Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

“Viver pela sua presença”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco”. (João 20,19)

 

Abaixo, uma excelente reflexão sobre o texto bíblico João 20, 19-32 (Jesus ressuscitado aparece aos seus discípulos). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Muito bom!

WCejnóg

 

Por José Antonio Pagola

8 abril 2026

VIVER PELA SUA PRESENÇA

O relato de João não podia ser mais evocativo e desafiante. Só quando vêem Jesus ressuscitado no seu meio é que o grupo de discípulos se transforma. Recuperam a paz, os seus medos desaparecem, são preenchidos por uma alegria desconhecida, sentem o sopro de Jesus sobre eles e abrem as portas porque se sentem enviados para viver a mesma missão que receberam do Pai.

A atual crise da Igreja, os seus medos e a sua falta de vigor espiritual têm as suas origens num nível profundo. Muitas vezes, a ideia da ressurreição de Jesus e da sua presença entre nós é mais uma doutrina pensada e pregada do que uma experiência vivida.

Cristo ressuscitado está no centro da Igreja, mas a sua presença viva não está enraizada em nós, não está incorporada na substância das nossas comunidades, não alimenta normalmente os nossos projetos. Após vinte séculos de cristianismo, Jesus não é conhecido nem compreendido na sua originalidade. Não é amado nem seguido como foi pelos seus primeiros discípulos.

É imediatamente perceptível quando um grupo ou comunidade cristã se sente habitada por esta presença invisível, mas real e ativa, do Cristo ressuscitado. Não se contentam em seguir rotineiramente as orientações que regulam a vida eclesial. Possuem uma sensibilidade especial para ouvir, procurar, recordar e aplicar o Evangelho de Jesus. São os espaços mais saudáveis ​​e vibrantes da Igreja.

Nada nem ninguém nos pode dar hoje a força, a alegria e a criatividade   que necessitamos para enfrentar uma crise sem precedentes como quando falta a presença viva de Cristo ressuscitado. Privados do seu vigor espiritual, não emergiremos da nossa passividade quase inata, continuaremos de portas fechadas ao mundo moderno, continuaremos a fazer "o que é ordenado", sem alegria nem convicção. Onde encontraremos a força necessária para recriar e reformar a Igreja?

Precisamos de reagir. Precisamos de Jesus mais do que nunca. Precisamos de viver pela sua presença viva, recordar os seus ensinamentos e o seu Espírito em todas as oportunidades, refletir constantemente sobre a sua vida e deixar que Ele seja a inspiração para as nossas ações. Ele pode dar-nos mais luz e mais força do que qualquer outra pessoa. Ele está entre nós, partilhando conosco a Sua paz, a Sua alegria e o Seu Espírito. 

2º Domingo da Páscoa – Ano A

(João 20, 19-32)

12 de abril

José António Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com 

Fonte: Facebook

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