Temas diversos. Observar, pensar, sentir, fazer crítica construtiva e refletir sobre tudo que o mundo e a própria vida nos traz - é o meu propósito. Um pequeno espaço para uma visão subjetiva, talvez impregnada de utopia, mas, certamente, repleta de perguntas, questionamentos, dúvidas e buscas, que norteiam a vida de muitas pessoas nos dias de hoje.

As perguntas sobre a existência e a vida humana, sobre a fé, a Bíblia, a religião, a Igreja (sobretudo a Igreja Católica) e sobre a sociedade em que vivemos – me ajudam a buscar uma compreensão melhor desses assuntos, com a qual eu me identifico. Nessa busca, encontrando as melhores interpretações, análises e colocações – faço questão para compartilhá-las com os visitantes desta página.

Dedico este Blog de modo especial a todos os adolescentes e jovens cuja vida está cheia de indagações.
"Navegar em mar aberto, vivendo em graça ou não, inteiramente no poder de Deus..." (Soren Kierkegaard)

sábado, 19 de abril de 2025

“O túmulo vazio”. – Reflexão de José Luis Sicre Diaz.

Páscoa

 

Hoje temos uma boa reflexão para o Domingo da Páscoa. É de autoria de José Luis Sicre Diaz, biblista jesuita espanhol.

O texto foi publicado pelo autor no seu blog no Facebook.

WCejnóg

 

Por JOSÉ LUIS SICRE DIAZ

17 Abril 2025 

 O túmulo vazio

As duas frases mais repetidas pela igreja este domingo são: “Cristo ressuscitou” e “Deus ressuscitou Jesus”. Resumem as declarações mais frequentes no Novo Testamento sobre este tema.

Entretanto, como Evangelho para este domingo, foi escolhido um Evangelho que não apresenta Deus nem Cristo, nem confessa a sua ressurreição. Os três protagonistas que temos aqui são puramente humanos: Maria Madalena, Simão Pedro e o discípulo amado. Não existe sequer um anjo. A história do Evangelho de João centra-se nas reações destas personagens muito diferentes.

 

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu a pedra retirada do túmulo. Ela correu e foi ter com Simão Pedro e o outro discípulo, que Jesus amava, e disse-lhes:

“― Tiraram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde o puseram.

Pedro e o outro discípulo saíram para irem ao sepulcro. Os dois correram juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro, foi adiante e chegou primeiro ao túmulo; e, olhando para fora, viu as ligaduras no chão; mas ele não entrou. Chegou também Simão Pedro, seguindo-o, e entrou no sepulcro. Viu os lençóis de linho atirados para o chão, e o lenço que envolvera a cabeça de Jesus não estava no chão com os lençóis de linho, mas enrolado num lugar à parte. Então o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, também entrou, viu e acreditou. Pois até então não tinham compreendido a Escritura, que dizia que Ele devia ressuscitar dos mortos.”

Maria reage precipitadamente: basta ver que a laje foi retirada do túmulo para concluir que alguém levou o corpo; ressurreição nem lhe passa pela cabeça.

Simão Pedro comporta-se como um diligente inspector de polícia: corre para o túmulo e não se limita, como Maria, a ver a pedra revolvida; Entra e repara, que as ligaduras estão no chão, mas o sudário está enrolado num lugar separado. Algo muito estranho. Mas não tira nenhuma conclusão.

O discípulo amado também corre, ainda mais do que Simão Pedro, mas depois espera-o pacientemente. E vê a mesma coisa que Pedro, mas conclui que Jesus ressuscitou.

 O Evangelho de São João, que nos causa tanto sofrimento ao longo do ano com os seus discursos complicados, oferece hoje uma mensagem esplêndida: perante a ressurreição de Jesus, podemos pensar que ele é uma fraude (Maria), não saber o que pensar (Pedro) ou dar o misterioso salto de fé (discípulo amado).

 Porque é que o discípulo amado espera por Pedro?

É comum interpretar este fato da seguinte forma. O discípulo amado (seja João ou outro qualquer) fundou uma comunidade cristã bastante peculiar, que corria o risco de se considerar superior às outras igrejas e acabar separada delas. De fato, o Quarto Evangelho deixa clara a enorme intuição religiosa do fundador, superior à de Pedro: ele só precisa de ver para crer, tal como mais tarde, quando Jesus aparece no mar da Galileia, sabe imediatamente que “é o Senhor”. Contudo, a sua intuição especial não o coloca acima de Pedro, a quem espera à entrada do túmulo em sinal de respeito. A comunidade do discípulo amado, imitando o seu fundador, deve sentir-se unida a toda a Igreja, da qual Pedro é responsável.

As outras duas leituras: benefícios e compromissos.

Ao contrário do Evangelho, as outras duas leituras deste domingo (Atos e Colossenses) afirmam taxativamente a ressurreição de Jesus. Embora sejam muito diferentes, há algo que os une:

a) ambos mencionam os benefícios da ressurreição de Jesus para nós: o perdão dos pecados (Atos) e a glória futura (Colossenses);

b) ambos afirmam que a ressurreição de Jesus implica um compromisso para os cristãos: pregar e testemunhar, como os Apóstolos (Atos), e aspirar aos bens do alto, onde está Cristo, não aos da terra (Colossenses).

Fonte:Facebook

sábado, 12 de abril de 2025

“Com os crucificados”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

“E, respondendo ele, disse-lhes: Digo-vos que, se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.” (Lc 19:40)

 

Domingo de Ramos

Abaixo, uma excelente reflexão, inspirada no texto bíblico Lc 19,28-40 (O Rei humilde). É de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola. O texto foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir!

WCejnóg


Por José Antonio Pagola

09 Abril 2025

Com os crucificados

O mundo está cheio de igrejas cristãs presididas pela imagem do Crucificado, e está também cheio de pessoas que sofrem, crucificadas pela desgraça, pela injustiça e pelo abandono: os doentes privados de cuidados, as mulheres abusadas, os idosos ignorados, as crianças violadas, os imigrantes sem documentos nem futuro. E pessoas, muitas pessoas afundaram-se na fome e na miséria por todo o mundo.

É difícil imaginar um símbolo mais cheio de esperança do que a cruz plantada pelos cristãos de todo o lado: uma "memória" pungente de um Deus crucificado e um lembrete permanente da sua identificação com todos os inocentes que sofrem injustamente no nosso mundo.

Esta cruz, erguida entre as nossas cruzes, recorda-nos que Deus sofre conosco. Deus compadece-se da fome das crianças (de Calcutá, da Gaza, da África ...), sofre com os assassinados e torturados em diversos países (no Iraque, no Afganistão, na Nicarágua ...) e chora com as mulheres maltratadas dia após dia nas suas casas. Não sabemos explicar a raiz última de tanto mal. E mesmo que soubéssemos, não nos faria muito bem. Sabemos apenas que Deus sofre conosco. Não estamos sozinhos.

 

Mas os símbolos mais sublimes podem ser pervertidos se não recuperarmos repetidamente o seu verdadeiro conteúdo. Que significa a imagem do Crucificado, tão presente entre nós, se não vemos gravados no seu rosto o sofrimento, a solidão, a tortura e a desolação de tantos filhos e filhas de Deus?

De que nos serve carregar uma cruz ao peito se não sabemos carregar a mais pequena cruz de tantas pessoas que sofrem ao nosso lado?

De que valem os nossos beijos ao Crucificado se não despertam em nós o afeto, o acolhimento e a proximidade com aqueles que vivem crucificados?

O Crucificado desmascara as nossas mentiras e covardias como ninguém. Do silêncio da cruz, Ele é o juiz mais firme e gentil do aburguesamento da nossa fé, da nossa acomodação ao bem-estar e da nossa indiferença para com aqueles que sofrem. Para adorar o mistério de um “Deus crucificado” não basta celebrar a Semana Santa; É preciso também aproximar-se do crucificado, semana após semana.

Domingo de Ramos – C

(Lucas 19,28-40 / Lucas 22,14-25.36)

13 de abril

José António Pagola

goodnews@ppc-editorial.com

 

Fonte: Facebook

sábado, 5 de abril de 2025

“Amigo da Mulher”. – Reflexão de José Antonio Pagola.

 

Considero que todas as reflexões que trago para este blog Indagações-Zapytania trazem uma interpretação interessante e uma visão autêntica e realista das mensagens contidas nos textos da Bíblia. Tenho muito aprazo pelos autores, cujos textos apresento aqui.

A Palavra das Escrituras é o caminho para a libertação do ser humano como filho de Deus, mostrando-lhe o seu valor e a sua dignidade. A Palavra de Deus nunca deve ser usada para formular a desinformação ou para fomentar ingenuidade, hipocrisia ou falsidade.

Essa é a ideia princiapal deste blog: apresentar boas reflexões e com elas encontrar os esclarecimentos que possam nos ajudar a alcançar respostas melhores para as indagações que nos inquietam. Espero que, pelo menos em parte, as postagens deste blog cumpram o seu objetivo.         

 (WCejnog)

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“Então Jesus pôs-se em pé e perguntou-lhe: Mulher, onde estão eles? Ninguém a condenou? Ninguém, Senhor, disse ela.
Declarou Jesus: Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado. “ (Jo 8, 10-11)

Hoje temos uma excelente reflexão, que tem como base o texto bíblico Jo 8, 1-11 (Jesus não condena e ensina a não condenar). O texto é de autoria do padre e teólogo espanhol José Antonio Pagola.

Foi publicado pelo autor na sua página no Facebook.

Vale a pena conferir!

WCejnóg

Por José Antonio Pagola

02 Abril 2025

AMIGO DA MULHER

É surpreendente ver Jesus rodeado de tantas mulheres: amigas queridas como Maria Madalena ou as irmãs Marta e Maria de Betânia. Seguidoras fiéis como Salomé, mãe de uma família de pescadores. Mulheres doentes, prostitutas de aldeia... Nada de semelhante se diz sobre qualquer profeta.

O que encontraram as mulheres nele? Porque é que ele as atraiu tanto? A resposta oferecida pelas histórias evangélicas é clara. Jesus olha para elas com olhos diferentes. Trata-as com uma ternura desconhecida, defende a sua dignidade, acolhe-as como discípulas. Ninguém as tratou assim.

As pessoas viam-nas como uma fonte de impureza ritual. Quebrando tabus e preconceitos, Jesus aproxima-se delas sem medo, aceita-as à sua mesa e até se deixa acariciar por uma prostituta agradecida.

A sociedade considerava-as ocasião e fonte de pecado; desde a infância que os homens foram alertados para não caírem nas artes da sedução. Jesus, porém, sublinha a responsabilidade dos homens: “Todo aquele que olha para uma mulher com desejo sexual já cometeu adultério no seu coração”.

A sua reação é compreensível quando se depara com uma mulher apanhada em adultério, e a intenção era apedrejá-la. Ninguém fala do homem. Foi isso que sempre acontecia naquela sociedade machista. A mulher era condenada porque desonrou a família e o homem é facilmente desculpabilizado.

Jesus não apoia esta hipocrisia social construída pelo domínio dos homens. Com admirável simplicidade e coragem, coloca a verdade, a justiça e a compaixão: “Quem está sem pecado, que atire a primeira pedra”. Os acusadores recuam envergonhados. Sabem que são os maiores responsáveis ​​pelos adultérios que havia naquela sociedade.

Jesus dirige-se àquela mulher humilhada com ternura e respeito: “Nem eu te condeno”. Vá, continue a caminhar na sua vida e, “de hoje em diante, não peque mais”. Jesus confia nela, deseja-lhe o melhor e encoraja-a a não pecar. Mas nenhuma condenação sairá dos seus lábios.

Quem nos ensinará a olhar para as mulheres hoje com os olhos de Jesus? Quem introduzirá a verdade, a justiça e a defesa das mulheres ao estilo de Jesus na Igreja e na sociedade?

5 Quaresma – C

(João 8:1-11)

6 de abril

José António Pagola

goodnews@ppc-editorial.com

 

Fonte: Facebook