Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.
A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus e para devida valorizaçao da sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação, ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.
Essa é a ideia princiapal deste blog: através de boas reflexõe encontrar os esclarecimentos, que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo. (W.Cejnog)
“…Então, Pedro saiu do barco, andou sobre as águas e foi em direção a Jesus. Mas, quando reparou no vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: — Senhor, salva-me! Imediatamente, Jesus estendeu a mão, segurou-o e disse: — Homem de pequena fé, por que você duvidou? (Mt 14,29b-31)
A reflexão de hoje tem como base o texto bíblico Mateus 14,22-33 (Confiar mesmo no meio da tempestade). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.
Excelente!
WCejnóg
Por José Antonio Pagola
5 Agosto 2026
APRENDER A CRER NO MEIO DA DÚVIDA
Não é fácil responder honestamente à pergunta que Jesus faz a Pedro no preciso momento em que o salva da água: "Porque duvidaste?"
Por vezes, as nossas convicções mais profundas desvanecem-se, e os olhos da nossa alma perturbam-se sem que saibamos exatamente porquê. Princípios até então aceites como inabaláveis começam a vacilar. E a tentação de abandonar tudo sem reconstruir nada desperta em nós.
Outras vezes, o mistério de Deus torna-se avassalador. A palavra final sobre a minha vida escapa-me, e é difícil entregar-me ao mistério: a minha razão continua a sua busca insatisfeita de uma luz clara e apodítica que não encontra nem jamais encontrará.
Frequentemente, a superficialidade e a leviandade do nosso quotidiano, juntamente com a adoração secreta de tantos ídolos, mergulham-nos em longas crises de indiferença e ceticismo interior, deixando-nos com a sensação de termos realmente perdido Deus.
Frequentemente, é o nosso próprio pecado que quebra a nossa fé, pois esta declina e enfraquece quando nos afastamos de Deus. Se formos honestos, devemos confessar que existe um enorme abismo entre o crente que professamos ser e o crente que realmente somos. O que devemos fazer quando reconhecemos em nós uma fé que, por vezes, é tão frágil e vacilante?
Em primeiro lugar, não devemos desesperar nem assustar-nos quando descobrimos dúvidas e hesitações dentro de nós. A busca de Deus é quase sempre vivida na insegurança, nas trevas e no risco. Deus é procurado "às cegas". E não nos podemos esquecer que, muitas vezes, "a fé genuína só pode aparecer quando a dúvida é vencida" (Ladislau Boros).
O importante é acolher o mistério de Deus com o coração aberto. A nossa fé depende da verdade da nossa relação com Ele. E não precisamos de esperar que as nossas dúvidas sejam resolvidas para vivermos verdadeiramente diante desse Pai.
Por isso, é importante saber clamar como Pedro: "Senhor, salva-me". Saber elevar as nossas mãos vazias a Deus, não apenas como um gesto de súplica, mas também como uma entrega confiante de quem se reconhece pequeno, ignorante e necessitado de salvação. Não nos esqueçamos que a fé é "andar sobre as águas", mas com a possibilidade de encontrarmos sempre aquela mão que nos salva quando começamos a afundar.
19º Domingo do Tempo Comum – Ano A
(Mateus 14,22-33)
9 de agosto
José António Pagola
buenasnoticias@ppc-editorial.com
Fonte: Facebook




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