“Escutai vós, pois, a parábola do semeador.
Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado junto ao caminho.
O que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria;
Mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição, por causa da palavra, logo se ofende;
E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera;
Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta." . (Mt 13, 18-23)
Hoje temos uma ótima reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 13,1-23 (Parábola do Semeador). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena ler!
WCejnóg
Por José António Pagola
8 de julho de 2026
SEMEAR COM FÉ
Em poucos anos, estamos a passar de uma sociedade profundamente religiosa, onde o cristianismo desempenhava um papel decisivo na vida das pessoas e na interação social, para um estilo de vida mais secular e laico, onde a religião está a perder importância.
Habituados a uma "sociedade cristã" onde a religião estava visivelmente presente nas nossas ruas, praças, escolas e lares, muitos fiéis sentem-se inquietos e sofrem perante esta nova situação.
Além disso, quase sem nos apercebermos, podemos chegar à conclusão de que o Evangelho perdeu a sua força anterior e que a mensagem de Jesus já não tem a força nem a convicção para ressoar no homem moderno.
Por isso, é necessário ouvir atentamente a parábola de Jesus. Mesmo na sua aparente insignificância e modéstia, o Evangelho contém ainda um poderoso potencial para "salvar" a humanidade daquilo que a desumaniza. Dificilmente encontraremos algo ou alguém que possa dar um sentido mais humano e libertador às nossas vidas.
É certo que, para exercer o seu poder libertador, este evangelho deve ser apresentado fielmente, em toda a sua verdade, as suas exigências e a sua esperança. Sem distorções nem covardias. Sem preconceitos intencionais ou manipulação egoísta.Também é verdade que o evangelho exige uma aceitação sincera e uma disponibilidade total. E há muitos fatores que, como a riqueza, os interesses egoístas ou a covardia, podem abafar e anular a eficácia das palavras de Jesus.
Mas o evangelho ainda hoje possui um poder humanizador insuspeito. Esquecer isso seria um erro lamentável para a sociedade moderna. Em todo o caso, nós, crentes, devemos lembrar-nos que este não é um tempo de "colher", mas um tempo de semear com fé no poder renovador contido no evangelho.
15º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Mateus 13,1-23)
12 de julho
José António Pagola
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Fonte: Facebook




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