Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 15 de agosto de 2026

“O clamor da mulher”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada”. (Mt 15,28)

 

Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como a base o texto bíblico Mateus 15,21-28 (Jesus e a mulher cananeia). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Não dexe de ler esta excelente reflexão. 

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Por José Antonio Pagola

12 de agosto de 2026

O CLAMOR DA MULHER

Quando Mateus escreveu seu Evangelho na década de 80, a Igreja se deparou com uma questão séria: o que os seguidores de Jesus deveriam fazer? Deveriam se limitar ao povo judeu ou se abrir também aos gentios?

Jesus só havia agido dentro das fronteiras de Israel. Rapidamente eliminado pelo representante de Roma e pelos líderes do templo, ele não pôde fazer mais nada. No entanto, ao traçarem sua vida, os discípulos se lembraram de duas coisas muito esclarecedoras. Primeiro, Jesus foi capaz de descobrir uma fé maior entre os gentios do que entre seus próprios seguidores. Segundo, Jesus não reservou sua compaixão apenas para os judeus. O Deus da compaixão pertence a todos.

A cena é comovente. Uma mulher vem ao encontro de Jesus. Ela não pertence ao povo escolhido. Ela é gentia. Ela vem do povo cananeu amaldiçoado, que lutou tão ferozmente contra Israel. Ela é uma mulher sozinha e sem nome. Talvez seja mãe solteira, viúva ou tenha sido abandonada por seu próprio povo. Mateus enfatiza apenas a fé dela. Toda a sua vida se resume em um grito que expressa a profundidade de seu infortúnio. Ela vem atrás dos discípulos, "gritando". Ela não se detém no silêncio de Jesus nem na angústia dos discípulos. O infortúnio de sua filha, possuída por "um demônio muito maligno", tornou-se sua própria dor: "Senhor, tem misericórdia de mim!"

Em certo momento, a mulher alcança o grupo, detém Jesus, prostra-se diante dele e, de joelhos, diz: "Senhor, ajuda-me!" Ela não aceita as explicações de Jesus, pois ele está absorto em seu trabalho em Israel. Ela não aceita a exclusão étnica, política, religiosa e de gênero que tantas mulheres enfrentam, sofrendo solidão e marginalização.

É então que Jesus se revela em toda a sua humildade e grandeza: "Mulher, grande é a tua fé! Que seja atendido o teu pedido." A mulher tem razão. Outras explicações são inúteis. A prioridade é aliviar o sofrimento. Seu pedido está em consonância com a vontade de Deus. O que nós, cristãos, estamos fazendo hoje diante dos clamores de tantas mulheres que estão sozinhas, marginalizadas, abusadas e esquecidas pela Igreja? Será que as abandonamos, justificando nossa negligência com as exigências de outras responsabilidades? Jesus não fez isso.

20º Domingo do Tempo Comum – Ano A

(Mateus 15,21-28)

16 de agosto

José Antonio Pagola

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Fonte: Facebook

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