“E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa”. (Mt 10,42)
A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 10,37-42 (Custo e a recompensa de ser discípulo de Jesus). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena ler!
WCejnóg
Por José António Pagola
18 de junho de 2026
APRENDENDO A DOAR
Por vezes não é assim tão fácil responder até às perguntas mais simples. Muitas vezes ouvimos dizer que amar é dar. Mas o que é dar? Muitos presumem que dar é simplesmente privar-se de algo, abdicar de algo, "sacrificar-se" ao desapegar-se de algo. Estamos tão condicionados pela nossa sociedade assistencialista e tão inclinados a possuir, acumular e ganhar, que "dar" nos parece improdutivo. Um empobrecimento que não estamos dispostos a aceitar. Na nossa sociedade, alguém que dá sem receber é considerado impraticável, irrealista e pouco inteligente.
No entanto, dar é algo completamente diferente. O ato de dar é a expressão mais rica de vitalidade, riqueza e poder criativo. Quando damos realmente algo, experimentamo-nos como pessoas cheias de vida, transbordantes, com a capacidade de enriquecer os outros, mesmo que de uma forma muito modesta. "Só o amor torna a vida digna de ser vivida". “Só ajudar os outros traz a verdadeira alegria de viver” (Karl Tillmann).
Dar significa estar vivo e ser rico. Quem tem muito e não sabe dar não é rico. É um homem pequeno, impotente e pobre, por mais que possua. Na realidade, só é rico quem é capaz de dar algo de si aos outros.
Todos precisamos de ouvir com mais atenção e profundidade as palavras de Jesus. Nem mesmo o copo de água fresca que damos a um pobre sedento ficará sem recompensa. Devemos aprender a dar o que está vivo dentro de nós e que pode fazer bem aos outros; a dar a nossa alegria, compreensão, encorajamento, esperança, acolhimento ou proximidade.
Muitas vezes, não se trata de coisas grandiosas ou espetaculares. Simplesmente, “um copo de água fresca”: um sorriso acolhedor, uma escuta atenta, uma ajuda para levantar o ânimo de alguém abatido, um gesto de solidariedade, uma visita, um sinal de apoio e amizade. Não nos esqueçamos disso. No âmago da vida, existe alguém que abençoa, acolhe e recompensa cada ato de amor, por mais pequeno que possa parecer. O seu nome é Deus, nosso Pai.
13º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Mateus 10,37-42)
28 de junho
José António Pagola
buenasnoticias@ppc-editorial.com
Fonte: Facebook




Nenhum comentário:
Postar um comentário