento ao agressor está enganado. O sofrimento não tem poder mágico para curar a humilhação ou a agressão sofrida. Pode produzir uma satisfação momentânea, mas a pessoa necessita de algo mais para regressar a uma vida saudável. Henri Lacordaire disse há muito tempo: “Quer ser feliz por um momento? Vingue-se. Quer ser feliz para sempre? Perdoe.”

Por vezes esquecemo-nos que o processo de perdão beneficia mais a parte ofendida, pois liberta-a do mal, aumenta a sua dignidade e nobreza, dá-lhe força para reconstruir a sua vida e permite-lhe iniciar novos projetos. Quando Jesus nos convida a perdoar “setenta vezes sete”, convida-nos a seguir o caminho mais saudável e eficaz para erradicar o mal das nossas vidas. As suas palavras adquirem uma profundidade ainda maior para aqueles que acreditam em Deus como fonte suprema do perdão: “Perdoai, e sereis perdoados”.

24º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 18,21-35)

13 de setembro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

 

Fonte: Facebook

 

sábado, 5 de setembro de 2026

“O que estou fazendo por uma Igreja mais fiel a Jesus?” – Reflexão de José Antonio Pagola.

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. (Mt 18,20)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 18, 15-20 (Correção fraterna). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 Por José Antonio Pagola

3 de setembro de 2026

O QUE ESTOU FAZENDO POR UMA IGREJA MAIS FIEL A JESUS?

“Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles.” A melhor maneira de tornar Cristo presente em sua Igreja é permanecermos unidos, agindo “em seu nome”, movidos pelo seu Espírito. A Igreja precisa não tanto de nossas declarações de amor ou de nossas críticas, mas sim de nosso compromisso real. Há muitas perguntas que podemos nos fazer.

O que estou fazendo para criar um clima de conversão coletiva dentro desta Igreja, que sempre precisa de renovação e transformação? Como seria a Igreja se todos vivessem sua adesão a Cristo mais ou menos como eu? Seria mais ou menos fiel a Jesus?

O que eu contribuo em espírito, verdade e autenticidade para esta Igreja, tão necessitada de radicalismo evangélico, para oferecer um testemunho crível de Jesus em meio a uma sociedade indiferente e incrédula? Como posso contribuir com a minha vida para a construção de uma Igreja mais próxima dos homens e mulheres do nosso tempo, uma Igreja que saiba não só ensinar, pregar e exortar, mas sobretudo acolher, escutar e acompanhar aqueles que estão perdidos, sem conhecer o amor ou a amizade?

O que posso contribuir para a construção de uma Igreja samaritana, com um coração grande e compassivo, capaz de esquecer os seus próprios interesses, para viver centrada nos grandes problemas da humanidade?

O que posso fazer para que a Igreja se liberte dos medos e das amarras que a paralisam e a prendem ao passado, e se deixe penetrar e vivificar pela frescura e criatividade que brotam do Evangelho de Jesus?

O que posso contribuir nestes tempos para que a Igreja aprenda a “viver em minoria”, sem grandes pretensões sociais, mas humildemente, como “fermento” oculto, “sal” transformador, uma pequena “semente” disposta a morrer para dar vida? O que estou fazendo por uma Igreja mais alegre e esperançosa, uma Igreja mais livre e compreensiva, uma Igreja mais transparente e fraterna, uma Igreja mais fiel e credível, uma Igreja mais de Deus e menos do mundo, uma Igreja mais de Jesus e menos dos nossos próprios interesses e ambições? A Igreja muda quando nós mudamos; ela se transforma quando nós nos transformamos.

23º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 18,15-20)

6 de setembro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook