Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 29 de novembro de 2025

“Ainda estamos despertos? ” – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”. (Mt 24,42)

 

Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico Mt 24, 37-44 (Hora de despertar e ficar atento). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena ler!

WCejnóg

 Por José Antonio Pagola

26 Novembro 2025

AINDA ESTAMOS DESPERTOS?

Um dia, a fascinante história da humanidade chegará ao fim, assim como a vida de cada um de nós inevitavelmente termina. Os Evangelhos colocam um discurso sobre esse fim na boca de Jesus e sempre enfatizam uma exortação: "Vigiai", "Estai alertos", "Vivei despertos". As primeiras gerações cristãs atribuíram grande importância a essa vigilância. O fim do mundo não chegaria tão cedo quanto alguns pensavam. Eles sentiam o risco de gradualmente esquecer Jesus e não queriam que ele os encontrasse um dia "adormecidos".

Muitos séculos se passaram desde então. Como nós, cristãos, vivemos hoje? Ainda estamos despertos ou adormecemos gradualmente? Somos atraídos por Jesus ou distraídos por todo tipo de assuntos secundários? Seguimos Jesus ou aprendemos a viver como todos os outros?

Ser vigilante é, antes de tudo, despertar da inconsciência. Pois, muitas vezes vivemos o "sonho" de sermos cristãos quando, na realidade, nossos interesses, atitudes e estilo de vida frequentimente não são os de Jesus. Este "sonho" não nos ajuda na busca por nossa conversão pessoal e pela conversão da Igreja. Se não "acordarmos", continuaremos a nos enganar.

Ser vigilante é viver atento à realidade. É ouvir os clamores daqueles que sofrem. É sentir o amor de Deus pela vida. É estar mais atento à sua misteriosa presença entre nós. Sem essa sensibilidade, é impossível seguir os passos de Jesus.

Às vezes, vivemos imunes aos chamados do Evangelho. Temos corações, mas eles se endureceram; temos ouvidos, mas não ouvimos o que Jesus ouviu; temos olhos, mas não vemos a vida como ele a via, nem olhamos para as pessoas como ele as olhava. Então, o que Jesus queria evitar entre seus seguidores pode acontecer: vê-los como "cegos guiando cegos".

Se não despertarmos, todos poderemos acabar como aqueles da parábola que, mesmo no fim dos tempos, ainda perguntavam: “Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te assistimos?”

 

1º Domingo do Advento – Ano A

(Mateus 24,37-44)

30 de novembro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

 

Fonte:Facebook

 

sábado, 22 de novembro de 2025

“Zombar ou invocar? ”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

“Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando vieres em teu reino.” (Lc 23,40-42)

Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico

Lucas 23,35-43 (Cristo Rei). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Muito bom!

WCejnóg

 Por José Antonio Pagola

20 Novembro 2025

ZOMBAR OU INVOCAR?

Lucas descreve tragicamente a agonia de Jesus em meio ao escárnio e zombaria daqueles ao seu redor. Ninguém parece compreender seu sacrifício. Ninguém captou seu amor pelos mais necessitados. Ninguém viu em seu rosto o olhar compassivo de Deus para com a humanidade.

De longe, as "autoridades" religiosas e o "povo" zombam de Jesus, fazendo caretas: "Salvou outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias." Os soldados de Pilatos, vendo-o com sede, oferecem-lhe vinho avinagrado, uma bebida popular entre eles, enquanto riem dele: "Se você é o Rei dos Judeus, salve-se a si mesmo." Um dos criminosos crucificados ao seu lado diz a mesma coisa: "Você não é o Messias? Então salve-se a si mesmo."

Lucas repete a zombaria três vezes: "Salve-se a si mesmo!" Que tipo de "Messias" pode ser esse se não tem poder para se salvar? Que tipo de "Rei" pode ser ele? Como ele poderá salvar seu povo da opressão de Roma se não puder escapar dos quatro soldados que guardam sua agonia? Como Deus poderá estar ao seu lado se não intervir para libertá-lo?

De repente, em meio a tanta zombaria, surge uma invocação: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. É o outro criminoso que reconhece a inocência de Jesus, confessa sua culpa e, cheio de confiança no perdão de Deus, pede apenas que Jesus se lembre dele. Jesus responde imediatamente: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Agora ambos estão morrendo, unidos na impotência e no desamparo. Mas hoje ambos estarão juntos, desfrutando da vida do Pai.

O que seria de nós se o Mensageiro de Deus buscasse sua própria salvação escapando da cruz que o une para sempre a todos os crucificados ao longo da história? Como poderíamos crer em um Deus que nos deixaria atolados em nosso pecado e impotência diante da morte?

Há aqueles que, ainda hoje, zombam do Crucificado. Eles não sabem o que estão fazendo. Eles não fariam isso com Martin Luther King. Estão zombando do homem mais humano que a história já conheceu. Qual é a postura mais digna diante deste Crucificado, a suprema personificação da proximidade de Deus com o sofrimento do mundo: zombar dele ou invocá-lo?

Jesus Cristo, Rei do Universo – 34 C

(Lucas 23:35-43)

23 de novembro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Faceboo

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sábado, 15 de novembro de 2025

“Para declarar o consumado”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)

 

 “E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse: Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que não se deixará pedra sobre pedra, que não seja derrubada”. (Lc 21, 5-6)


Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico

Lucas 21, 5-19 (O sermão profético). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Muito bom!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

15 Novembro 2025

PARA DECLARAR O CONSUMADO

Esta é a última visita de Jesus a Jerusalém. Alguns dos que o acompanham ficam maravilhados com "a beleza do templo". Jesus, por outro lado, sente algo muito diferente. Seus olhos proféticos enxergam o templo mais profundamente: naquele lugar magnífico, o reino de Deus não é acolhido. É por isso que Jesus declara o consumado: "Quanto a estas coisas que vocês veem, dias virão em que não ficará pedra sobre pedra; tudo será derrubado".

De repente, suas palavras destroem o autoengano que permeia o templo. Aquele esplêndido edifício alimenta uma falsa ilusão de eternidade. Essa maneira de viver a religião sem abraçar a justiça de Deus ou ouvir o clamor dos que sofrem é enganosa e perecível: "Tudo será derrubado".

As palavras de Jesus não brotam da raiva. Muito menos do desprezo ou do ressentimento. O próprio Lucas nos conta, um pouco antes, que, ao se aproximar de Jerusalém e ver a cidade, Jesus "chorou". Seu choro é profético. Os poderosos não choram. O profeta da compaixão, sim.

Jesus chora diante de Jerusalém porque ama a cidade mais do que qualquer outra pessoa. Ele chora por uma “velha religião” que não se abre ao reino de Deus. Suas lágrimas expressam sua solidariedade com o sofrimento de seu povo e, ao mesmo tempo, sua crítica radical a esse sistema religioso que impede a visita de Deus: Jerusalém — a cidade da paz! — “não sabe o que conduz à paz”, porque “está oculto aos seus olhos”.

As ações de Jesus lançam luz considerável sobre a situação atual. Às vezes, em tempos de crise, como o nosso, a única maneira de abrir caminhos para a novidade criativa do reino de Deus é pôr fim àquilo que alimenta uma religião ultrapassada, que não consegue gerar a vida que Deus quer trazer ao mundo.

Pôr fim a algo vivido de forma sagrada por séculos não é fácil. Não se faz isso condenando aqueles que querem preservá-lo como eterno e absoluto. Faz-se isso "com lágrimas", pois as mudanças exigidas pela conversão ao Reino de Deus causam sofrimento a muitos. Os profetas denunciam o pecado da Igreja que chora.

33º Domingo do Tempo Comum – Ano C

(Lucas 21, 5-19)

16 de novembro

José Antonio Pagola

buenasnoticias@ppc-editorial.com

Fonte: Facebook