Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 3 de outubro de 2026

“O perigo de sufocar a voz dos profetas”. – Reflexão de José Antonio Pagola.


“Portanto, quando vier o dono da vinha, o que ele fará àqueles lavradores? Eles responderam: Fará que esses perversos tenham um fim terrível e arrendará a vinha a outros lavradores, que lhe deem a sua parte no tempo da colheita”. (Mt 21:40,41)

 

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico Mateus 21,33-43 (A parábola dos Lavradores homicidas). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

30 de setembro de 2029

O PERIGO DE SUFOCAR A VOZ DOS PROFETAS

Quando, no ano 70, as tropas romanas destruíram Jerusalém e o povo judeu desapareceu como nação, os cristãos fizeram uma leitura terrível desse fato trágico. Israel, aquele povo tão amado por Deus, não soube responder aos seus apelos. Seus líderes religiosos foram matando os profetas enviados por Ele; por fim, crucificaram o seu próprio Filho. Agora, Deus os abandona e permite a sua destruição: Israel será substituído pela Igreja cristã.

Era assim que os primeiros cristãos interpretavam a parábola dos "vinhateiros homicidas", dirigida por Jesus aos sumos sacerdotes de Israel. Os trabalhadores encarregados de cuidar da "vinha do Senhor" vão matando, um após o outro, os servos que Ele lhes envia para recolher os frutos. Por fim, matam também o filho do proprietário, com a intenção de eliminar o herdeiro e ficar com a vinha. Ao senhor não resta outra alternativa senão matá-los e entregar a sua vinha a outros trabalhadores mais fiéis.

Essa parábola não foi registrada pelos evangelistas para alimentar o orgulho da Igreja — o novo Israel — diante do povo judeu, derrotado por Roma e disperso por todo o mundo. A preocupação era outra: será que pode acontecer com a Igreja cristã o mesmo que aconteceu com o antigo Israel? Será que ela pode frustrar as expectativas de Deus? E, se a Igreja não produzir os frutos que Ele espera, que caminhos Deus seguirá para realizar os seus planos de salvação?

O perigo é sempre o mesmo. Israel sentia-se seguro: possuía as Escrituras Sagradas; tinha o templo; o culto era celebrado escrupulosamente; a Lei era pregada; as instituições eram defendidas. Nada de novo parecia necessário. Bastava manter tudo em ordem. É o maior perigo que pode acontecer a uma religião: que a voz dos profetas seja sufocada e que os sacerdotes, sentindo-se donos da "vinha do Senhor", queiram administrá-la como propriedade sua.

Esse também é o nosso perigo. Pensar que a fidelidade da Igreja está garantida pelo fato de pertencer à Nova Aliança. Sentir-nos seguros por ter Cristo como propriedade nossa. No entanto, Deus não é propriedade de ninguém. Sua vinha pertence somente a Ele. E, se a Igreja não produzir os frutos que Ele espera, Deus continuará abrindo novos caminhos de salvação.

27º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 21,33-43)

4 de outubro

José Antonio Pagola

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Fonte: Facebook