Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.
A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.
Esta é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)
“E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes?”. (Mt 4,17)
A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Lucas 24, 13-35 (A caminho de Manaús). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena conferirr!
WCejnóg
Por José António Pagola
15 de abril de 2026
LEMBRAR-NOS MAIS DE JESUS
A história dos discípulos a caminho de Emaús descreve a experiência de dois seguidores de Jesus enquanto caminham de Jerusalém até à pequena aldeia de Emaús, a oito quilómetros da capital. O narrador fá-lo com tanta mestria que nos ajuda a reacender a nossa fé em Cristo ressuscitado ainda hoje.
Dois discípulos de Jesus abandonam Jerusalém, abandonando o grupo de seguidores que se formara à sua volta. Com a morte de Jesus, o grupo começa a desfazer-se. Sem ele, não faz sentido continuar a reunir. O sonho desvaneceu-se. Com a morte de Jesus, morre também a esperança que Ele despertara nos seus corações. Não estará a acontecer algo semelhante nas nossas comunidades? Não estamos a deixar morrer a fé em Jesus?No entanto, estes discípulos continuam a falar de Jesus. Não conseguem esquecê-lo. Discutem o que aconteceu. Tentam encontrar algum significado no que vivenciaram com ele. “Enquanto conversavam, Jesus aproximou-se e caminhou com eles.” Este é o primeiro gesto do Ressuscitado. Os discípulos não o reconhecem, mas Jesus já está presente, caminhando ao lado deles. Será que Jesus não caminha hoje, oculto, ao lado de tantos fiéis que se afastam da Igreja, mas ainda se lembram d’Ele?
A intenção do narrador é clara: Jesus aproxima-se quando os discípulos se lembram dele e falam dele. Ele está presente onde quer que o seu Evangelho seja discutido, onde quer que haja interesse pela sua mensagem, onde quer que o seu modo de vida e a sua missão sejam abordados. Será que Jesus não está assim tão ausente entre nós porque falamos tão pouco dele?
Jesus está interessado em conversar com eles: “Que conversais enquanto caminhais?” Não se impõe revelando a sua identidade. Ele convida-os a continuar a partilhar as suas experiências. Conversando com ele, descobrirão a sua cegueira. Os seus olhos abrir-se-ão quando, guiados pela sua palavra, embarcarem numa viagem interior. É assim. Se nós, na Igreja, falarmos mais de Jesus e conversarmos mais com Ele, a nossa fé será renovada.
Os discípulos contam-lhe as suas expectativas e desilusões; Jesus ajuda-os a aprofundar a compreensão da identidade do Messias crucificado. Os corações dos discípulos começam a arder; sentem a necessidade de que este "estranho" fique com eles. Na celebração da Ceia Eucarística, os seus olhos abrem-se e reconhecem-no: Jesus está com eles, alimentando a sua fé!
Nós, cristãos, devemos lembrar-nos mais de Jesus: citar as suas palavras, discutir o seu modo de vida e aprofundar a sua missão. Devemos abrir ainda mais os olhos da nossa fé e descobri-lo cheio de vida nas nossas Eucaristias. Jesus não está ausente. Ele caminha ao nosso lado.
3º Domingo da Páscoa – Ano A
(Lucas 24,13-35)
19 de abril
José António Pagola
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