Um tema bastante polêmico, sobretudo para não-católicos: a questão de imagens e estátuas permitidas e valorizadas na religião Católica. O texto abaixo, de Ferdinand Krenzer¹, aborda esta questão, explicando-a do ponto de vista do catolicismo.
Tenho certeza que as explicações apresentadas por ele poderão servir de grande ajuda para as pessoas que gostariam de entender melhor este assunto e, talvez, dissipar as possíveis dúvidas. É um tema que deveria ser melhor trabalhado com adolescentes e jovens, nos encontros de catequese.
Não deixe de ler.
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[Para aproveitar melhor as explicações, é aconselhável ler desde o início todas as postagens sobre este assunto (começo no dia 17 de maio de 2012: Sobre culto à Nossa Senhora e aos Santos na religião Católica).]
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Sobre imagens e estátuas na religião católica.
É fato que as mais antigas catacumbas cristãs (os túmulos subterrâneos) eram ornamentadas com imagens de Cristo e dos santos. Esta é uma característica profundamente humana, querer preservar diante de nossos olhos e perpetuar nas imagens, as pessoas, sobretudo falecidas, que se ama e valoriza. Do mesmo jeito o amor, carinho e respeito para com a Mãe de Deus e com os Santos, exigem uma apresentação plástica visual. O que, pois, mais os convida a rezar: uma parede vazia, diante da qual estamos, ou se nela tem um quadro, ou uma imagem, do qual olha para nós uma pessoa santa, ou até mesmo o próprio Senhor?
Os iconoclastas sempre invocam o Antigo Testamento que, vez por outra, proibia apresentações (ícones, esculturas, quadros, etc). Esquecem, no entanto, que as leis em relação ao culto do Velho Testamento (compare o Livro Levítico) não vigora mais no tempo da Nova Aliança. Foi abolido o Sabá, e até o sinal da circuncisão (compare Mt 12, 8; Mc 2, 28; At 15). A proibição de fabricar as imagens era condicionada no tempo e necessária para aquele nível de cultura, porque as pessoas facilmente estariam identificando a imagem com o próprio Javé, ou até com alguma divindade estranha. Naquela época o mundo pagão, que cercava o povo escolhido, teve numerosas figuras de divindades e seus deuses, e este era o problema. O povo escolhido continuamente estava sendo tentado para também adorar as concepções e imagens materiais (lembrando aqui, por exemplo, o bezerro de ouro). Mesmo assim, o Velho Testamento permitia representações materiais, por exemplo, dos querubins na Arca da aliança (Ex 25, 18) e nos muros do Templo.
Porém, depois que Deus mostrou neste mundo a sua “imagem” no próprio Cristo (compare: Carta aos Colossenses) e através dele anunciou que precisará louvá-Lo “no espírito e verdade”, o grande perigo de abusos em relação a uso de imagens parou de existir.
Cada católico sabe que não se venera a imagem como tal, mas a pessoa representada por essa imagem.
(KRENZER, F. Taka jest nasza wiara, Paris, Éditions Du Dialogue, 1981, p. 339-340)²
Continua...
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¹ Ferdinand Krenzer é um teólogo católico alemão, pastor, aposentado e escritor.
² Os.: As reflexões do Ferdinand Krenzer fascinam pelo seu jeito simples e direto, e agradam o leitor, ajudando-o a entender melhor o caminho da fé cristã e compreender os temas mais difíceis desta doutrina.
Os textos publicados neste blog são tomados do livro Taka jest nasza wiara, desse autor; uma edição no idioma polonês, do qual faço uma tradução livre (para o português). O título original: “Morgen wird man wieder Glauben”.
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