“Disse o pai: <Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu.
Mas nós tínhamos que celebrar a volta deste seu irmão e alegrar-nos, porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado>". (Lc 15, 31-32)
Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico Lucas 15,1-32 (Parábola do “bom pai”). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.
O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena conferir!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
10 de setembro de 2025
O OUTRO FILHO
Sem dúvida, a parábola mais cativante de Jesus é a do "bom pai", erroneamente chamada de "parábola do filho pródigo". Esse "filho mais novo" quase sempre atraiu a atenção de comentaristas e pregadores. Seu retorno ao lar e a incrível acolhida do pai comoveram todas as gerações cristãs.
No entanto, a parábola também fala do "filho mais velho", um homem que permanece com o pai sem imitar a vida desordenada do irmão fora de casa. Ao ser informado da festa que seu pai está organizando para acolher o filho perdido, ele fica perplexo. O retorno do irmão não lhe traz alegria, como aconteceu com seu pai, mas raiva: "Ele fica indignado e se recusa a entrar" na festa. Ele nunca saiu de casa, mas agora se sente um estrangeiro entre os seus.
O pai sai para convidá-lo com o mesmo carinho com que acolheu seu irmão. Ele não grita com ele nem lhe dá ordens. Com amor humilde, "tenta persuadi-lo" a entrar na festa de boas-vindas. É então que o filho explode, revelando todo o seu ressentimento. Passou a vida inteira seguindo as ordens do pai, mas não aprendeu a amar como ama. Só sabe exigir seus direitos e denegrir o irmão.
Esta é a tragédia do filho mais velho. Ele nunca saiu de casa, mas seu coração sempre esteve longe. Sabe guardar os mandamentos, mas não sabe amar. Não compreende o amor do pai por aquele filho perdido. Não acolhe nem perdoa, não quer saber nada sobre o irmão. Jesus conclui sua parábola sem satisfazer nossa curiosidade: entrou na festa ou ficou de fora?
Apanhados pela crise religiosa da sociedade moderna, habituámo-nos a falar de crentes e não crentes, praticantes e separados, casamentos abençoados pela Igreja e casais em situação irregular... Enquanto continuamos a classificar os seus filhos e filhas, Deus continua a esperar por todos nós, pois Ele não é propriedade apenas dos bons ou dos praticantes. Ele é o Pai de todos.
O "filho mais velho" desafia aqueles de nós que acreditam viver ao seu lado. O que estamos a fazer, nós que não abandonámos a Igreja? Estamos a garantir a nossa sobrevivência religiosa observando os preceitos da melhor forma possível, ou somos testemunhas do grande amor de Deus por todos os seus filhos e filhas? Estamos a construir comunidades abertas que compreendem, acolhem e acompanham aqueles que buscam a Deus em meio a dúvidas e questionamentos? Estamos a levantar barreiras ou a construir pontes? Oferecemos-lhes amizade ou olhamos para eles com desconfiança?
24º Tempo Comum – C
(Lucas 15,1-32)
14 de setembro
José Antonio Pagola
buenasnoticias@ppc-editorial.com
Fonte: Facebook




Nenhum comentário:
Postar um comentário