"Por fim veio o que tinha recebido um talento
e disse: ‘Eu sabia que o senhor é um homem severo, que colhe onde não plantou e
junta onde não semeou. Por isso, tive medo, saí e escondi o seu talento no
chão. Veja, aqui está o que lhe pertence’.
O senhor respondeu: ‘Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não
plantei e junto onde não semeei? Então você devia ter confiado o meu dinheiro
aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros. ‘Tirem
o talento dele e entreguem-no ao que tem dez. Pois a quem tem, mais será dado,
e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado’.” (Mt 25,24-29)
A reflexão que trago hoje para o blog Indagações-Zapytania, do padre e teólogo espanhol José Antônio Pagola, é muito especial e importante. Tem como pano de fundo o texto bíblico Mt 25, 14-30 (Parábola dos talentos). Foi publicado no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU). Vale a pana ler!
WCejnóg
IHU – ADITAL
13 Novembro 2020
A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Mateus 25,14-30, que corresponde ao 33° Tempo Ordinário, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.
Eis o texto.
A parábola dos talentos é um relato aberto que se presta a leituras diversas. De fato, comentadores e predicadores interpretaram-no com frequência num sentido alegórico, orientado em diferentes direções. É importante que nos centremos na atuação do terceiro servo, pois ocupa a maior atenção e espaço na parábola.
A sua conduta é estranha. Enquanto os outros servos se dedicam a fazer frutificar os bens que lhes confiou o seu senhor, o terceiro não lhe ocorre nada melhor do que «esconder debaixo da terra» o talento recebido para o conservar seguro. Quando o senhor chega, condena-o como servo «negligente e preguiçoso» que não entendeu nada. Como se explica o seu comportamento?
Este servo não se sente identificado com o seu
senhor nem com os seus interesses. Em nenhum momento atua movido pelo amor. Não
ama o seu senhor, tem-lhe medo. E é precisamente esse medo que o leva a
agir procurando a sua própria segurança. Ele mesmo explica tudo: «Tive medo e
fui esconder o meu talento debaixo da terra».
Este servo não entende em que consiste a sua verdadeira responsabilidade. Pensa
que está a responder às expectativas de seu senhor, conservando o seu talento
seguro, mas improdutivo. Não sabe o que é uma fidelidade ativa e criativa.
Não se envolve nos projetos do seu senhor. Quando este chega, diz-lhe
claramente: «Aqui tens o teu».
Nestes momentos em que, ao que parece, o cristianismo de não poucos chegou a um ponto em que o primordial é «conservar» e não tanto procurar com coragem caminhos novos para acolher, viver e anunciar o seu projeto de reino de Deus, temos de escutar atentamente a parábola de Jesus. Hoje diz-nos a nós.
Se nunca nos sentimos chamados a seguir as exigências de Cristo além do que sempre é ensinado e ordenado; se não arriscamos nada para fazer uma igreja mais fiel a Jesus; se nos mantemos alheios a qualquer conversão que nos possa complicar a vida; se não assumimos a responsabilidade do reino, como o fez Jesus, procurando «vinho novo em odres novos», é que necessitamos de aprender a fidelidade ativa, criativa e arriscada à qual nos convida a sua parábola.
Fonte: IHU – Comentário doEvangelho
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