Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 20 de junho de 2026

“Libertando as nossas comunidades do medo”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)

“Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos”.  (Mt 10,31)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 10:26-33 (Jesus encoraja seus discípulos a não temerem a perseguição, proclamando a verdade com ousadia). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 

Por José Antonio Pagola

18 de junho de 2026

LIBERTANDO AS NOSSAS COMUNIDADES DO MEDO

As fontes cristãs apresentam Jesus como alguém dedicado a libertar as pessoas do medo. Entristecia-se ao ver pessoas aterrorizadas pelo poder de Roma, intimidadas pelas ameaças dos mestres da lei, afastadas de Deus pelo medo da sua ira e culpadas pela sua falta de fidelidade à lei. Do seu coração, repleto de Deus, apenas um desejo podia brotar: “Não tenhais medo”. Estas são palavras de Jesus que se repetem inúmeras vezes nos Evangelhos. São as palavras que deveriam ser repetidas com mais frequência na sua Igreja também hoje.

O medo apodera-se de nós quando a desconfiança, a insegurança ou a falta de liberdade interior crescem no nosso coração. Este medo é o problema central da humanidade, e só nos podemos libertar dele enraizando as nossas vidas num Deus que procura apenas o nosso bem.

Era assim que Jesus via as coisas. Por isso, dedicou-se, antes de mais, a despertar a confiança no coração das pessoas. A sua fé profunda e simples era contagiante: se Deus se preocupa com tanta ternura com os pardais do campo, os mais pequenos pássaros da Galileia, quanto mais se preocupará com você? Para Deus, você é mais importante e mais querido do que todas as aves do céu. Um cristão da primeira geração captou bem a sua mensagem: “Lançai sobre Deus toda a vossa ansiedade, pois Ele interessa-se pelo vosso bem”.

Com que força Jesus falava a cada doente: “Tende fé. Deus não se esqueceu de vós”. Com que alegria os despedia ao vê-los curados: “Ide em paz. Vivei bem”. Era o seu grande desejo: que as pessoas vivessem em paz, sem medo nem ansiedade: “Não se julguem, não se condenem, não se prejudiquem. Vivam em amizade”.

Há muitos medos que fazem as pessoas sofrer em segredo. O medo dói, dói muito. Onde o medo cresce, Deus perde-se de vista e a bondade no coração das pessoas é sufocada. A vida esvai-se, a alegria desaparece. Uma comunidade de seguidores de Jesus deve ser, acima de tudo, um lugar onde as pessoas se libertam dos seus medos e aprendem a viver confiando em Deus. Uma comunidade onde se sente uma paz contagiante e se experimenta uma amizade profunda, sendo possível ouvir hoje o chamamento de Jesus: "Não tenhais medo".

12º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 10:26-33)

21 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

sábado, 13 de junho de 2026

“Programa libertador”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Naquele tempo, vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor.” (Mt 9,36)

 

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico

Mateus 9,36-10,8 (A verdadeira missão dos discípulos de Jesus no meio da sociedade). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

Por José António Pagola

14 de junho de 2026

PROGRAMA LIBERTADOR

Muitos cristãos acreditam que vivem a sua fé de forma responsável porque se esforçam por cumprir determinadas práticas religiosas e tentam alinhar o seu comportamento com as leis morais e as normas eclesiásticas.

Da mesma forma, muitas comunidades cristãs acreditam que cumprem fielmente a sua missão porque se empenham em oferecer serviços de catequese e formação na fé e procuram celebrar o culto cristão com dignidade.

Será que era só isto que Jesus queria pôr em marcha quando enviou os seus discípulos ao mundo? Será esta a vida que ele quis incutir no coração da história?

Precisamos de ouvir novamente as palavras de Jesus para redescobrir a verdadeira missão dos crentes no meio desta sociedade. O evangelista Mateus regista o seu mandamento assim: “Ide e pregai que o reino dos céus está próximo. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demónios. De graça recebestes, de graça dai.”

A nossa primeira tarefa hoje é também proclamar que Deus está perto de nós, empenhado em preservar a felicidade da humanidade. Mas esta proclamação de um Deus salvador não se faz apenas através de discursos e palavras evocativas. Não se garante apenas através do catecismo ou da educação religiosa. Jesus recorda-nos como proclamar Deus: trabalhando desinteressadamente para dar vida nova às pessoas.

“Curar os doentes”, isto é, libertar as pessoas de tudo o que lhes rouba a vida e lhes causa sofrimento. Curar a alma e o corpo daqueles que se sentem destruídos pela dor e angustiados pela dureza impiedosa do quotidiano.

“Ressuscitar os mortos”, isto é, libertar as pessoas daquilo que bloqueia as suas vidas e mata a sua esperança. Despertar de novo o amor à vida, a confiança em Deus, a vontade de lutar e o desejo de liberdade em tantos homens e mulheres em quem a vida está a morrer lentamente.

“Purificar os leprosos”, isto é, purificar esta sociedade de tanta falsidade, hipocrisia e convencionalismo. Ajudar as pessoas a viver com mais verdade, simplicidade e honestidade.

“Expulsar os demônios” significa libertar as pessoas dos muitos ídolos que nos escravizam, nos possuem e pervertem as nossas relações. Onde quer que as pessoas sejam libertadas, aí Deus está a ser proclamado. 

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 9,36–10:8)

14 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

 

sábado, 6 de junho de 2026

“O novo domingo”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”. (Jo 6,56)

A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico João 6, 51-18 (A Eucaristia é a presença real de Jesus). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg


Por José António Pagola

3 junho 2026

O NOVO DOMINGO

O domingo já não é o que era há alguns anos. Em pouco tempo, cresceu e tornou-se o "fim de semana", que começa na sexta-feira à tarde e durante o qual a maioria das pessoas pode viver a vida de forma diferente, escapando às obrigações laborais, aos horários impostos e às rotinas diárias.

Nem todos vivemos o fim de semana da mesma forma. Para alguns, é uma verdadeira bênção: têm iniciativa, oportunidades e amigos para aproveitar estes dias. Para outros, é um período cruel, pois sentem a sua solidão, doença ou velhice com mais intensidade; o domingo só lhes desperta tristeza e nostalgia. Outros ainda temem o domingo, não sabem o que fazer com ele e acham-no aborrecido; sem futebol, seria insuportável.

Teólogos e liturgistas interrogam-se hoje sobre como será o domingo cristão no futuro. Será reduzido a uma celebração isolada da missa, sem qualquer ligação aos fins de semana das pessoas? Pelo contrário, “não seria possível”, pergunta Xabier Basurko, “integrar dinamicamente os valores humanos do fim de semana no misticismo do domingo?” O liturgista basco oferece algumas pistas.

O domingo cristão pode ser a alma do fim de semana, ajudando os fiéis a viverem melhor a sua liberdade como filhos de Deus, sem imposições ou fins utilitários. A Eucaristia poderia ajudar a recuperar a tranquilidade e a reacender a paz interior. Ao fim de semana, podemos ser um pouco mais “nós próprios”.

Além disso, o sábado podia ser resgatado como festa da criação; desta forma, o domingo poderia continuar com a celebração da salvação. Esta é a visão de alguns liturgistas. A fé ajudar-nos-ia, então, a viver o fim de semana como uma celebração do Criador e um encontro com a natureza, não através do trabalho, mas através do prazer e da contemplação.

Finalmente, a celebração da "assembleia eucarística" pode dar um significado mais profundo àquela outra dimensão do fim de semana, que é a comunicação sincera e gratificante com amigos e familiares, ou o encontro com outras pessoas e outras culturas. O fim de semana pode ser uma experiência de encontro e comunhão entre irmãos e irmãs. Será que o domingo cristão se tornará o "fermento e o sal" do fim de semana na cultura atual? Em todo o caso, podemos perguntar-nos: sabemos nós, cristãos, como extrair da Eucaristia dominical encorajamento e alegria para viver cada novo domingo?

Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – A

(João 6,51-58)

7 de junho

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook