Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

quarta-feira, 19 de junho de 2019

“O respeito é tudo”. – Artigo de Leonardo Boff. Uma reflexão mais que necessária!



Hoje trago para este espaço mais um artigo de Leonardo Boff. “O respeito é tudo” foi publicado recentemente pelo autor no seu blog. Quero compartilhá-lo também aqui, nesta página, e com isso ajudar um pouco na sua divulgação.

´Vale a pena ler e refletir!

WCejnóg







leonardoBOFF.com

13/06/2019

O respeito é tudo



Uma das chagas mais sofridas no mundo e também entre nós é seguramente a falta de respeito.



O respeito exige, em primeiro lugar, reconhecer o outro como outro, diferente de nós. Respeitá-lo significa dizer que ele tem direito de existir e de ser aceito assim como é. Essa atitude não convive com a intolerância que expressa a rejeição do outro e de seu modo de ser.



Assim um homoafetivo ou alguém de outra condição sexual como os da LGBT não devem ser discriminados, mas respeitados, primeiramente, por serem pessoas humanas, portadoras de algo sagrado e intocável: uma dignidade intrínseca a todo ser com inteligência, sentimento e amorosidade; em seguida, garantir-lhe o direito de ser como é e de viver sua condição sexual, racial ou religiosa.

Com acerto, disseram os bispos do mundo inteiro reunidos em Roma, no Concílio Vaticano II (1962-1965) em um dos mais belos documentos “Alegria e Esperança” (Gaudium et Spes): ”Cada um respeite o próximo como “outro eu”, sem excetuar nenhum”(n.27).



Em segundo lugar, o reconhecimento do outro, implica ver nele um valor em si mesmo, pois ao existir comparece como único e irrepetível no universo e expressa algo do Ser, daquela Fonte Originária de energia e de virtualidades ilimitadas de onde todos procedem (a Energia de Fundo do Universo, a melhor metáfora do que Deus significa). Cada um carrega um pouco do mistério do mundo, do qual é parte. Por isso entre eu e o outro se estabelece um limite que não pode ser transgredido: a sacralidade de cada ser humano, no fundo, de cada ser, pois tudo o que existe e vive, merece existir e viver.



O budismo que não se apresenta como uma fé mas como uma sabedoria, ensina respeitar a cada ser, especialmente aquele que sofre (a compaixão). A sabedoria cotidiana expressa no Feng Shui integra e respeita todos os elementos, os ventos, as águas, os solos, os vários espaços. Semelhantemente o hinduísmo prega o respeito como a não-violência ativa (ahimsa) que encontrou em Gandhi seu arquétipo referencial.



O cristianismo conhece a figura de São Francisco de Assis que respeitava cada ser, desde a minhoca do caminho, a abelha perdida no inverno em busca de alimento, a plantinha silvestre que o Papa Francisco em sua encíclica “sobre o cuidado da Casa Comum ”citando São Francisco, manda respeitar porque, a seu modo, também louvam a Deus (n.12).



Os bispos, no documento acima referido, alargam o espaço do respeito afirmando: ”O respeito deve se estender àqueles que em assuntos sociais, políticos e mesmo religiosos, pensam e agem de maneira diferente da nossa” (n.28). Como tal apelo é atual para a nossa situação brasileira, atravessada de intolerância religiosa (invasão de terreiros do candomblé), intolerância política com apelativos desrespeitosos a pessoas e a atores sociais ou de outra leitura da realidade histórica.



Temos assistido a cenas de grande falta de respeito por parte de alunos contra professoras e professores, usando de violência física além da simbólica com nomes que sequer podemos escrever. Muitos se perguntam: que mães tiveram aqueles alunos? A pergunta correta é outra: que pais tiveram eles? Cabe ao pai a missão, por vezes onerosa, de ensinar o respeito, impor limites e repassar valores pessoais e sociais sem os quais uma sociedade deixa de ser civilizada.



Atualmente, com o eclipse da figura do pai, surgem setores de uma sem pai e por isso sem o sentido dos limites e do respeito. A consequência é o recurso fácil à violência até letal para resolver desavenças pessoais, como, não raro, se tem visto.



Armar à população como pretende o atual Presidente além de ser irresponsável, só favorece a falta perigosa de respeito e o aumento da ruptura de todos os limites.



Por fim, uma das maiores expressões de falta de respeito é para com a Mãe Terra, com seus ecossitemas super-explorados, com o espantoso desflorestamento da Amazônia e com a excessiva utilização de agrotóxicos que envenenam solos, aguas e ares. Essa falta de respeito ecológico nos poderá surpreender com graves consequências para a vida, a biodiversidade e o nosso futuro como civilização e como espécie.



Leonardo Boff é eco-teólogo, filósofo e escritor e escreveu  
Como cuidar da Casa Comum, Vozes 2018.


 

sexta-feira, 14 de junho de 2019

“Mistério de bondade”. – Reflexão de José Antonio Pagola. Excelente!




Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.  Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade...(Jo 15, 12-13a)

Abaixo, uma reflexão muito bonita, que tem como pano de fundo o texto bíblico Jo 16, 12-15 (A missão do Consolador). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. Foi publicada na no site do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

Vale a pena ler!
WCejnóg



IHU – ADITAL
14 junho 2019

Mistério de bondade

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo João 16,12-15 que corresponde à Festa da Santíssima Trindade ciclo C, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol  José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

Ao longo dos séculos, os teólogos têm-se esforçado por aprofundar o mistério de Deus mergulhando conceitualmente na Sua natureza e expondo suas conclusões com diferentes linguagens. Mas, com frequência, nossas palavras escondem Seu mistério em vez de revelá-lo. Jesus não fala muito de Deus. Oferece-nos simplesmente Sua experiência.

A Deus, Jesus chama-Lhe «Pai» e experimenta-O como um mistério de bondade. Vive-O como uma Presença boa que abençoa a vida e atrai Seus filhos e filhas para lutar contra o que prejudica os seres humanos. Para Ele, o mistério último da realidade que os crentes chamamos de «Deus» é uma presença próxima e amigável que abre caminho no mundo para construir, conosco e junto a nós, uma vida mais humana.

Jesus nunca separa esse Pai do seu projeto de transformar o mundo. Não pode pensar nele como alguém encerrado no Seu mistério insondável, de costas para o sofrimento dos seus filhos e filhas. Por isso, pede aos seus seguidores para se abrir ao mistério desse Deus, acreditar na Boa Nova do Seu projeto, juntar-nos a Ele para trabalhar por um mundo mais justo e feliz para todos, e procurar sempre que a Sua justiça, a Sua verdade e a Sua paz reinem cada vez mais no mundo.

Por outro lado, Jesus experimenta-se a Si mesmo como «Filho» desse Deus, nascido para impulsionar na Terra o projeto humanizador do Pai e para o levar à sua plenitude definitiva acima até mesmo da morte. Por isso, procura a todo o momento o que quer o Pai. A Sua fidelidade a Ele leva-o a buscar sempre o bem dos Seus filhos e filhas. Sua paixão por Deus traduz-se em compaixão por todos os que sofrem.

Por isso, toda a existência de Jesus, o Filho de Deus, consiste em curar a vida e aliviar o sofrimento, defender as vítimas e reclamar para elas justiça, semear gestos de bondade, e oferecer a todos a misericórdia e o perdão gratuito de Deus: a salvação que vem do Pai.

Finalmente, Jesus age sempre impulsionado pelo «Espírito» de Deus. É o amor do Pai que o envia para anunciar aos pobres a Boa Nova do seu projeto salvador. É o alento de Deus o que move a curar a vida. É a Sua força salvadora que se manifesta em toda Sua trajetória profética.

Este Espírito não se extinguirá no mundo quando Jesus estiver ausente. Ele mesmo promete assim aos Seus discípulos. A força do Espírito os fará testemunhas de Jesus, Filho de Deus e colaboradores do plano salvador do Pai. Assim, os cristãos vivem praticamente o mistério da Trindade.