"Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus". (Mt 5,20)
Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico Mateus 5,17-37 (A lei do amor). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Muito bom!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
11 Fevereiro 2026
A IMPORTÂNCIA SOCIAL DO PERDÃO
Uma das tarefas mais urgentes da Igreja hoje e sempre é garantir que a fé chegue às pessoas como "boa nova".
Não é fácil ouvir o chamado de Jesus ao perdão ou compreender todas as implicações de aceitar que uma pessoa é mais humana quando perdoa do que quando busca vingança.
Sem dúvida, é essencial compreender bem o pensamento de Jesus. Perdoar não significa ignorar as injustiças cometidas, nem aceitá-las passivamente ou indiferentemente. Pelo contrário, perdoar é precisamente destruir, de alguma forma, a espiral do mal e ajudar a outra pessoa a se reabilitar e agir de forma diferente no futuro. Na dinâmica do perdão, há um esforço para vencer o mal com o bem. O perdão é um gesto que muda qualitativamente as relações entre as pessoas e busca restabelecer a convivência futura de uma nova maneira. Portanto, o perdão não deve ser apenas uma exigência individual, mas deve ter uma dimensão social.
A sociedade não deve abandonar ninguém, nem mesmo os culpados. Toda pessoa tem o direito de ser amada. Não podemos aceitar que a repressão penal simplesmente "retribua o mal com o mal" aos presos, mergulhando-os ainda mais em seus crimes, degradando suas vidas e impedindo sua verdadeira reabilitação.
O grande jurista G. Radbruch compreendeu que a punição como imposição do mal com o mal deve gradualmente desaparecer e se tornar, na medida do possível, "um incentivo para retribuir o mal com o bem, a única maneira pela qual a justiça pode ser exercida na Terra sem piorar a situação, mas transformando-a em um mundo melhor".
Não há justificativa alguma para agir de maneira humilhante ou injusta com qualquer prisioneiro, seja um criminoso comum ou um prisioneiro político. Jamais caminharemos rumo a uma sociedade mais humana se não abandonarmos atitudes de retaliação, ódio e vingança.
Por isso, também é um erro incitar as pessoas à vingança. O clamor de "o povo não perdoará" é, infelizmente, compreensível, mas não é a maneira correta de ensiná-los a construir um futuro mais humano.
A rejeição do perdão é um clamor que, como crentes, jamais podemos endossar, porque, em última análise, é uma rejeição da fraternidade desejada por Aquele que nos perdoa a todos.
6º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Mateus 5,17-37)
15 de fevereiro
José Antonio Pagola
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