Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 13 de setembro de 2025

“O outro filho”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

“Disse o pai: <Meu filho, você está sempre comigo, e tudo o que tenho é seu.

Mas nós tínhamos que celebrar a volta deste seu irmão e alegrar-nos, porque ele estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi achado>". (Lc 15, 31-32)

Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico Lucas 15,1-32 (Parábola do “bom pai”). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

10 de setembro de 2025

O OUTRO FILHO

Sem dúvida, a parábola mais cativante de Jesus é a do "bom pai", erroneamente chamada de "parábola do filho pródigo". Esse "filho mais novo" quase sempre atraiu a atenção de comentaristas e pregadores. Seu retorno ao lar e a incrível acolhida do pai comoveram todas as gerações cristãs.

No entanto, a parábola também fala do "filho mais velho", um homem que permanece com o pai sem imitar a vida desordenada do irmão fora de casa. Ao ser informado da festa que seu pai está organizando para acolher o filho perdido, ele fica perplexo. O retorno do irmão não lhe traz alegria, como aconteceu com seu pai, mas raiva: "Ele fica indignado e se recusa a entrar" na festa. Ele nunca saiu de casa, mas agora se sente um estrangeiro entre os seus.

O pai sai para convidá-lo com o mesmo carinho com que acolheu seu irmão. Ele não grita com ele nem lhe dá ordens. Com amor humilde, "tenta persuadi-lo" a entrar na festa de boas-vindas. É então que o filho explode, revelando todo o seu ressentimento. Passou a vida inteira seguindo as ordens do pai, mas não aprendeu a amar como ama. Só sabe exigir seus direitos e denegrir o irmão.

Esta é a tragédia do filho mais velho. Ele nunca saiu de casa, mas seu coração sempre esteve longe. Sabe guardar os mandamentos, mas não sabe amar. Não compreende o amor do pai por aquele filho perdido. Não acolhe nem perdoa, não quer saber nada sobre o irmão. Jesus conclui sua parábola sem satisfazer nossa curiosidade: entrou na festa ou ficou de fora?

Apanhados pela crise religiosa da sociedade moderna, habituámo-nos a falar de crentes e não crentes, praticantes e separados, casamentos abençoados pela Igreja e casais em situação irregular... Enquanto continuamos a classificar os seus filhos e filhas, Deus continua a esperar por todos nós, pois Ele não é propriedade apenas dos bons ou dos praticantes. Ele é o Pai de todos.

O "filho mais velho" desafia aqueles de nós que acreditam viver ao seu lado. O que estamos a fazer, nós que não abandonámos a Igreja? Estamos a garantir a nossa sobrevivência religiosa observando os preceitos da melhor forma possível, ou somos testemunhas do grande amor de Deus por todos os seus filhos e filhas? Estamos a construir comunidades abertas que compreendem, acolhem e acompanham aqueles que buscam a Deus em meio a dúvidas e questionamentos? Estamos a levantar barreiras ou a construir pontes? Oferecemos-lhes amizade ou olhamos para eles com desconfiança?

24º Tempo Comum – C

(Lucas 15,1-32)

14 de setembro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook

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