“Então, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: — Senhor, quantas vezes deverei perdoar o meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu: — Eu digo a você que não até sete, mas até setenta vezes sete.”. (Mt 18,21,22)
Hoje temos uma excelnte reflexão que tem como a base o texto bíblico Mateus 18,21-35 (O perdão que liberta o coração). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena conferir!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
9 Setembro 2026
APLOGIA DO PERDÃO
Quase todas as vezes que escrevi sobre o perdão, recebi cartas, geralmente anônimas, acusando-me de esquecer o sofrimento das vítimas do terrorismo, de não compreender a humilhação de alguém traído pelo cônjuge, de não ser assim simples ou banal e coisas semelhantes.
Não me é difícil compreender esta resistência ao perdão. Como poderia eu não sentir a raiva, a impotência e a dor de alguém que foi vítima de violência, desprezo ou traição? Mas precisamente o ressentimento e a agressão que percebo por detrás destas linhas fazem-me ver com mais clareza o que aconteceria a um mundo em que o perdão fosse suprimido.
Existe um mecanismo de defesa bem conhecido pelos psicólogos. Em virtude de um "mimetismo misterioso", alguém que foi vítima de agressão tende, por sua vez, a imitar o seu agressor de alguma forma. Esta é uma reação quase instintiva que surge no inconsciente individual ou coletivo e pode até ser transmitida de geração em geração.
O desejo de vingança é, sem dúvida, a resposta mais instintiva à ofensa. Uma pessoa precisa de se defender da ferida recebida, mas, como alerta o conceituado especialista Jacques Pohier, quem tenta curar a sua ferida infligindo sofrimento ao agressor está enganado. O sofrimento não tem poder mágico para curar a humilhação ou a agressão sofrida. Pode produzir uma satisfação momentânea, mas a pessoa necessita de algo mais para regressar a uma vida saudável. Henri Lacordaire disse há muito tempo: “Quer ser feliz por um momento? Vingue-se. Quer ser feliz para sempre? Perdoe.”
Por vezes esquecemo-nos que o processo de perdão beneficia mais a parte ofendida, pois liberta-a do mal, aumenta a sua dignidade e nobreza, dá-lhe força para reconstruir a sua vida e permite-lhe iniciar novos projetos. Quando Jesus nos convida a perdoar “setenta vezes sete”, convida-nos a seguir o caminho mais saudável e eficaz para erradicar o mal das nossas vidas. As suas palavras adquirem uma profundidade ainda maior para aqueles que acreditam em Deus como fonte suprema do perdão: “Perdoai, e sereis perdoados”.
24º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Mateus 18,21-35)
13 de setembro
José António Pagola
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