“Pela terceira vez, ele lhe disse: <Simão, filho de João,
você me ama?>"
Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez <Você me
ama?> e lhe disse: <Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo>.
Disse-lhe Jesus: <Cuide das minhas ovelhas>. (Jo 21, 17)
Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico João 21,1-19 (O amor em primeiro lugar). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena ler!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
28 Abril 2022
VOCÊ ME AMA?
Esta pergunta que o Ressuscitado dirige a Pedro lembra a todos nós que nos dizemos crentes que a vitalidade da fé não é uma questão de compreensão intelectual, mas de amor a Jesus Cristo.
É o amor que permite a Pedro entrar em relação viva com Cristo ressuscitado e que pode também nos introduzir no mistério cristão. Quem não ama dificilmente pode "entender" alguma coisa da fé cristã.
Não devemos esquecer que o amor brota em nós quando começamos a nos abrir para outra pessoa em uma atitude de confiança e dedicação que sempre vai além das razões, testes e demonstrações. De alguma forma, amar é sempre "aventurar-se" no outro.
Este também é o caso da fé cristã. Tenho motivos que me convidam a crer em Jesus Cristo. Mas, se eu o amo, não é em última instância pelos dados que os pesquisadores me fornecem ou pelas explicações que os teólogos encontram para mim, mas porque ele desperta em mim uma confiança radical em sua pessoa.
Mas há algo mais. Quando realmente amamos uma pessoa específica, pensamos nela, procuramos por ela, ouvimos, nos sentimos próximos dela. De alguma forma, toda a nossa vida é tocada e transformada por ela, por sua vida e seu mistério.
A fé cristã é "uma experiência de amor". Portanto, crer em Jesus Cristo é muito mais do que “aceitar verdades” sobre ele. Acreditamos realmente quando experimentamos que ele se torna o centro do nosso pensamento, do nosso amor e de todo o nosso viver. Um teólogo tão pouco suspeito de frivolidade como Karl Rahner não hesita em afirmar que só podemos crer em Jesus Cristo "na suposição de que queremos amá-lo e ter a coragem de abraçá-lo".
Esse amor por Jesus não reprime nem destrói nosso amor pelas pessoas. Pelo contrário, é justamente aquele que pode dar-lhe a sua verdadeira profundidade, libertando-o da mediocridade e da mentira. Quando se vive em comunhão com Cristo, é mais fácil descobrir que o que chamamos "amor" muitas vezes nada mais é do que o "egoísmo sensato e calculista" de quem sabe se comportar com habilidade, sem nunca arriscar amar com generosidade total.
A experiência do amor a Cristo pode nos dar força para amar mesmo sem sempre esperar algum ganho ou abrir mão – pelo menos às vezes – de pequenas vantagens para melhor servir a quem precisa de nós. Talvez algo realmente novo acontecesse em nossas vidas se pudéssemos ouvir com sinceridade a pergunta do Ressuscitado: "Você me ama?"
3 Páscoa – C
(João 21,1-19)
1º de maio de 2022
Jose Antonio Pagola
goodnews@ppc-editorial.com
Fonte: Facebook