“Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos.". (Lc 20, 38)
Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico Lucas 20, 27-38 (Os saduceus e a ressurreição). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Vale a pena conferir!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
5 Novembro 2025
AMIGO DA VIDA
“Deus é amigo da vida.” Esta era uma das convicções fundamentais de Jesus. Por isso, ao discutir um dia com um grupo de saduceus que negavam a ressurreição, ele confessou claramente a sua fé: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos.”
Jesus não conseguia sequer imaginar que as criaturas de Deus morreriam; que, após alguns anos de vida, a morte o deixaria sem seus amados filhos e filhas. É impossível. Deus é uma fonte inesgotável de vida. Deus cria os vivos, cuida deles, os defende, tem compaixão deles e os resgata do pecado e da morte.
Jesus provavelmente nunca leu o Livro da Sabedoria, escrito por volta de 50 a.C. em Alexandria, mas sua mensagem sobre Deus evoca uma passagem inesquecível deste sábio judeu que escreve: “Tu tens compaixão de todos, porque podes fazer todas as coisas; tu ignoras os pecados das pessoas para que elas se arrependam. Tu amas todas as coisas e não detestas nada do que criaste; se tivesses detestado alguma coisa, não a terias criado. Como poderiam existir se não as tivesses criado? Mas tu perdoas tudo porque tudo é teu, ó Senhor, amante da vida” (Sabedoria 11:23-26).
Deus é amigo da vida. É por isso que Ele tem compaixão de todos aqueles que não sabem ou não podem viver com dignidade. Ele chega ao ponto de “fechar os olhos” para os pecados das pessoas para que elas possam redescobrir o caminho da vida. Ele não detesta nada do que criou. Ele ama todas as coisas; caso contrário, não as teria criado. Ele perdoa a todos, tem compaixão de todos, deseja a vida de todos, porque todos pertencem a Ele.
Como não amar toda a criação com mais paixão? Por que não zelamos e defendemos com mais veemência a vida de todos os seres contra tanta predação e agressão? Por que não temos compaixão por tantas pessoas "excluídas" para quem este mundo não é o seu lar? Como podemos continuar a pensar que o nosso bem-estar é mais importante do que a vida de tantos homens e mulheres que se sentem estrangeiros e sem lugar nesta Terra criada por Deus para eles?
É inacreditável que não consigamos compreender o absurdo da nossa religião quando cantamos ao Criador e Ressuscitador da vida e, ao mesmo tempo, contribuímos para gerar fome, sofrimento e degradação nas Suas criaturas.
32º Domingo do Tempo Comum – Ano C
(Lucas 20,27-38)
9 de novembro
José Antonio Pagola
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Fonte: Facebook




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