“E João deu o seguinte testemunho, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo”. (Jo, 29,32-33)
Hoje temos mais uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico João 1,29-34 (O testemunho de João Batista). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
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Por José Antonio Pagola
14 Janeiro 2026
AMANDO A VIDA
As pessoas não querem ouvir falar de espiritualidade porque não sabem o que essa palavra abrange; desconhecem que ela significa mais do que religiosidade e que não é sinônimo do que tradicionalmente se entende por piedade. "Espiritualidade" significa viver uma "relação vital" com o Espírito de Deus, e isso só é possível quando Deus é vivenciado como a "fonte da vida" em cada experiência humana.
Como explicou Jürgen Moltmann, viver em contato com o Espírito de Deus "não leva a uma espiritualidade que desconsidera os sentidos, voltada para dentro, hostil ao corpo e distante do mundo, mas sim a uma renovada vitalidade do amor pela vida". Diante do que está morto, petrificado ou insensível, o Espírito sempre desperta o amor pela vida. Portanto, viver "espiritualmente" é "viver contra a morte", afirmar a vida apesar da fraqueza, do medo, da doença ou da culpa. Aqueles que vivem abertos ao Espírito de Deus ressoam com tudo o que nutre a vida e se rebelam contra tudo o que a prejudica e destrói.
Esse amor pela vida gera um tipo diferente de alegria, ensinando-nos a viver de maneira amigável e aberta, em paz com todos, dando vida uns aos outros, acompanhando-nos mutuamente na tarefa de tornar nossas vidas mais dignas e alegres. Jürgen Moltmann ousa chamar essa energia vital que o Espírito infunde em uma pessoa de "energia erótica", pois ela torna a vida alegre, atraente e cativante.
Essa experiência espiritual expande o coração: começamos a sentir que nossas expectativas e anseios mais profundos se misturam com as promessas de Deus; nossa vida finita e limitada se abre para o infinito. Então, descobrimos também que "santificar a vida" não significa moralizá-la, mas vivê-la a partir da perspectiva do Espírito Santo, isto é, vê-la e amá-la como Deus a vê e a ama: boa, digna e bela, aberta à felicidade eterna.
Esta, segundo João Batista, é a grande missão de Cristo: "batizar-nos com o Espírito Santo", ensinar-nos a viver em comunhão com o Espírito. Só isso pode nos libertar de uma maneira triste e limitada de compreender e viver a fé em Deus.
2º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(João 1:29-34)
18 de janeiro
José Antonio Pagola
buenasnoticias@ppc-editorial.com
Fonte: Facebook



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