Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 8 de agosto de 2026

“Aprender a crer no meio da dúvida.” – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo.    (W.Cejnog)

 

“…Então, Pedro saiu do barco, andou sobre as águas e foi em direção a Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: — Senhor, salva-me! Imediatamente, Jesus estendeu a mão, segurou-o e disse: — Homem de pequena fé, por que você duvidou?  (Mt 14,29b-31)

 

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico  Mateus 14,22-33  (Confiar mesmo no meio da tempestade). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.  O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Excelente!

 WCejnóg

Por José Antonio Pagola

5 Agosto 2026

APRENDER A CRER NO MEIO DA DÚVIDA

Não é fácil responder honestamente à pergunta que Jesus faz a Pedro no preciso momento em que o salva da água: "Porque duvidaste?"

Por vezes, as nossas convicções mais profundas desvanecem-se, e os olhos da nossa alma perturbam-se sem que saibamos exatamente porquê. Princípios até então aceites como inabaláveis ​​começam a vacilar. E a tentação de abandonar tudo sem reconstruir nada desperta em nós.

Outras vezes, o mistério de Deus torna-se avassalador. A palavra final sobre a minha vida escapa-me, e é difícil entregar-me ao mistério: a minha razão continua a sua busca insatisfeita de uma luz clara e apodítica que não encontra nem jamais encontrará.

Frequentemente, a superficialidade e a leviandade do nosso quotidiano, juntamente com a adoração secreta de tantos ídolos, mergulham-nos em longas crises de indiferença e ceticismo interior, deixando-nos com a sensação de termos realmente perdido Deus.

Frequentemente, é o nosso próprio pecado que quebra a nossa fé, pois esta declina e enfraquece quando nos afastamos de Deus. Se formos honestos, devemos confessar que existe um enorme abismo entre o crente que professamos ser e o crente que realmente somos. O que devemos fazer quando reconhecemos em nós uma fé que, por vezes, é tão frágil e vacilante?

Em primeiro lugar, não devemos desesperar nem assustar-nos quando descobrimos dúvidas e hesitações dentro de nós. A busca de Deus é quase sempre vivida na insegurança, nas trevas e no risco. Deus é procurado "às cegas". E não nos podemos esquecer que, muitas vezes, "a fé genuína só pode aparecer quando a dúvida é vencida" (Ladislau Boros).

O importante é acolher o mistério de Deus com o coração aberto. A nossa fé depende da verdade da nossa relação com Ele. E não precisamos de esperar que as nossas dúvidas sejam resolvidas para vivermos verdadeiramente diante desse Pai.

Por isso, é importante saber clamar como Pedro: "Senhor, salva-me". Saber elevar as nossas mãos vazias a Deus, não apenas como um gesto de súplica, mas também como uma entrega confiante de quem se reconhece pequeno, ignorante e necessitado de salvação. Não nos esqueçamos que a fé é "andar sobre as águas", mas com a possibilidade de encontrarmos sempre aquela mão que nos salva quando começamos a afundar.

19º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 14,22-33)

9 de agosto

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

 Fonte: Facebook

sábado, 1 de agosto de 2026

“Partilhar o pão”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, (Jesus) tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão. E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze cestos cheios.” (Mt 14,19,20)

 

Hoje temos uma boa reflexão, que tem como base o texto bíblico Mateus 14,13-21  (O milagre da partilha). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

29 Julho 2026

PARTILHAR O PÃO

Quase sem perceber e empurrado por vários fatores, temos gradualmente desumanizado aquele gesto muito sincero e humano de sentar-se à mesa para comer juntos.

A comida tornou-se para muitos algo puro e funcional, necessário para organizar rapidamente e precisamente dentro do dia de trabalho. Está cada vez mais raro esse momento privilegiado de encontro familiar ao redor da mesa. Em muitas casas, aquela mesa feita para ser cercada não é mais útil para os pais e os filhos se encontrarem, partilharem suas vidas, conversarem e descansem juntos.

Outros estão a acostumarem-se a "alimentar o seu corpo" nessas refeições impessoais em restaurantes ou no canto do balcão de autoatendimento. Não há poucos que sejam forçados a participar em refeições cerimoniais ou de trabalho, onde o gesto amigável de comer juntos é substituído por interesse, pragmatismo ou ostentação.

O gesto de Jesus, que convida as pessoas a recuar para partilhar uma refeição simples, abençoando Deus pelo pão que recebemos, pode ser um apelo a nós. Como Xabier Basurko diz em seu estudo "Partilhar o Pão", comer é muito mais do que "introduzir uma certa quantidade de calorias no corpo".

A necessidade de alimentar-se é, acima de tudo, um sinal da nossa pobreza radical. Os seres humanos são feitos para comer com os outros, partilhando a mesa com família e amigos. Comer juntos é para fraternizar, para dialogar, para crescer na amizade, para partilhar o dom da vida.

É por isso que é tão difícil agradecer a Deus quando alguém tem mais comida do que aquele que a precisa, enquanto outros sofrem de miséria e fome. Sentimos culpa por essas palavras de Gandhi: "Tudo o que você come sem necessidade é roubo do estômago do pobre." Talvez nos países de prosperidade devamos aprender a abençoar a mesa de outra forma: agradecendo a Deus, mas ao mesmo tempo, pedindo perdão por nossa falta de solidariedade e tornando-nos conscientes da nossa responsabilidade em relação aos famintos da Terra.

18 Tempo Comum – A

(Mateus 14,13-21)

2 de agosto

Fonte: Facebook