“Enquanto ele ainda estava falando, uma nuvem resplandecente os envolveu, e dela saiu uma voz, que dizia: <Este é o meu Filho amado em quem me agrado. Ouçam-no!>". (Mt 17,5)
Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 17,1-9 (Transfiguração de Jesus). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
26 Fevereiro 2026
OUVINDO JESUS NA SOCIEDADE ATUAL
Há poucos anos, a religião oferecia à maioria das pessoas critérios para interpretar a vida e princípios para guiá-la com significado e responsabilidade. Hoje, ao contrário, muitas pessoas ignoram Deus para enfrentar sozinhas suas vidas, desejos, medos e expectativas.
Não é uma tarefa fácil. Provavelmente nunca foi tão difícil e problemático para os indivíduos parar para pensar, refletir e tomar decisões sobre si mesmos e sobre o que é importante em suas vidas. Vivemos imersos em uma "cultura da irrelevância", que prende as pessoas ao "aqui" e ao "agora", fazendo-as viver apenas para o imediato, sem qualquer abertura para o mistério último da vida. Movemo-nos dentro de uma "cultura do entretenimento" que distancia as pessoas de si mesmas e as faz viver alheias às grandes questões que carregam em seus corações.
O homem moderno aprendeu muitas coisas, está informado sobre tudo o que acontece no mundo ao seu redor, mas não conhece o caminho para o autoconhecimento e o caminho para construir sua liberdade. Muitos concordariam com a descrição sombria oferecida há alguns anos pelo diretor de La Croix, G. Hourdin: “O homem está se tornando incapaz de amar, de ser livre, de julgar por si mesmo, de mudar seu modo de vida. Ele está se tornando o robô disciplinado que trabalha para ganhar dinheiro, que depois desfrutará em férias coletivas. Ele lê revistas de moda, assiste aos programas de televisão que todos os outros assistem. Dessa forma, ele aprende o que é, o que quer e como deve pensar e viver.”
Mais do que nunca, precisamos atender ao chamado do Evangelho: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ouçam-no.” Precisamos parar, silenciar e ouvir com mais atenção a Deus revelado em Jesus. Essa escuta interior nos ajuda a viver na verdade, a saborear a vida em sua essência, a não desperdiçá-la de forma alguma, a não passar superficialmente pelo essencial. Escutando Deus encarnado em Jesus, descobrimos nossa pequenez e pobreza, mas também nossa grandeza como seres infinitamente amados por Ele.
Cada pessoa é livre para viver escutando a Deus ou virando-Lhe as costas. Mas, em todo caso, há algo que todos devemos lembrar, mesmo que pareça escandaloso e contrário à cultura dominante: viver sem um propósito último é viver "insensatamente"; agir sem escutar a voz interior da consciência é ser "inconsciente".
2º Domingo da Quaresma – Ano A
(Mateus 17,1-9)
1º de março
José Antonio Pagola
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Fonte: Facebook




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