Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.
A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.
Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)
“E, dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse: Quanto a estas coisas que vedes, dias virão em que não se deixará pedra sobre pedra, que não seja derrubada”. (Lc 21, 5-6)
Abaixo, uma excelente reflexão, que tem como pano de fundo o texto bíblico
Lucas 21, 5-19 (O sermão profético). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Muito bom!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
15 Novembro 2025
PARA DECLARAR O CONSUMADO
Esta é a última visita de Jesus a Jerusalém. Alguns dos que o acompanham ficam maravilhados com "a beleza do templo". Jesus, por outro lado, sente algo muito diferente. Seus olhos proféticos enxergam o templo mais profundamente: naquele lugar magnífico, o reino de Deus não é acolhido. É por isso que Jesus declara o consumado: "Quanto a estas coisas que vocês veem, dias virão em que não ficará pedra sobre pedra; tudo será derrubado".
De repente, suas palavras destroem o autoengano que permeia o templo. Aquele esplêndido edifício alimenta uma falsa ilusão de eternidade. Essa maneira de viver a religião sem abraçar a justiça de Deus ou ouvir o clamor dos que sofrem é enganosa e perecível: "Tudo será derrubado".
As palavras de Jesus não brotam da raiva. Muito menos do desprezo ou do ressentimento. O próprio Lucas nos conta, um pouco antes, que, ao se aproximar de Jerusalém e ver a cidade, Jesus "chorou". Seu choro é profético. Os poderosos não choram. O profeta da compaixão, sim.
Jesus chora diante de Jerusalém porque ama a cidade mais do que qualquer outra pessoa. Ele chora por uma “velha religião” que não se abre ao reino de Deus. Suas lágrimas expressam sua solidariedade com o sofrimento de seu povo e, ao mesmo tempo, sua crítica radical a esse sistema religioso que impede a visita de Deus: Jerusalém — a cidade da paz! — “não sabe o que conduz à paz”, porque “está oculto aos seus olhos”.
As ações de Jesus lançam luz considerável sobre a situação atual. Às vezes, em tempos de crise, como o nosso, a única maneira de abrir caminhos para a novidade criativa do reino de Deus é pôr fim àquilo que alimenta uma religião ultrapassada, que não consegue gerar a vida que Deus quer trazer ao mundo.
Pôr fim a algo vivido de forma sagrada por séculos não é fácil. Não se faz isso condenando aqueles que querem preservá-lo como eterno e absoluto. Faz-se isso "com lágrimas", pois as mudanças exigidas pela conversão ao Reino de Deus causam sofrimento a muitos. Os profetas denunciam o pecado da Igreja que chora.
33º Domingo do Tempo Comum – Ano C
(Lucas 21, 5-19)
16 de novembro
José Antonio Pagola
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Fonte: Facebook




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