Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.
A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.
Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)
“Jesus respondeu: Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos. Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”. (Mc 7, 6-8)
A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Marcos 7,1-8, 14-15, 21-23 (O conflito com as tradições humanas). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook. Vale a pena conferirr!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
26 de agosto de 2026
UMA RELIGIÃO VAZIA DE DEUS
Os cristãos da primeira e segunda geração se lembravam de Jesus não tanto como um homem religioso, mas como um profeta que denunciava corajosamente os perigos e as armadilhas de toda religião. Seu foco não era a observância piedosa acima de tudo, mas a busca apaixonada pela vontade de Deus.
Marcos, o Evangelho mais antigo e mais direto, apresenta Jesus em conflito com os setores mais devotos da sociedade judaica. Entre suas críticas mais radicais, duas se destacam: o escândalo de uma religião vazia de Deus e o pecado de substituir a vontade de Deus por "tradições humanas" que servem a outros interesses.
Jesus cita o profeta Isaías: "Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Sua adoração é vã; seus ensinamentos não passam de regras de homens." Então, ele denuncia claramente onde está a armadilha: "Vocês rejeitam o mandamento de Deus para se apegarem às tradições dos homens."
Este é o grande pecado. Uma vez estabelecidas as nossas regras e tradições, colocamo-las no lugar que só Deus deveria ocupar. Colocamo-las acima até mesmo da Sua vontade: nenhuma prescrição, por menor que seja, pode ser ignorada, mesmo que vá contra o amor e prejudique as pessoas.
Nessa religião, o que importa não é Deus, mas outros tipos de interesses. Deus é honrado com os lábios, mas o coração está longe d'Ele; um credo obrigatório é recitado, mas só se acredita no que é conveniente; rituais são realizados, mas não há obediência a Deus, apenas aos homens.
Pouco a pouco nos esquecemos de Deus, e depois nos esquecemos de que o esquecemos. Diminuímos o Evangelho para não termos que converter muita gente. Orientamos a vontade de Deus para o que nos interessa e nos esquecemos da Sua exigência absoluta de amor.
Este pode ser o nosso pecado hoje. Apegando-nos instintivamente a uma religião desgastada, impotentes para transformar as nossas vidas. Continuando a honrar a Deus apenas com os lábios. Resistindo à conversão e vivendo alheios ao projeto de Jesus: construir um novo mundo segundo o coração de Deus.
22º Domingo do Tempo Comum – Ano B
(Marcos 7,1-8, 14-15, 21-23)
1º de setembro
José Antonio Pagola
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