Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

“A importância social do perdão”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

"Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus". (Mt 5,20)

 

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico Mateus 5,17-37 (A lei do amor). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Muito bom!

WCejnóg

 Por José Antonio Pagola

11 Fevereiro 2026

A IMPORTÂNCIA SOCIAL DO PERDÃO

Uma das tarefas mais urgentes da Igreja hoje e sempre é garantir que a fé chegue às pessoas como "boa nova".

Não é fácil ouvir o chamado de Jesus ao perdão ou compreender todas as implicações de aceitar que uma pessoa é mais humana quando perdoa do que quando busca vingança.

Sem dúvida, é essencial compreender bem o pensamento de Jesus. Perdoar não significa ignorar as injustiças cometidas, nem aceitá-las passivamente ou indiferentemente. Pelo contrário, perdoar é precisamente destruir, de alguma forma, a espiral do mal e ajudar a outra pessoa a se reabilitar e agir de forma diferente no futuro. Na dinâmica do perdão, há um esforço para vencer o mal com o bem. O perdão é um gesto que muda qualitativamente as relações entre as pessoas e busca restabelecer a convivência futura de uma nova maneira. Portanto, o perdão não deve ser apenas uma exigência individual, mas deve ter uma dimensão social.

A sociedade não deve abandonar ninguém, nem mesmo os culpados. Toda pessoa tem o direito de ser amada. Não podemos aceitar que a repressão penal simplesmente "retribua o mal com o mal" aos presos, mergulhando-os ainda mais em seus crimes, degradando suas vidas e impedindo sua verdadeira reabilitação.

O grande jurista G. Radbruch compreendeu que a punição como imposição do mal com o mal deve gradualmente desaparecer e se tornar, na medida do possível, "um incentivo para retribuir o mal com o bem, a única maneira pela qual a justiça pode ser exercida na Terra sem piorar a situação, mas transformando-a em um mundo melhor".

Não há justificativa alguma para agir de maneira humilhante ou injusta com qualquer prisioneiro, seja um criminoso comum ou um prisioneiro político. Jamais caminharemos rumo a uma sociedade mais humana se não abandonarmos atitudes de retaliação, ódio e vingança.

Por isso, também é um erro incitar as pessoas à vingança. O clamor de "o povo não perdoará" é, infelizmente, compreensível, mas não é a maneira correta de ensiná-los a construir um futuro mais humano.

A rejeição do perdão é um clamor que, como crentes, jamais podemos endossar, porque, em última análise, é uma rejeição da fraternidade desejada por Aquele que nos perdoa a todos.

6º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 5,17-37)

15 de fevereiro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

“Dando sabor à vida” – Reflexão de José Antonio Pagola.

Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.". (Mt5, 13-14)

 

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico Mateus 5, 13-16 (Sal da terra e luz do mundo). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 

Por José Antonio Pagola

5 Fevereiro 2026

DANDO SABOR À VIDA

Uma das tarefas mais urgentes da Igreja hoje e sempre é garantir que a fé chegue às pessoas como "boas novas".

Frequentemente, entendemos a evangelização como uma tarefa quase exclusivamente doutrinal. Evangelizar seria levar a doutrina de Jesus Cristo àqueles que ainda não a conhecem ou a conhecem insuficientemente.

Então, nos preocupamos em garantir a instrução religiosa e a propagação da fé diante de outras ideologias e correntes de opinião. Buscamos homens e mulheres bem formados que conheçam perfeitamente a mensagem cristã e a transmitam corretamente. Procuramos aprimorar nossas técnicas e organização pastoral.

Naturalmente, tudo isso é importante, pois a evangelização envolve proclamar a mensagem de Jesus Cristo. Mas este não é o único nem o aspecto mais decisivo. Evangelizar não significa simplesmente proclamar verbalmente uma doutrina, mas sim tornar presente na vida das pessoas o poder humanizador, libertador e salvador contido no evento e na pessoa de Jesus Cristo. 

Entendida dessa forma, a importância da evangelização não reside em dispor de meios poderosos e eficazes de propaganda religiosa, mas em saber agir com o estilo libertador de Jesus.

O fator decisivo não é ter homens e mulheres doutrinariamente bem formados, mas sim testemunhas vivas do Evangelho. Crentes em cujas vidas se possa ver o poder humanizador e salvador que o Evangelho contém quando abraçado com convicção e responsabilidade.

Nós, cristãos, muitas vezes confundimos evangelização com o desejo de aceitação social do "nosso cristianismo". As palavras de Jesus, que nos chamam a ser "sal da terra" e "luz do mundo", nos obrigam a fazer perguntas muito sérias.

Nós, crentes, somos "boas novas" para alguém? O que se vivencia em nossas comunidades cristãs, o que se observa entre os crentes, é "boa nova" para as pessoas hoje? Nós, cristãos, na sociedade atual, oferecemos algo que dá sentido à vida, algo que purifica, cura e liberta da decadência espiritual e do egoísmo brutal e insensível? Será que vivemos algo que possa iluminar as pessoas nestes tempos incertos, oferecendo esperança e um novo horizonte àqueles que buscam a salvação?

5º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 5:13-16)

8 de fevereiro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte:Facebook

sábado, 31 de janeiro de 2026

“Ouvir atentamente as Bem-Aventuranças”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: Bem-aventurados ...”. Mt 5,1-2)

 

Hoje temos mais uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico Mateus 5,1-12a (Bem-aventuranças). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

28 Janeiro 2026

OUVIR ATENTAMENTE AS BEM-AVENTURANÇAS

Quando Jesus sobe ao monte e se senta para proclamar as Bem-Aventuranças, há uma grande multidão à volta, mas só os discípulos se aproximam d’Ele para ouvirem a sua mensagem com mais atenção. O que ouvimos nós, discípulos de Jesus, hoje se nos aproximarmos d’Ele?

Bem-aventurados os pobres de espírito, os que sabem viver com pouco, confiando sempre em Deus. Bem-aventurada uma Igreja com alma de pobre, porque terá menos problemas, será mais atenta aos necessitados e viverá o Evangelho com maior liberdade. O Reino de Deus pertence-lhe.

Bem-aventurados os mansos, os que vivem com um coração bondoso e compassivo. Bem-aventurada uma Igreja cheia de mansidão. Ela será uma dádiva para este mundo cheio de violência. Ela herdará a terra prometida.

Bem-aventurados os que choram, porque sofrem injustamente dificuldades e marginalização. Com eles, pode ser criado um mundo melhor e mais digno. Bem-aventurada a Igreja que sofre por ser fiel a Jesus. Um dia ela será consolada por Deus.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, aqueles que não perderam o desejo de serem mais justos nem o zelo de construir um mundo mais digno. Bem-aventurada a Igreja que procura com paixão o Reino de Deus e a sua justiça. Nela, florescerá o melhor do espírito humano. Um dia, a sua sede será saciada.

Bem-aventurados os misericordiosos que agem, trabalham e vivem movidos pela compaixão. São eles que, na terra, mais se assemelham ao Pai celeste. Bem-aventurada a Igreja cujo coração de pedra Deus afasta e lhe dá um coração de carne. Ela receberá misericórdia.

Bem-aventurados os pacificadores que, com paciência e fé, procuram o bem de todos. Bem-aventurada a Igreja que traz a paz ao mundo, e não a discórdia; reconciliação, e não conflito. Ela será filha de Deus.

Bem-aventurados os que, perseguidos por causa da justiça, respondem com mansidão à injustiça e às ofensas. Ajudam-nos a vencer o mal com o bem. Bem-aventurada a Igreja perseguida por seguir Jesus. Dela é o reino de Deus.

4º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 5,1-12a)

1 de fevereiro

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook