“Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco”. (João 20,19)
Abaixo, uma excelente reflexão sobre o texto bíblico João 20, 19-32 (Jesus ressuscitado aparece aos seus discípulos). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Muito bom!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
8 abril 2026
VIVER PELA SUA PRESENÇA
O relato de João não podia ser mais evocativo e desafiante. Só quando vêem Jesus ressuscitado no seu meio é que o grupo de discípulos se transforma. Recuperam a paz, os seus medos desaparecem, são preenchidos por uma alegria desconhecida, sentem o sopro de Jesus sobre eles e abrem as portas porque se sentem enviados para viver a mesma missão que receberam do Pai.
A atual crise da Igreja, os seus medos e a sua falta de vigor espiritual têm as suas origens num nível profundo. Muitas vezes, a ideia da ressurreição de Jesus e da sua presença entre nós é mais uma doutrina pensada e pregada do que uma experiência vivida.
Cristo ressuscitado está no centro da Igreja, mas a sua presença viva não está enraizada em nós, não está incorporada na substância das nossas comunidades, não alimenta normalmente os nossos projetos. Após vinte séculos de cristianismo, Jesus não é conhecido nem compreendido na sua originalidade. Não é amado nem seguido como foi pelos seus primeiros discípulos.
É imediatamente perceptível quando um grupo ou comunidade cristã se sente habitada por esta presença invisível, mas real e ativa, do Cristo ressuscitado. Não se contentam em seguir rotineiramente as orientações que regulam a vida eclesial. Possuem uma sensibilidade especial para ouvir, procurar, recordar e aplicar o Evangelho de Jesus. São os espaços mais saudáveis e vibrantes da Igreja.
Nada nem ninguém nos pode dar hoje a força, a alegria e a criatividade que necessitamos para enfrentar uma crise sem precedentes como quando falta a presença viva de Cristo ressuscitado. Privados do seu vigor espiritual, não emergiremos da nossa passividade quase inata, continuaremos de portas fechadas ao mundo moderno, continuaremos a fazer "o que é ordenado", sem alegria nem convicção. Onde encontraremos a força necessária para recriar e reformar a Igreja?
Precisamos de reagir. Precisamos de Jesus mais do que nunca. Precisamos de viver pela sua presença viva, recordar os seus ensinamentos e o seu Espírito em todas as oportunidades, refletir constantemente sobre a sua vida e deixar que Ele seja a inspiração para as nossas ações. Ele pode dar-nos mais luz e mais força do que qualquer outra pessoa. Ele está entre nós, partilhando conosco a Sua paz, a Sua alegria e o Seu Espírito.
2º Domingo da Páscoa – Ano A
(João 20, 19-32)
12 de abril
José António Pagola
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