“Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará ao outro, ou se dedicará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". (Lc 16,13)
Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico
Lucas 16,1-13 (Deus ou dinheiro: a quem servimos?). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena conferir!
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Por José Antonio Pagola
17 de setembro de 2025
A LÓGICA DE JESUS
Jesus já era adulto quando Antipas colocou em circulação as moedas cunhadas em Tiberíades. Sem dúvida, a monetização representou um progresso no desenvolvimento da Galileia, mas não promoveu uma sociedade mais justa e equitativa. Foi o contrário.
Os ricos das cidades agora podiam operar seus negócios com mais eficiência. A monetização permitiu que eles "acumulassem" moedas de ouro e prata que lhes davam segurança, honra e poder. Por isso, chamavam esse tesouro de "mammon", dinheiro "que dá segurança".
Enquanto isso, os camponeses mal conseguiam obter algumas moedas de bronze ou cobre de pouco valor. Era impensável acumular mamon em uma aldeia. Eles tinham o suficiente para sobreviver trocando seus modestos produtos entre si.
Como quase sempre acontece, o progresso deu mais poder aos ricos e empurrou os pobres um pouco mais para baixo. Assim, era impossível abraçar o reino de Deus e sua justiça. Jesus não se calou: "Nenhum servo pode servir a dois senhores, pois se dedicará a um e desprezará o outro... Não se pode servir a Deus e ao Dinheiro (mammona)". É preciso escolher. Não há alternativa.
A lógica de Jesus é avassaladora. Se alguém vive subjugado pelo Dinheiro, pensando apenas em acumular bens, não pode servir a esse Deus que deseja uma vida mais justa e digna para todos, a começar pelos menores.
Para ser de Deus, não basta fazer parte do povo eleito ou adorá-lo no templo. É preciso permanecer livre diante do Dinheiro e atender ao seu chamado para trabalhar por um mundo mais humano.
Algo está errado com o cristianismo dos países ricos quando nos esforçamos para aumentar nosso bem-estar sem nos sentirmos desafiados pela mensagem de Jesus e pelo sofrimento dos pobres do mundo. Algo está errado quando tentamos viver o impossível: a adoração a Deus e a adoração ao Bem-Estar.
Algo está errado na Igreja de Jesus quando, em vez de gritar com nossas palavras e com nossas vidas que a fidelidade a Deus e o culto às riquezas não são possíveis, contribuímos para acalmar as consciências desenvolvendo uma religião burguesa e tranquilizadora.
25º Tempo Comum – C
(Lucas 16,1-13)
21 de setembro
José Antonio Pagola
buenasnoticias@ppc-editorial.com
Fonte: Facebook



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